Origem: Livro: Um Pouco de Fermento
Assembleias remanescentes
Este artigo faz referência a estas, que podem ser chamadas de assembleias remanescentes, em vez de outras assembleias denominacionais, que praticamente (se não em palavras) permitem que o corpo de Cristo possa ser dividido. Eu tomo então princípios bíblicos (cujo abandono e desvio de tais princípios trouxeram o arruinado estado de coisas que vemos ao nosso redor) não com o objetivo de restaurar a ruína (o que seria ignorá-la) ou estabelecer qualquer coisa corporativamente, mas de mostrar aonde a fidelidade dos indivíduos deve levar, se nos voltarmos à Escritura.
Alguns exemplos e ilustrações podem servir para tornar mais claro este importante assunto. Com este objetivo, o diagrama a seguir é apresentado para representar a intercomunhão que existia quando os santos estavam reunidos como membros de Cristo, que é a Cabeça do corpo, a Igreja, e estavam “procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.
Aquilo que sustenta e representa a Cabeça não pode permitir fermento algum. Os membros de Cristo devem ser semelhantes a Cristo; Corinto deve, portanto, “lançar fora” (ARA) o fermento, para que seja uma massa sem fermento. O mal deve, portanto, ser colocado fora[1]; e se for colocado fora de Corinto, precisa estar fora de todas as outras assembleias – na verdade, fora de todos os que, reunindo-se como membros de Cristo, deveriam expressar o que Cristo é. A Primeira Epístola aos Coríntios foi escrita para ordenar isso, e a Segunda mostra que a ordem foi obedecida (1 Co 5; 2 Co 2:6-10). O que o Senhor tinha contra Pérgamo e Tiatira era que elas não obedeceram (Ap 2:14-15, 20), portanto foram ameaçadas de julgamento, mas ainda restava para aquele (o indivíduo agora) que tinha ouvidos para ouvir, vencer, e se a assembleia deixasse de obedecer, a Palavra de Cristo não perderia sua autoridade sobre os indivíduos. Neste caso 2 Timóteo 2:19-22 surge como a direção; e em 2 João 10 até uma mulher pode cumprir; e certamente a casa e a mesa do Senhor são mais importantes do que a nossa própria casa e mesa.
[1] Ao lidar com o mal, a primeira coisa a ser procurada, evidentemente, é a restauração. Este artigo não pretende tratar disso. O caráter do mal em Corinto era tal que a disciplina necessária era colocar o “ímpio” fora da assembleia (1 Co 5:11). Um mestre de doutrina maligna seria ainda pior, pois certamente seria pior ensinar que a embriaguez está correta do que ser um bêbado (veja também Gl 1:8-9; 5:12; Ap 2:14, 20; 2 Jo 10; 2 Pe 2; Jd; 1 Tm 1:20). A prática do mal é bastante ruim, mas a doutrina do mal faz de Deus o autor do mal, o que é pior. Certo mal teria que ser tratado dentro da assembleia, sem colocar a pessoa para fora – 2 Tessalonicenses 3:14, etc., mostra isso. Também a ignorância e a fraqueza na fé não devem ser tratadas como o mal positivo deve ser; elas devem ser suportadas e instruções devem ser transmitidas. Se alguém disser que o fermento numa assembleia, quando não recebido individualmente, não leveda toda a assembleia, então que explique o que o apóstolo quer dizer com “para que sejais uma nova massa”. Eram todos em Corinto “ímpios”? ↑
O diagrama (B) representa, portanto, uma comunhão que existe somente depois de o fermento ter sido expurgado, e que é aquela única que representa a Cabeça (Cristo) e Seu caráter e autoridade, e não negou Seu nome (o Santo – Ap 3:7-8).
Todos estes comem o um só pão, confessando assim que Cristo tem um só corpo. Todos eles se reúnem em Seu nome, nenhum outro, e esse nome é santo. Eles não permitem que o corpo de Cristo possa ser dividido (1 Co 12). Eles não podem tomar o seu lugar em qualquer terreno que não seja o da unidade (não de uma igreja, nem de qualquer doutrina particular, mas) do corpo, e sustentam que esta unidade é em santidade, sendo este caráter dado a ela pela Cabeça. Apenas isso é a verdadeira unidade, e aquilo que o Espírito formou e reconhece; portanto, eles se esforçam [ou usam diligência – JND] para manter a unidade do Espírito (Ef 4:3). Eles procuram juntos, em amor, purificar-se dos vasos de desonra (2 Tm 2:21), seguindo “a justiça… com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (v. 22).
Nesses dias eles reconhecem que a Igreja, como vista na Terra (“a coluna e firmeza [base – JND] da verdade”) está em ruínas, mas que “o fundamento de Deus permanece firme”. Eles foram encomendados pelo apóstolo, que predisse a ruína, “a Deus e à Palavra da Sua graça” (At 20:28-35). Eles sabem que essas duas coisas permanecem para eles, embora todo o resto falhe. Eles reconhecem que o Espírito Santo está aqui, habitando na Igreja, e podem contar com Sua presença e poder, enquanto reconhecem o único Cabeça. Eles podem tomar a “Palavra da graça de Deus” como guia e suficiência. Eles recebem “uns aos outros” para a glória de Deus, de acordo com 1 Coríntios 5; 2 João 10; 2 Timóteo 2:19-22; mas de nenhuma outra maneira.
Os dois tipos de expressão da unidade do corpo de Cristo, dos quais apenas um é quanto à santidade.
(C) e (D) representam, portanto, duas formas opostas de expressar a comunhão onde a unidade do corpo é professamente reconhecida. (C) onde o mal manifestado foi eliminado. (D) onde esta ação foi recusada. É claro que não importa em qual das assembleias locais o fermento é permitido, pois se for permitido em uma, será permitido em todas as que se mantêm em comunhão com aquela, comendo o mesmo pão com ela, e com ela professa reconhecer e confessar o único corpo. Também está claro que não importa em que parte da “massa” o fermento esteja introduzido (1 Co 12:12), mas se ele está na “massa” como um todo. Existe um corpo, não muitos corpos. Um membro do corpo de Cristo em Éfeso é um membro do corpo de Cristo em Corinto. A distância local não divide o corpo de Cristo. Se fosse possível que todos os seus membros na Terra se reunissem num só lugar (sem um homem como cabeça; o único Cabeça está no céu), essa reunião seria a expressão do que é a Igreja – o corpo. Todos participam de um só pão, não de muitos pães; e reconhecem uma Cabeça, não muitas cabeças. Eles são todos membros de Cristo e “membros uns dos outros” (Ef 4:25), e não de nenhuma assembleia específica. O ministério (serviço) tem o seu lugar, é claro, mas não um “ministro” ordenado pelo homem para governar. Todos os dons são dons para o corpo, não para uma assembleia, que é apenas uma parte do corpo.
