Origem: Livro: Meditação sobre a Epístola aos Hebreus: Os Céus Abertos

Hebreus 7

Olhar atentamente para o sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque é importante para nossa alma. Portanto, por enquanto, deixaremos de lado o parêntese no final de Hebreus 6 e leremos parte de Hebreus 5 e todo o texto de Hebreus 7. Estamos olhando para o sacerdócio do Senhor Jesus como refletido em Arão e Fineias. Vimos que Arão foi simplesmente chamado ao seu ofício; Fineias ganhou o dele. Vamos agora olhar para a fase de Melquisedeque do mesmo sacerdócio.

Suponha que eu lhe dissesse que este mundo é uma cena de vida perdida – você me entenderia. A vida não passa de uma morte suspensa. Voltar à vida é voltar a Deus. Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos. O pecado resultou na perda da vida, consequentemente, se posso voltar à vida, volto a Deus. Em dois caracteres, Deus visita este mundo – como Vivificador e como Juiz, e João 5 nos diz que todos estamos interessados em uma ou outra dessas visitas. Agora é o propósito desta epístola é fazer com que todo pobre crente em Jesus saiba que ele voltou à vida e que sua ocupação agora é com o Deus vivo e com Deus Vivificador. “O Deus vivo” é uma expressão que ocorre com frequência nesta epístola. “Apartar-se do Deus vivo”, “servir ao Deus vivo”, “à cidade do Deus vivo”. Assim, o Deus vivo ocupa o campo da minha visão tanto agora quanto na glória. Agora não devo me afastar d’Ele, o que indica que voltei para Ele. Eu escapei da região da morte e voltei para a região da vida; e em breve, na glória encontrarei “a cidade do Deus vivo”.

A pergunta é: “Como voltei para Ele?” A epístola revela isso de maneira bela. É um assunto moral magnífico seguir o Senhor Jesus em Seu ministério por meio dos quatro evangelhos e vê-Lo desde o início até o fim de Sua história, mostrando-Se como o Deus vivo neste mundo. Contemplá-Lo no Getsêmani – contemplá-Lo entregando o espírito – depois como o Deus vivo levantando-Se do túmulo e concedendo o Espírito Santo. Vemos o Deus vivo numa cena repleta de morte. É o propósito desta Epístola aos Hebreus apresentar muito especialmente a Cristo como o Deus vivo. O apóstolo está cheio com a morte e com a cruz de Cristo. Ela não seria a Epístola aos Hebreus se não tratasse de Cristo em Seu caráter vicário.

Mas, embora vejamos o Cordeiro no altar, também vemos o sepulcro vazio. Observamos antes que o próprio Senhor sempre liga à história de Sua morte a história de Sua ressurreição. “O Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e condená-Lo-ão à morte e ao terceiro dia ressuscitará”. Temos a mesma coisa aqui, só que de forma doutrinal e não histórica. A cruz é frequentemente nomeada, mas sempre em companhia da ascensão. Veja a abertura da epístola – “havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados”. Como Ele os purificou? Pela morte. A morte olha para você na abertura desta epístola; mas ao mesmo tempo você lê: “assentou-Se à destra da Majestade, nas alturas”. Lemos novamente “para que [Ele], pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. A história termina aí? Não, Ele é “coroado de glória e honra”. O que acontece historicamente nos evangelhos é retomado doutrinalmente na epístola aos Hebreus.

O Espírito Santo está considerando o Deus vivo na Pessoa de Jesus, como Jesus estava exibindo o Deus vivo em Sua própria Pessoa. Então, novamente em Hebreus 2, “Para que pela morte” – a morte olha novamente para você, mas o que vem a seguir – “aniquilasse o que tinha o império da morte”. Não tenho novamente o sepulcro vazio, bem como o altar e o Cordeiro? Entro nesta epístola para encontrar um túmulo vazio, mas não como “Maria Madalena e a outra Maria”. Espero encontrá-lo vazio. O erro delas, queridas mulheres, era que esperavam encontrá-lo ocupado. Eu me dirijo a ele esperando encontrá-lo vazio e assim o encontro. Quando vejo o Cordeiro sobre o altar e o sepulcro vazio, eu me aproprio de uma vida vitoriosa e infalível. Essa é vida sobre a rocha que o Senhor falou a Pedro.

Em Hebreus 5, descobrimos que no Getsêmani Ele tratou da questão de Seu direito e foi ouvido por Sua piedade. Ele tinha um direito moral para a vida. Então Ele abriu mão esse direito moral e tomou Seu lugar como Substituto. Do Getsêmani, Ele caminhou até o Calvário. No Getsêmani foi um momento maravilhoso. Lá, a grande questão da vida e da morte foi resolvida entre Deus e Cristo; e em vez de fazer a jornada a que Ele tinha direito lá para cima, Ele seguiu pelo caminho sombrio em que nossos pecados O colocaram aqui embaixo. Tudo isso é de um abençoado e imenso interesse.

No Calvário, novamente O encontramos na morte, mas no momento em que Ele entregou o espírito, todas as coisas sentiram o poder do Conquistador. Ele havia descido para as regiões mais sombrias da morte, mas no momento em que as tocou, cada uma sentiu o poder do Conquistador. A Terra tremeu, as rochas se fenderam, os túmulos se abriram e os corpos de santos foram ressuscitados.

Se olharmos em João 20, vemos não apenas o túmulo vazio, mas o túmulo repleto dos símbolos da vitória – os lençóis de linho no chão, e o lenço que não estava com os lençóis de linho, mas envolto em um lugar à parte. Nunca seremos capazes de apreender o mistério do Cristo de Deus se não nos lembrarmos d’Ele como o Deus vivo no meio da morte, obtendo vitórias dignas de Si mesmo. Nós O vemos na morte rasgando o véu. No túmulo, vemos o lenço enrolado à parte para contar a história da vitória. Nós O vemos então com Seus discípulos, e Ele é exatamente o Deus vivo de Gênesis 1. Encontramos Deus soprando vida nas narinas do homem – a Cabeça e a Fonte da vida. Em João 20, o Senhor brilha diante de nossos olhos como a Cabeça e a Fonte da vida infalível e inesgotável, soprando sobre os discípulos e dizendo: “Recebei o Espírito Santo”.

Nesta epístola, O encontramos nesse caráter, como tendo direito à vida e mantendo-a para nós. Esse é o Seu sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. Ele não é apenas o Deus vivo. Ele O teria sido se tivesse ido do Getsêmani para o céu, mas Ele foi do Calvário para o céu, e agora está lá como o Deus vivo por nós; e Deus está satisfeito – com certeza Ele está satisfeito. Como poderia ser de outra forma? O pecado foi posto de lado e o bendito Deus sopra o princípio de vida. Esse é, por assim dizer (e dizendo isso com coração de adoradores), o elemento próprio de Sua natureza, e Ele está satisfeito. E Deus expressou a Sua satisfação. Mas como? Quando Cristo ressuscitou diante do mundo que disse: “Não queremos que Este reine sobre nós”. Deus disse: “Assenta-Te à Minha mão direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés”. Essa foi a Sua satisfação num Cristo rejeitado.

Quando Cristo subiu aos céus em outro caráter, como tendo feito expiação, Ele O colocou nos céus mais altos com um juramento e construiu um santuário para Ele – “o verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”. É possível que Ele nos mostre de forma mais interessante que está satisfeito com o que Cristo fez por nós?

Os serviços de um tal Sumo Sacerdote são suficientes para mim? Eles devem ser. Estou em conexão com a vida, e todas as questões estão resolvidas entre mim e Deus. Ele é Rei de Justiça e Rei de Paz, e Ele concede tudo o que você precisa em virtude da autoridade real de Seu próprio nome.

No momento em que você apreende o Deus vivo que é expandido nesta epístola, descobre que tudo o que Ele toca, Ele comunica vida por toda a eternidade. Seu trono é para todo o sempre – Hebreus 1 diz isso. Sua casa é para todo o sempre – Hebreus 3 diz isso. Sua salvação é eterna – Hebreus 5 diz isso. Seu sacerdócio é imutável – Hebreus 7 diz isso. Seu concerto é para todo o sempre – Hebreus 9 diz isso. Seu reino não pode ser abalado – Hebreus 12 diz isso. Não há nada que Ele toque que Ele não transmita eternidade àquilo que foi tocado. Para intitular a Epístola aos Hebreus em poucas palavras, podemos dizer que é “o altar cheio e o sepulcro vazio”.

Cristo Se colocou a Si mesmo em possessão da vida, não para guardá-la para Si mesmo. O Jesus vivo no mais alto dos céus diz: “Agora que tenho tomado possessão da vida, vou compartilhá-la com vocês”. “Ó profundidade das riquezas!”

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