Origem: Livro: Os Patriarcas
Conhecimento da fé
Mas agora estamos chegando ao fim dos tempos de José. No entanto, antes de testemunharmos a sua morte, temos (oportuno para notarmos isto neste nosso dia agitado) um excelente exemplo de familiaridade da fé com o curso da história do mundo.
Não falo do conhecimento de um profeta sobre o que está para acontecer entre as nações, como Daniel tinha, quando contou sobre o surgimento de uma besta após outra, e da grande imagem desde sua cabeça de ouro até os dedos dos pés, de ferro e barro. Tal conhecimento veio pelo Espírito, o Senhor enchendo o coração de Daniel, e de outros como ele, com Sua própria luz. Falo apenas do conhecimento da fé sobre o curso das coisas que a história das nações deve seguir.
José diz a seus irmãos: “Eu morro, mas Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó”.
Os filhos de Israel estavam naquela época muito felizes na terra do Egito. Eles estavam no pleno favor do rei; eles possuíam a porção mais rica da terra e tinham um deles como a segunda pessoa do reino. Nem um único sintoma de perigo ou de mudança apareceu em todas as suas condições. E o próprio José estava tão feliz quanto as circunstâncias o podiam deixar. “E viu José os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José”.
Mas no meio de tudo isso, José fala de Deus visitando-os; palavras que indicam que dias de tristeza estão próximos, dias em que Deus seria então seu único Amigo e Ajudador.
Estranho era isso, muito estranho! Quem poderia acreditar? José estava sonhando? Estadistas e políticos poderiam ter dito. Mas não; José não estava sonhando. A Palavra de Deus era sua sabedoria. O oráculo divino em Gênesis 15 havia previsto que o Egito afligiria Israel, mas que Deus os favoreceria com eles e os traria de volta para Canaã – e essa Palavra de Deus era tudo para José, era tudo para a fé – as aparências não eram nada. O oráculo havia falado isso. José creu e lembrou-se disso. E assim, pela fé, José viu a aflição de Israel no dia da mais brilhante promessa e prosperidade de Israel – ele viu a inimizade do Egito neste dia de amizade do Egito – ele viu olarias e maiorais de tributos nos formosos campos e na colheita ensolarada de Gósen. Assim como Noé, pela mesma fé, certa vez viu um mundo inundado durante 120 anos de sucessivas épocas de semeadura e colheita, segas e colheitas de verão, épocas de compra e venda, plantio e construção.
Este foi o conhecimento da fé a respeito do curso futuro das coisas. E fé, nos nossos dias, é ser como um político e saber algo sobre o curso das coisas à luz da Palavra de Deus, apesar de todas as aparências. E este é o único ato na vida de José que é registrado como de fé em Hebreus 11. É desta forma notavelmente que ele se destaca em meio a tantos atos de fé e piedade, e de tal forma de caminhada com Deus, como vimos nele. Mas valeu a pena ser tão sinalizado. Foi um grande testemunho de que José vivia pela Palavra de Deus, em meio às atrações e ocupações do mundo, e com uma mente superior a todas as aparências presentes. Abraão foi instruído, por visões e audiências divinas, sobre esta história vindoura de Israel no Egito; José usou apenas o que Abraão havia recebido. Não temos visitas do Senhor a José, como temos a Abraão. José, se você preferir, não estava na altura de Abraão. Mas temos nele o que é moralmente mais importante, a luz e a certeza de uma mente crente, as apreensões e decisões de fé. Ele se lembrou do que Abraão tinha ouvido e agiu de acordo com o que lembrou. O que lhe faltava em elevação pessoal, como oráculo de Deus, ele tinha, em poder moral, como crente em Deus. E se eu precisar escolher entre eles, prefiro crer a ser inspirado. E José creu quando, como lemos, “fez menção da saída dos filhos de Israel e deu ordem acerca de seus ossos” (Hb 11:22). Este era o conhecimento político da fé, por assim dizer – o conhecimento da fé com as coisas que estavam acontecendo na Terra. E foi isso que tornou Noé ou José mais sábio do que todos os senadores dos reinos. Sabemos bem como as palavras de José foram vindicadas e como as inesperadas olarias contaminaram as boas terras de Gósen e como os maiorais de tributos levaram Israel ao seu trabalho. Assim como antes, nos dias de Noé, as águas cobriam os topos das montanhas, e um navio, aparentemente com toda a loucura construído para terra firme, logo se tornou a única arca de segurança num mundo inundado.
