Origem: Livro: Os Evangelistas
João 1:29-42
Aqui, no entanto, a ação se abre completamente. E isso ocorre com o testemunho direto do Batista sobre Jesus, após a manifestação d’Ele como Filho de Deus. Mas tendo dado testemunho d’Ele, o Batista aparece como alguém que conscientemente havia cumprido seu curso. No versículo 35, ele é como alguém que se retirou de seu ministério e estava simplesmente desfrutando daquilo em que tudo resultou – a manifestação do Cordeiro de Deus. Ele é ouvido proferindo a satisfação oculta de sua alma quando disse: “Eis o Cordeiro de Deus”! Pois ele não parece ter dirigido essas palavras aos seus discípulos; mas eles, ouvindo-o assim, em santa e feliz contemplação de Jesus, seguem Jesus. E, amados, é isso que recebe a mesma honra agora. Nosso poder de atrair outros para o Senhor repousa principalmente em nosso próprio gozo e comunhão com Ele. João tinha renunciado a si mesmo e estava absorvido em pensamentos sobre o Cordeiro de Deus; e seus discípulos parecem capturar sua mente, pois o deixam e seguem Jesus.
Este era um verdadeiro ministério, ministério em poder sobre as afeições daqueles que ouviram. Como o apóstolo fala em 1 Tessalonicenses 1:5-6.
Mas por onde, pergunto, os discípulos de João seguem Jesus? Não nos é dito. Em toda a graça o Senhor os encorajou a seguir, e eles vieram e viram onde Ele habitava, e permaneceram com Ele naquele dia; mas por onde foi isso, não sabemos. Eles O seguiram por algum caminho desconhecido, e estiveram com Ele: mas isso é tudo o que aprendemos. Pois o Filho de Deus era apenas um Estrangeiro na Terra; e eles, se estiveram com Ele, deveriam ser estrangeiros também, sem lugar ou nome aqui. E assim é aqui indicado. Esta pequena colheita era para o Filho de Deus, e para o Cordeiro de Deus; mas não era aqui – em princípio, o lugar não pertencia à Terra, pois esta era a primeira mão cheia de trigo para o celeiro celestial, as primícias da família celestial para Deus e o Cordeiro.
O Batista fala de Jesus como sendo realmente antes dele, embora vindo depois dele; e ele repete isso como com um tanto de zelo (vs. 15, 27, 30). E Paulo, referindo-se ao ministério de João, fala dessa característica dele (Atos 19:4). Mas isso é muito abençoado; pois nisso o Espírito Santo, que falou por João, honra Jesus como o grande Objeto de todos os conselhos divinos, a grande Ordenança de Deus, para Quem todas as outras ordenanças apontavam. E, portanto, embora Ele tenha vindo depois deles, Ele era antes deles; e João, como se falasse a mente de todas as ordenanças e ministérios, diz: “O que vem após Mim é antes de Mim, porque foi primeiro do que Eu”. Pois foi somente o Filho que foi estabelecido desde a eternidade (Pv 8:23 – ARA), o Grande principal Objeto de todos os conselhos divinos; e todo profeta e ordenança eram apenas Seus servos, para um testemunho para Ele.
E novamente observo que João e o Senhor não tinham conhecimento um do Outro até que Jesus surge em ministério. João tinha sido criado na Judeia; nosso Senhor na Galileia. Mas quando o Senhor Se aproximou de João para ser batizado, João imediatamente O reconheceu – reconheceu-O sem nenhuma apresentação. Parece ter havido em sua alma alguma consciência de que este era Ele (Mt 3:14). Na verdade, ele já O havia reconhecido antes mesmo de Ele nascer (Lc 1:44). O mundo não O conhecia, mas João O conhece, e assim condena o mundo. Mas ele não O conhece a ponto de dar testemunho d’Ele como o Filho de Deus, até que o Espírito desça e permaneça sobre Ele – pois isso, como João foi admoestado, seria Sua atestação divina.
E mais – devo observar que este Evangelho, em plena consistência com seu caráter geral, nos dá, nestes versículos, o que posso chamar de chamado pessoal de André e Pedro – enquanto Mateus, sem observar isso, nos dá seu chamado oficial. Mas isso está em bela ordem com a mente do Espírito nos dois evangelistas; com tal gratidão e deleite deveríamos notar a perfeição dos testemunhos divinos (Mt 4:18-20).
