Origem: Livro: Meditação sobre a Epístola aos Hebreus: Os Céus Abertos
Hebreus 11
Chegamos a Hebreus 11. Acho que observamos que Hebreus 10:35 é um elo de ligação entre os dois grandes pensamentos da epístola – que o Cristianismo coloca você dentro do véu e fora do arraial – isto é, desfaz a obra de Satanás, que afastou você de Deus e fez para você moradia em um mundo corrompido. A religião do Senhor Jesus vem justamente para desestabilizar a obra de Satanás. Nada pode ser mais bonito do que o contraste que, assim, se mostra entre a serpente e o Esmagador da serpente.
O “grande e avultado galardão” mostra-se na vida de fé sobre a qual vamos ler agora. Somos chamados, como diz John Bunyan, “agir como adulto”.
Se estivermos felizes por dentro, estaremos lutando por fora. Hebreus 11 mostra os eleitos de todas as eras “agindo como adultos” no poder deste princípio de confiança.
“Não rejeiteis, pois, a vossa confiança”, pois isso mostra que há “grande e avultado galardão”. A fé é um princípio que apreende duas coisas diferentes de Deus. Ela O vê como um Justificador dos ímpios, como em Romanos 4, mas aqui ela apreende Deus como o “Galardoador dos que O buscam”. No momento em que apreendemos Deus por uma fé sem obras, entramos em uma fé que obra. E embora valorizemos corretamente uma fé que salva nossa alma, não sejamos indiferentes a uma fé que serve ao nosso Salvador. Quão corajosamente às vezes afirmamos nosso título, mas será que valorizamos nossa herança? É uma coisa pobre e miserável se vangloriar em nosso título, e ainda assim mostrar que o coração está pouco tocado pela esperança da herança. Da mesma forma, se eu me vanglorio de uma fé justificadora, é uma coisa pobre ser indiferente à fé que temos aqui em Hebreus 11. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11:1 – ARA).
Então você é informado de que ela foi a força de todos os dignos dos tempos antigos, que por meio dela “alcançaram testemunho”. É outra prova de que, como dissemos, tudo nesta epístola é para colocar de lado a lei. Se considero a lei como o poder secreto da minha alma para fazer qualquer coisa para Deus, não estou fazendo isso para Deus, mas para mim mesmo. A lei pode me castigar e me açoitar e me convidar a produzir um título para a vida. Mas isso seria servir a mim mesmo. A fé deixa a lei de lado. Então, tendo estabelecido fé como um princípio de se trabalhar, o apóstolo começa a revelar as diferentes fases dela desde o início. Creio que o versículo 3 pode ser uma referência a Adão. Se Adão foi um adorador no jardim, era pela fé. Ele pode ter observado todas as maravilhas que o cercavam e apreendido o grande Artífice.
Agora, dizem alguns, que ainda podem adorar a Deus na natureza, mas quando deixamos a inocência, também deixamos a criação como um templo, e não podemos voltar para lá. A natureza era um templo para Adão, mas se eu me volto a ela, eu me volto a Caim. Aqui chegamos a Abel e à revelação. Somos pecadores, e a revelação, que revela a redenção, deve edificar um templo para nós. Você deve tomar o seu lugar como adorador no templo que Deus, em Cristo, edificou para você.
Então chegamos a Enoque. A vida de Enoque era um tipo comum de vida, mas ele a viveu com Deus.
Em Gênesis é dito que ele andou com Deus, e aqui nos é dito que ele agradou a Deus. Como o apóstolo diz em 1 Tessalonicenses 4: “recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus”. Andar com Deus é agradá-Lo. Pode algo ser mais bem-vindo para nós do que o pensamento de que podemos agradar a Deus? Não havia nada na vida de Enoque para um registro na história; mas qualquer que seja nossa condição de vida, nossa ocupação é vivê-la andando com Deus. É bonito, portanto, ver uma vida sem nada notável precedendo uma vida de grandes eventos. Você pode ouvir alguns dizerem: “Sou alguém pobre e despercebido, em comparação com alguns que se destacaram no serviço ao Senhor”. “Bem”, eu responderia: “você é um Enoque”.
Agora, a de Noé foi uma vida muito distinta. A fé se apoderou do aviso. Ela não espera o dia da glória ou o dia do juízo para ver glória ou julgamento. A fé no profeta não pedia que seus olhos se abrissem. Aqui, por cento e vinte anos, a fé parecia ser uma tolice. Noé estava construindo um navio para terra seca; e provavelmente foi o escárnio de seus vizinhos; mas viu o que era invisível. Que repreensão para nós! Supondo que você e eu vivêssemos sob a autoridade da glória vindoura, que tolos iríamos parecer!
Mas eu não deveria ter passado sobre a palavra que tomei para o meu texto. Ele é “Galardoador dos que O buscam”. Mais uma vez, ousadamente digo: você não teria essa definição de fé em Romanos 4, “Galardoador dos que O buscam”! “Ora, que linguagem legalista!” alguns diriam se lessem isso em um livro qualquer. Ah! Mas como é bonita em seu lugar. A fé de um santo é uma coisa intensamente trabalhada. Deus será devedor de algum homem? Não, Ele pagará aos que semeiam abundantemente.
A vida de Abraão é a próxima; e um quadro dos variados exercícios de fé. Havia uma magnificência em sua fé – uma qualidade vitoriosa – uma bela apreensão – todas essas qualidades de fé aparecem na vida de Abraão. Ele partiu com os olhos vendados, mas o Deus da glória o guiou pela mão. Então ele foi para a terra, mas a ele não foi dado nem um palmo dela. Ele teve que ter a paciência de fé, mas tudo o que saía dos lábios de Deus era bem-vindo a Abraão. Abraão andou toda a sua vida no poder da lembrança do que tinha visto sob a mão do Deus da glória.
Agora, suponha que eu lhes diga que a visão de Estêvão foi dada a cada um de vocês. Você não precisa esperar ter a mesma visão que Estevão teve, mas, você a viu por meio dele. Os homens podem levar você à fogueira, mas você pode dizer: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus”. Se você e eu formos pessoas simples e de coração sincero, seguiremos em frente como Abraão fez quando viu o Deus da glória.
Então, a fé de Sara era outro tipo de fé. Precisamos ver Deus como o Vivificador dos mortos. Noé apreendia Deus dessa forma. Os israelitas, sob a verga manchada de sangue, O receberam no mesmo caráter. A morte estava lá, e ligada a todas as casas da terra, mas os israelitas conheciam a Deus como o Vivificador dos mortos. Isso foi o que Noé, Abraão, Sara, apreenderam de Deus. Se eu fizer de Deus menos do que o Vivificador dos mortos, eu me torno mais do que um pecador morto. É como o Vivificador dos mortos que eu preciso encontrá-Lo.
O versículo 13 é belo. A primeira coisa a fazer com uma promessa é apreendê-la – depois exercer fé sobre ela – e depois recebê-la com o coração. Eles as “abraçaram”. O coração deles as abraçou. Até que ponto meu coração abraçou as promessas? Cada um conhece a sua própria “magreza”. Mas certamente, quanto mais de perto as abraçarmos, mais abençoadamente consentiremos em ser estrangeiros e peregrinos neste mundo. Esta é uma imagem maravilhosa de um coração levado à fé. Eles se consideraram estrangeiros por terem deixado a Mesopotâmia? Não, mas porque não haviam chegado ao céu. Eles poderiam ter encontrado o caminho de volta. Abraão poderia ter dito isso a Eliézer, mas isso não mudaria a condição dele de estrangeiro.
Supondo que houvesse uma mudança em suas circunstâncias, isso mudaria sua condição de estrangeiro? Não se você estiver entre o povo de Deus. Voltar à Mesopotâmia não removeria sua condição de estrangeiro. Nada poderia mudar, terminar ou remover essa condição, a não ser a herança. Eles seguiram em direção ao céu; e Deus não Se envergonhou de ser chamado o Deus deles.
Em Hebreus 2, lemos que Cristo não Se envergonha de nos chamar irmãos. Assim, lemos que Deus não Se vergonhava de chamar esses estrangeiros de Seu povo. Por que Cristo “não se envergonha de chamá-los de irmãos”? Porque eles estão unidos em um propósito divino e eterno com Ele. Uma família abrange os eleitos e Cristo. Como Ele poderia ter vergonha de tal povo? E se vocês se afastaram do mundo, Deus não Se envergonha de vocês. Pois o próprio Deus rompeu com este mundo, e Ele não poderia Se envergonhar de vocês porque vocês são uma só mente com Ele. Portanto, quando eles disseram que eram estrangeiros, Deus chamou a Si mesmo de Deus deles. Nosso coração é terrivelmente repreendido aqui. Quanta coisa resta no nosso coração de enraizada aliança e amizade com o mundo!
Então vemos Abraão sob outra luz.
Toda esperança de Abraão dependia de Isaque. Entregar Isaque parecia não apenas um fracasso no mundo, mas um fracasso diante de Deus. Ele poderia ter dito: “Será que é para eu ser um fracasso diante de Deus e de Mesopotâmia?” Poderia ter havido um distanciamento maior no princípio da crença. Você já temeu que Deus levasse você ao fracasso perante Ele? Será que Ele já Se afastou para nunca mais voltar?
Bem, Abraão recebeu Isaque de volta em figura, selado como um novo testemunho da ressurreição. Alguma vez perdemos alguma coisa por confiar cegamente em Deus? Se alguma vez alguém confiou n’Ele desse modo, esse foi Abraão.
Depois de passar por ele, chegamos a Isaque. Isaque mostrou sua fé ao abençoar Esaú e Jacó sobre as coisas que estavam por vir. Essa é a pequena e única parte da vida dele que o Espírito observa. Se observarmos sua vida, descobriremos que esse é o trabalho mais importante nela. Esse ato brilha aos olhos de Deus.
Jacó é mais notável, assim como Noé tinha sido mais notável do que Enoque. A vida de Jacó foi cheia de acontecimentos, mas a única coisa que temos aqui é: “pela fé, Jacó… abençoou cada um dos filhos de José”. Isso é de uma beleza extraordinária. E mostra quantas coisas sem valor pode haver na vida Cristã. Não acredito que a vida de Jacó tenha sido uma exibição de um servo de Deus. Foi uma exibição de um santo que se desviou, e cuja vida inteira foi dedicada em se recuperar, e não temos esse ato de fé até que chegamos ao final dela, quanto ele “abençoou cada um dos filhos de José”. Lá ele entrou em contato com coisas invisíveis, e coisas que superam a corrente da natureza. Sua vida foi a de um homem que estava se recuperando, e bem no final ele fez este belo serviço de fé a Deus diante dos ressentimentos de seu próprio coração e do apelo de seu filho José.
A vida de José foi encantadora – uma vida de fé desde o início. José era um homem santo durante todo o tempo, mas justamente no final houve um magnífico brilho de fé. Ele tinha a mão sobre os tesouros do Egito e o pé sobre o trono do Egito; no entanto, em meio a tudo isso, ele falou a seus irmãos a respeito de sua morte. Isso era ver coisas invisíveis. Essa foi a única coisa que o Espírito sinalizou como um ato de fé. Por que ele falou dessa forma? É como se Ele tivesse dito a seus irmãos: “Ah! Não ando por vista. Eu sei o que está por vir, e eu lhes digo, vocês vão sair desta terra, e quando isso acontecer, me leve com vocês”.
O curso geral de sua vida foi irrepreensível, mas encontramos em suas palavras, quando ele estava partindo, a mais sublime expressão de fé. E é isso que você e eu queremos. Queremos ser justos apenas? Você precisa ser justo, mas isso constituirá uma vida de fé? Você precisa procurar ficar sob o poder das coisas que se esperam – coisas invisíveis – a expectativa da volta do Senhor, e até que faça isso com alguma energia, você pode ser irrepreensível, mas não está andando naquela vida de fé pela qual “os antigos obtiveram bom testemunho” (ARA). Assim, até agora vemos a fé como um princípio operante. Não a fé do pecador, que é uma fé que não opera. No momento em que a fé que não opera me fez santo, devo assumir a fé operante e viver no poder dela.
Mas temos que prosseguir. Não esqueceremos o que sugerimos – de que todo este capítulo de Hebreus 11 depende e é a ilustração de Hebreus 10:35. Quanto mais forte for nossa fé, mais nossa alma está na posse de energia poderosa e moral. Este capítulo mostra como esse princípio de fé ganhou força. Não o leiam como se fossem os louvores de Noé, Abraão, Moisés e outros. Eles são os louvores da fé como demonstrada em Noé, Abraão, Moisés e outros. Que coisa simples e abençoada é o Cristianismo! Fico admirado quando vejo como o diabo cometeu um duplo mal ao nos colocar fora do véu e dentro do arraial, e como Cristo operou o correspondente duplo remédio – fora do arraial e dentro do véu. Será que me regozijo com o pensamento de que ganhei a Deus com a perda do mundo? Isso é o Cristianismo.
“Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso”. Qual é o significado disso? Significa que, quando ele nasceu, havia uma expressão em seu semblante que a fé percebeu. “Formoso para Deus” é a palavra. Havia nele uma certa beleza que despertou a fé de Anrão e Joquebede, e eles a obedeceram. Não havia uma beleza na face de Estevão, enquanto morria? Não deveriam seus homicidas ter sido obedientes a ela? Estes se levantam em contraste moral com os pais de Moisés. Sob o dedo de Deus eles viram o propósito de Deus e esconderam a criança.
Agora, em Moisés vemos um belo poder de fé. Ela obteve uma vitória tripla – três vitórias esplêndidas e as próprias vitórias para as quais você é chamado.
Primeiro, sua fé obteve a vitória sobre o mundo. Ele era um enjeitado, resgatado do Nilo e adotado como filho da filha do Faraó. Isso era degradação pessoal traduzida em magnificência adotiva. O que ele fez com isso? Ele “recusou ser chamado filho da filha de Faraó”. Que vitória sobre o mundo foi essa! Gostamos daquelas coisas que colocam a honra do mundo sobre nós. Moisés não iria aceitar isso, e tenho certeza de que a fé está no mesmo campo de batalha e é desafiada a obter a mesma vitória até hoje.
Em seguida, vemos Moisés obtendo vitória em meio às provações e sobressaltos da vida. “Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei”. Que coisa terrível a vida de fé é para a natureza! Você tem uma vitória hoje – deve lutar novamente amanhã. “Para que possamos resistir… e, havendo feito tudo, ficar firmes”. Aqui a pressão da vida estava vindo sobre Moisés depois que as atrações da vida obtiveram dele a resposta.
Então, em terceiro lugar, Moisés teve uma resposta para as reivindicações de Deus. É magnífico ver uma alma apoiada no poder de uma fé como essa. “Pela fé, celebrou a Páscoa”. O anjo destruidor estava atravessando a terra, mas o sangue estava na verga da porta. Desde o início, a graça proveu ao pecador uma resposta às reivindicações de Deus; e é o simples papel da fé reivindicar essa resposta. Deus providenciou o sangue e a fé o usou. Cristo é a provisão de Deus. Ele é a grande ordenança de Deus para a salvação, e a fé percorre junto com Ele desde a cruz até a esfera de glória.
Então, “pela fé, passaram o Mar Vermelho” – “pela fé, caíram os muros de Jericó” – “pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos”. E o que mais diremos? Falta tempo – não podemos contar a história. É a história que anima toda a Escritura. A história da graça e da fé – graça da parte de Deus e fé da nossa parte – anima todo o livro de Deus. Nunca somos chamados para fora do arraial até que estejamos dentro do véu.
Os primeiros capítulos desta epístola mostram ao pecador seu direito a um lar na presença de Deus; e então você deve sair desse lar e deixar o mundo saber que você é um estranho para ele. Essa é a estrutura desta bela epístola. Ela nos diz qual é o nosso título para estar na presença de Deus antes de revelar o chamado que nos é atribuído. Antes que Abraão fosse chamado para uma terra que ele não conhecia, o “Deus da glória” apareceu a ele. Alguma vez Ele enviou um homem à guerra às suas próprias custas? Alguma vez Ele já o enviou para lutar com o mundo antes de você estar em paz com Ele? Tudo está a meu favor a partir do momento em que me volto para Deus. Eu sou chamado por Deus para tudo aquilo que é para mim. Cheguei “ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial”, e assim por diante. Isso é Hebreus 12. Antes mesmo de Davi ser caçado como uma perdiz, ele tinha o azeite da unção de Deus sobre ele.
Devemos nos deter um pouco nos dois versículos finais. Eles são versículos de muito peso, preciosos e cheios de significado. Esses antigos obtiveram um bom testemunho, mas com o bom testemunho, não obtiveram a promessa. Isso me lembra o profeta Malaquias. “E há um memorial escrito diante d’Ele, para os que temem ao SENHOR, e para os que se lembram do Seu nome. E eles serão Meus, diz o SENHOR dos Exércitos, naquele dia que farei, serão para Mim particular tesouro”. Eles ainda não são constituídos Seu tesouro, mas Ele tem seus nomes em Seu livro, e Ele os compensará e os exibirá como Suas joias em breve. E assim será com esses anciãos. Por que eles ainda não obtiveram a promessa? Porque deveríamos entrar primeiro nos ricos ornamentos desta dispensação do evangelho, ou tudo o que eles tinham em sua pobre dispensação nunca teria sido de proveito para eles.
Encontramos a palavra “melhor” constantemente ocorrendo nesta epístola. “Um melhor testamento” (ARA) – “um melhor concerto” – “alguma coisa melhor a nosso respeito” – “que fala melhor do que a [aliança] de Abel”. E também encontramos a palavra “perfeito” em uso constante, porque agora tudo está aperfeiçoado. Todas as coisas que dão repouso a Deus são aperfeiçoadas, como já dissemos, e Deus não está procurando nenhuma satisfação além da qual Cristo Lhe dá. Ele tem Sua demanda atendida – Sua glória vindicada – Seu caráter revelado – e tudo em Cristo.
Agora, o que é essa “coisa melhor” no último versículo? Se não tivéssemos introduzido nosso Cristo, por assim dizer, nada teria sido feito. Deus, tendo introduzido Cristo nesta dispensação, todos os santos antigos que dependiam dela são aperfeiçoados. Pois, à luz disso, olhamos para esta epístola (como faremos agora breve e rapidamente) como um tratado sobre a perfeição. Assim, em Hebreus 2, lemos que convinha à glória de Deus nos dar um Salvador perfeito; não apenas minha necessidade, mas a glória de Deus exigiu isso – “Porque convinha que Aquele” – em consideração à Sua própria glória. Convinha a Ele dar ao pecador um Autor para iniciar a salvação e um Consumador para encerrá-la. A diferença entre um Autor e um Consumador é a mesma diferença entre Moisés e Josué. Moisés foi o autor da salvação quando resgatou os pobres cativos no Egito; Josué foi o consumador da salvação quando os carregou por meio do Jordão até a terra prometida. Cristo é Aquele que nos carrega por meio do Mar Vermelho assim como do Jordão – Aquele que fez a obra de iniciativa de Moisés e a obra consumadora de Josué.
Então, em Hebreus 5, lemos: “tendo sido aperfeiçoado, tornou-Se o Autor da salvação eterna” (ARA). Não a perfeição moral – todos sabemos que Ele era moralmente imaculado – mas a perfeição como “o Autor da salvação”. Ele nunca teria sido aperfeiçoado assim se não tivesse ido à morte, mas como convinha a Deus nos dar um Salvador perfeito, também convinha a Cristo fazer-Se a Si mesmo um Salvador perfeito. Então, em Hebreus 6: “Prossigamos até a perfeição [avancemos para aquilo que pertence ao crescimento completo – JND]”, diz o apóstolo, isto é, “vamos aprender nossa lição sobre este assunto”. Alguns leem isso como se fossem continuar até que não tenham mais pecado em si mesmos. Isso não tem nada a ver com o que esta sendo dito. É como se o apóstolo dissesse: “Vou ler um tratado sobre perfeição, e vocês devem vir e aprender sobre ele comigo”.
Então ele continua com o assunto, e em Hebreus 7 Ele diz, você não pode encontrar essa perfeição na lei – “pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou”. Você precisa procurar em outro lugar. Pela lei aqui não se entende os dez mandamentos, mas as ordenanças levíticas. No meio desses rudimentos fracos, você deve procurar a perfeição em outro lugar. Hebreus 9 mostra, então, que ela está em Cristo, e diz que no momento em que a fé toca o sangue, a consciência é purificada, e Hebreus 10 diz que no momento em que Cristo o toca, você é aperfeiçoado para sempre. Não em relação à pureza moral na carne – não existe tal coisa aqui.
No momento em que Cristo toca o apostolado, Ele o aperfeiçoa. No momento em que Ele toca o sacerdócio, Ele o aperfeiçoa. No momento em que Cristo toca o altar, Ele o aperfeiçoa. No momento em que Ele toca o trono, Ele o aperfeiçoa. E se Ele aperfeiçoa essas coisas, Ele aperfeiçoará você, pobre pecador, quanto à sua consciência. Portanto, esta epístola é, sob uma grande luz, um tratado sobre a perfeição. Deus lhe deu um Salvador perfeito – Cristo Se fez a Si mesmo um Salvador perfeito. Vamos adiante para a perfeição. Se eu a buscar na lei, estou num mundo de sombras. Quando vou a Cristo, estou no meio da perfeição. “E lá estou eu, pobre verme”, como diz Gambold.
Portanto, aqueles santos da antiguidade não poderiam obter a herança até que nós chegássemos carregados com todas as glórias desta dispensação. Mas então, eles poderão compartilhar a herança conosco, quando se completar o tempo.
Que glórias brilham nesta epístola! Que glórias enchem os céus, porque Cristo está lá! Que glórias se ligam a nós porque Cristo nos tocou! Não é glória ter uma consciência purificada – entrar no Santo dos Santos com ousadia – para dizer a Satanás: “Quem é você, para apontar o dedo para o tesouro de Deus?” Nos arrastamos e engatinhamos quando deveríamos estar entrando no meio dessas glórias e encorajando nosso coração.
