Origem: Livro: Os Evangelistas

João 1 – 4

João 1:1-18

Eu leio esses versículos como uma espécie de prefácio, servindo para introduzir este Evangelho em seu devido caráter como o Evangelho do Filho de Deus – o Filho do Pai; e o testemunho do Batista é aqui sumariamente anexado a este prefácio como servindo ao mesmo propósito.

E aqui observo que o lugar que nosso bendito Senhor imediatamente toma, em Sua Aparição na Terra, é aquele que já observei pertencer a Ele como o Filho de Deus, e à Igreja com Ele; isto é, o lugar de um Estrangeiro. Ele é aqui mostrado a nós imediatamente neste caráter. Ele é como luz no meio das trevas; o Criador do mundo, e ainda não conhecido do mundo; vindo para os Seus, e ainda não recebido pelos Seus; feito carne, e ainda apenas “tabernaculando” por um tempo entre nós. Tudo isso mostra que Ele é o Estrangeiro aqui; é assim que este Evangelho O apresenta. E, consequentemente, no início, ele assume que Sua questão com o mundo, e com Seu povo terrenal Israel, estavam ambas determinadas (vs. 11-12). O Espírito de Deus em nosso evangelista imediatamente encerra o mundo sob a condenação de estar “sem Deus”, e conclui Israel na incredulidade; e, com base nisso, traz à tona uma família eleita, não registrada na Terra, ou nascida da carne, mas nascida de Deus, para quem “graça e verdade”, a plenitude do Pai no Filho, foram agora providas.

O Livro de Gênesis abre com a criação; mas o Evangelho de João abre com Aquele que era antes da criação e acima da criação. É a Ele que somos imediatamente levados. A criação é passada adiante, e chegamos ao “Verbo”, que estava com Deus, e que era Deus.

Esta é o início do nosso Evangelho, definindo-o como o Evangelho do Filho de Deus, o Criador de todas as coisas, o Revelador do Pai, a Fonte e o Canal da graça e da verdade para os pecadores. E, de acordo com isso, a glória que João nos diz ter contemplado é aquela “do Unigênito do Pai”, isto é, uma glória pessoal; enquanto a glória que os outros evangelistas registram como tendo sido contemplada, era a glória no monte santo; isto é, uma glória meramente oficial. E isso novamente caracteriza distintamente o objetivo e a direção deste Evangelho.

Muito abençoados, assim como muito elevados e divinos, são os pensamentos sugeridos por esses versos introdutórios. Eles nos dizem, além do que observei acima, que a Luz, a Luz vivente, resplandecia nas trevas antes que o Verbo Se fizesse carne e habitasse entre nós; sim, antes que Seu precursor, o Batista, fosse enviado por Deus. Assim como na velha criação, a luz foi o primeiro elemento sob o poder formador de Deus. Ela era antes do Sol. O Sol foi a criatura do quarto dia, mas a luz era a principal criatura do primeiro. Os três primeiros dias, portanto, caminharam na luz da própria luz, sem a presença daquilo que depois governaria o dia. E assim tem sido, como esses versículos nos dizem, na história da Luz vivente. Cristo foi o mais antigo pensamento de Deus que surgiu sobre as trevas morais e o caos do homem apóstata. Na promessa, “Ele esmagará a tua cabeça” (JND), a Luz vivente irrompeu! Dias ou dispensações se sucederam. Os três primeiros dias novamente, por assim dizer, seguiram seu curso. As eras dos patriarcas e de Moisés se findaram. Mas a luz da vida havia se espalhado, embora o Verbo ainda não tivesse Se tornado carne. A luz brilhou antes que o Sol fosse colocado nos céus. E este é um pensamento feliz. O Cristo de Deus foi a mais antiga revelação que surgiu sobre as ruínas e trevas de Adão; e embora por uma temporada aquele depositário divino de toda a Luz, aquela grande fonte de todos os raios vivificantes, permanecesse não manifestado, ainda assim refulgências dignas d’Ele, e que pertenciam a Ele, surgiram para animar e guiar eras precedentes, o primeiro, o segundo e o terceiro dia.

Mas o calor, assim como a luz, são nossos, eu poderia dizer. Pois esta mesma Escritura maravilhosa nos diz que o “seio do Pai” nos foi revelado. “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este O revelou”. Não há nada parecido. O amor profundo, indizível e insondável que habita naquele seio é o amor que nos visitou, no calor do qual temos sido tratados. E quão insuperável a todo conhecimento é um pensamento como esse! Bem podemos pedir para sermos fortalecidos com poder pelo Espírito para compreendê-lo (Ef 3:16-19). É o céu do coração ficar tranquilo e silencioso, e em fé simples deixar tal revelação contar sua história para nós.

Compartilhar
Rolar para cima