Origem: Livro: Associação com o Mal Contamina?
Lepra
Nossa próxima lição será de Levítico 13 e 14. As instruções relativas a esta doença repugnante são mais longas e minuciosas do que aquelas relativas ao fermento. Jeová tinha libertado Seu povo do Egito. Eles estão agora no deserto e Ele habita no meio deles. “Sede santos, porque Eu Sou santo” (1 Pe 1:16) são Suas palavras para toda a assembleia. Todos deveriam ouvi-las; não havia desculpa para ninguém depois que as palavras do Senhor fossem lidas.
Agora, esses exemplos de surgimento da lepra, seja em uma pessoa, em uma veste ou em uma casa, estão todos escritos “para nosso ensino” (Rm 15:4). “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10:11).
Lepra numa pessoa (Lv 13:1-46)
Quando esse mal terrível aparecia numa pessoa, era necessário muito cuidado para que não houvesse pressa indevida, por um lado, nem negligência, por outro, permitindo assim que a doença se espalhasse e contaminasse outras pessoas. Se houvesse marcas exteriores em uma pessoa que causasse a menor suspeita de lepra, essa pessoa era levada ao sacerdote, e se houvesse alguma dúvida após o sacerdote tê-la examinado, ela era encarcerada por sete dias (Lv 13:1-4). Isso servia a um duplo propósito. Primeiro, cuidado, para que caso a praga não fosse a lepra, o homem não fosse levado para um lugar que o Senhor não tinha designado para ele – fora do arraial. A seguir, caso ele tivesse lepra, ou, mesmo enquanto houvesse dúvida, e fosse deixado livre para ir aonde quisesse e contaminar outros, a palavra de Deus era que ele deveria ser “encerrado… sete dias”. Ao final dos sete dias, o sacerdote examinava a pessoa novamente e, se ainda houvesse dúvida, o homem era encerrado por mais sete dias (Lv 13:5-8). Com que cuidado o Senhor os instrui – cuidado com Sua própria glória e com o bem de Seu povo. Ora acreditamos que há uma lição especial nisso para nós. Se houver suspeita entre aqueles reunidos ao nome do Senhor de que o mal se manifesta em um crente, deveria haver esta investigação sacerdotal e cuidado para que não sejamos demasiado precipitados ou negligentes na questão. Se parece que existe um pecado grave que justificaria disciplina, como em 1 Coríntios 5, porém o caso não está totalmente comprovado, acreditamos que o princípio cuidadoso que nos foi dado pelo Senhor, no caso o homem em quem havia suposta lepra, nos dá uma orientação. O homem fica encerrado por sete dias – negada a liberdade de comunhão pública e Cristã até que esteja livre de qualquer suspeita. Ele não é “tirado” como em 1 Coríntios. 5, mas simplesmente “encerrado” (isolado, fechado). Acreditamos que cada assembleia Cristã deve procurar agir de acordo com este princípio na graça de Cristo e cuidado da santidade da Casa de Deus.
Mas quando o sacerdote detecta a lepra, o homem é declarado imundo – não mais um suposto leproso, como no primeiro caso, mas um leproso declarado. Levítico 13:44-46 nos mostram que o homem agora é colocado fora do arraial – correspondendo à disciplina de 1 Coríntios 5:13: “tirai, pois, dentre vós a esse iníquo”.
Havia dois lugares em particular onde a lepra poderia aparecer: na carne e na cabeça ou na barba. O primeiro corresponde ao mal moral nos caminhos da pessoa, como em 1 Coríntios 5, e o segundo – lepra na cabeça ou na barba – ao mal doutrinal, como em 2 João 9-11 e 2 Pedro 2:1-3, falso ensino, “heresias de perdição [destruidoras – ARA]“. Em ambos os casos, o único caminho é a remoção quando o mal fosse provado. Tal é o ensino da santa Palavra de Deus.
Lepra nas vestes
2. Agora, quanto à lepra numa veste, o mesmo cuidado minucioso é manifestado em Levítico 13:47-59. Isso pode corresponder ao caráter, às circunstâncias ou aos hábitos de um homem. A lepra não deveria ser tolerada de nenhuma forma entre aqueles com quem Deus habitava. As próprias vestes deveriam ser queimadas com fogo se houvesse lepra nelas. O justo julgamento e o desagrado de Deus repousam sobre o mal, onde quer que ele seja encontrado. Que possamos aprender esta lição mais plenamente e procurar tomar o lado de Deus contra a lepra, não importa onde ou em quem ela possa ser encontrada.
Lepra numa casa
3. Passaremos agora para Levítico 14 para aprender o que Deus ensina sobre associação com o mal. Levítico 14:33-57 nos dá lepra numa casa. Não temos dúvidas que a casa, apresenta-nos “a casa de Deus” – a assembleia do povo de Deus, onde Deus habita (1 Timóteo 3:15). Portanto, isso se refere mais à nossa comunhão corporativa. Em Levítico 13, temos lepra num indivíduo; em Levítico. 14, temos lepra entre um grupo de Cristãos – a casa. Assim, a partir desses versículos aprendemos, em figura, de forma mais completa o que o Novo Testamento ensina sobre casos de mal numa assembleia que precisa ser resolvido. Os princípios de santidade e justiça de Deus são sempre os mesmos, seja no Velho Testamento ou no Novo: “A santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre” (Sl 93:5).
Vejamos, então, o que é ensinado sobre a lepra numa casa. Primeiro, “Quando… eu enviar [puser – TB] a praga da lepra a alguma casa” (Lv 14:34). Isto nunca é afirmado a respeito da lepra numa pessoa, ou numa veste, mas apenas da lepra numa casa. Será que isso não ilustra, de maneira especial, a fidelidade do Senhor para com aqueles entre os quais Ele habita? Se o mal existir, o fiel Senhor, pelo próprio fato de Sua presença entre eles, colocará a praga ali – manifestando àqueles que têm olhos para ver, que há algo seriamente errado e que requer investigação. Em segundo lugar, segue-se o exame sacerdotal. A casa deveria ser esvaziada onde houvesse suposta lepra, e isso também por uma dupla razão – no caso de haver lepra, para que “tudo o que está na casa não seja contaminado” (Lv 14:36), e para que deixar todas as partes da casa expostas para o exame sacerdotal. Nada deveria ser coberto, mas tudo exposto aos seus olhos. Se, após o exame, ainda houvesse dúvida, a casa deveria ser fechada por sete dias, assim como no caso do indivíduo. Esta é a maneira pela qual todos os israelitas verdadeiros e obedientes deveriam tratar uma casa onde supostamente havia lepra. Sim, tão rigoroso era o Deus de Israel que Lv 14:46 declara: “E o que entrar naquela casa, em qualquer dia em que estiver fechada, será imundo até à tarde”. Um homem pode entrar nela por descuido, e outro por vontade própria e espírito de independência – para desafiar os outros. Em ambos os casos, Deus declara o homem imundo, e isso quando a casa ainda estava apenas “fechada”.
Quais são então as lições para nós nisso? Há algumas? Certamente existem, e se a casa representa uma assembleia de Cristãos, então estamos munidos de princípios santos para nos guiar no exercício do cuidado santo entre uma reunião do povo de Deus. Além disso, estabelece a verdade de que associação com o mal contamina.
Se o mal moral surge numa assembleia, ou uma “heresias de perdição [destruidoras – ARA]”, deve-se permitir que isso continue enquanto a assembleia não sente nenhum cuidado ou responsabilidade a esse respeito? Não precisamos responder a esta pergunta para aqueles que conhecem sua Bíblia. A assembleia deve agir de acordo com o ensino claro de 1 Coríntios 5 para que se purifique da questão. Se houver descuido quanto a isso, a assembleia deve ser tratada, assim como acontecia com a casa quando se suspeitava de lepra – “cerrará a casa [fechá-la-á – ACF]“. Durante esse tempo, todo coração corretamente ensinado por Deus, e correto diante d’Ele, cuidadosamente se absteria de associar-se àquela assembleia. Se não, Levítico 14:46 é claro quanto a eles: “será imundo”. Isso significa que ele também é leproso? De forma alguma, mas associação com aqueles que se supõe serem leprosos tornava o homem imundo. Quão maravilhosa é a santidade do Deus de Israel – do nosso Deus. “Quem é semelhante a Ti, glorioso em santidade?” (Êx 15:11 – TB). Repetidas vezes o povo de Deus teve que agir de acordo com esta Escritura, onde as assembleias aparentemente estavam tolerando o mal. Elas foram “cerradas”, e embora em alguns casos isso tenha levado ao julgamento próprio, noutros manifestou o estado da assembleia como sendo tão baixo que poderia abertamente tomar partido do malfeitor e recusar-se a excluí-lo. Levítico 14:39-40 nos ensinam mais sobre isso. Quando os sete dias haviam transcorrido e o sacerdote examinava novamente a casa (mostrando que não havia pressa indevida), e foi manifesto que havia lepra em uma ou mais pedras, então as pedras eram retiradas e lançadas ”fora da cidade num lugar imundo”. Foi assim que a assembleia de Corinto agiu depois de receber a carta apostólica – eles se purificaram tirando do seu meio aquele homem “iníquo” (1 Coríntios 5; 2 Coríntios 7).
Em ambos os casos, tratava-se de uma obra séria – séria para o dono da casa em Levítico 14, e séria para toda a assembleia em Corinto. Mas eles estavam seguindo as instruções do Senhor, que são tão necessárias para manter a santidade e a disciplina em Sua casa, assim como a bendita obra de proclamar as boas novas da salvação é necessária para os pecadores perdidos; é somente por meio da obediência à Palavra de Deus que uma assembleia é capacitada, aqui na Terra, a manifestar o carácter da Sua santidade ao expulsar o mal do seu meio.
Agora prossegue uma obra adicional: “o sacerdote… fará raspar a casa” (Lv 14:41). Cada pedra deve ser raspada após a remoção de qualquer pedra leprosa. Que exame de coração deve seguir cada caso de disciplina que exija excomunhão. Cada coração deve se curvar diante de Deus enquanto há uma pergunta individual: “Estou cometendo algum pecado que desagrada ao Senhor?” Assim, os erros são descobertos, a confissão é feita a Deus e os pecados – em todas as formas – são julgados desde sua raiz. Com que sucesso isso foi realizado em Corinto. Depois de tirar o mal, houve realmente uma raspagem na casa: “Porque quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados!… que indignação… que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio” (2 Co 7:11). Quem dera que esse resultado pudesse sempre seguir tais casos de disciplina. Prepararia o povo de Deus para o serviço futuro e para um novo trabalho, embora seja uma forma dolorosa de aprender as nossas lições que podem ser aprendidas em comunhão, se caminharmos com cuidado e oração. Levítico 14 também nos dá luz como uma nova obra. “Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras pedras; e outro barro se tomará, e a casa se rebocará” (Lv 14:42).
Em todos esses exercícios, as almas devem obter uma apreensão mais profunda da graça, o que levará ao reavivamento do coração, a mais cuidado quanto à piedade de vida e a energia e poder renovados para tornar conhecido o evangelho; não meditando sobre os problemas do passado, mas recebendo-os das mãos de Deus e saindo entre os não convertidos e trazendo material novo. Será que o Senhor muitas vezes não permite que tais exercícios nos ensinem quão pouco nossas empatias têm ido nessa direção? Acreditamos que tempo tem sido perdido e que uma nova tristeza foi trazida entre nós pela tentativa de recuperar material antigo em que a lepra não tenha sido totalmente julgada. Nossa empatia nunca deve nos guiar nessas coisas, mas a mente de Deus deve ser apreendida e Sua Palavra seguida. Oh, que a importância deste princípio, “tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras pedras”, fosse impressa mais plenamente no coração de cada um de nós todos!
Agora temos mais um ponto relacionado com a lepra numa casa: “Porém, se a praga tornar e brotar na casa… se derribará a casa, as suas pedras e a sua madeira, como também todo o barro da casa; e se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo” (Lv 14:43-45). Esta foi a palavra do Senhor nos casos em que a lepra continuou ou reapareceu. A casa inteira era afastada, demolida e colocada em um lugar imundo (o mesmo que quando era o caso de uma pedra, só que aqui se trata de afastar uma casa inteira), representando o afastamento de uma assembleia contaminada.
Certamente ninguém deveria duvidar da sua aplicação. Se a casa representa uma assembleia onde o mal surge (seja moral, como em 1 Coríntios 5, ou doutrinal, como em 2 João), e a assembleia falha em se purificar afastando o mal, a graça pode esperar sete dias, como em o primeiro caso, e durante a quarentena ninguém deveria entrar (Levítico 14:38). Mas neste caso de reaparecimento da lepra, a casa é inteiramente afastada pelo Senhor e colocada num lugar imundo de acordo com Suas instruções. Assim, quando uma assembleia de professos Cristãos tolera tal mal, é dever daqueles que seguem a Palavra de Deus e que se preocupam com a honra de Cristo, recusarem-se a reconhecer tal reunião, mas dar-lhe o lugar que Deus lhe dá quando Ele diz que é imunda.
Até agora, todos podem concordar. “Mas”, diz alguém, “embora reconheçamos plenamente que pode haver lepra na casa, e a casa estar imunda, não vejo que isso afetaria qualquer pessoa que simplesmente entrasse e saísse dela”. Mas o Senhor disse bem o contrário: “E o que entrar naquela casa… será imundo” (Lv 14:46). Não diz que se ele entrasse seria leproso, mas “será imundo“ – provando assim que qualquer ligação com contaminação tornava uma pessoa imunda.
Lepra na cabeça
Agora, se lermos 2 João 9-11, veremos que os princípios de Deus permanecem sempre os mesmos. 2 João 9 nos apresenta um homem não sadio quanto à doutrina de Cristo. Isso é lepra na cabeça. Agora, como devemos tratá-lo? Para ser verdadeiro a Cristo e ser fiel a tal pessoa (pois ela pode ser enganada), 2 João 10 nos ensina: “não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis”. Isto vai muito além da comunhão eclesiástica e inclui até mesmo a esfera social. Por que, perguntamos, Deus é tão cuidadoso? Porque Ele é o mesmo que fala em Levítico 13-14, e para ser verdadeiro a Si mesmo e a nós, Ele não pode diminuir Seu padrão de santidade para Se adequar aos deficientes pensamentos do homem sobre o quão abrangente é a contaminação. Por isso lemos: “Porque quem o saúda (o mestre contaminado) tem parte nas suas más obras” (2 Jo 11). Poderia haver algo mais claro? O apóstolo não diz que se alguém o receber, ele também será um falso mestre e não sadio, assim como o homem que entrou em uma casa leprosa não se tornou leproso por esse ato, mas Deus disse que ele estava imundo. Assim, Deus também diz que, ao receber um falso mestre, a pessoa “participa de suas más obras” (TB) – colocada no mesmo grupo de pessoas por ser descuidado com uma questão grave como essa que deveria despertar todo Cristão. E se existir esse espírito descuidado, aqueles que honram a Cristo teriam que tratá-los da mesma forma com que o mestre é tratado; a assembleia que os mantivesse seria, como uma casa leprosa, afastada, e nenhuma outra comunhão com ela seria permitida. Teremos essa atitude se a honra de Cristo for guardada e se for feito um esforço para impedir a propagação da contaminação entre o povo de Deus. Quão simples e clara é a Palavra se estivermos dispostos a ser guiados por ela!
