Origem: Livro: A Família: Uma Palavra aos Pais

Conhecendo o Pai

Voltemo-nos, então, para a primeira epístola de João e vejamos como ela começa. Começa com o conhecimento do Pai. Sim, Deus, nosso Pai, quer que O conheçamos. Ele enviou Seu próprio Filho, o bendito Senhor Jesus Cristo, a este mundo para Se revelar a nós. Os discípulos contemplaram e tocaram aquela “vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada” (1 Jo 1:2). O Filho revelou plenamente o Pai para que Ele pudesse dizer: “quem Me vê a Mim, vê o Pai” (Jo 14:9). Que maravilha! Nosso coração se inclina em adoração a esta estupenda verdade! O próprio pensamento de como Deus, nosso Pai, disse o que está em Seu coração, para nós como Seus filhos, ganhou nosso amor e confiança, e “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA).

Que exemplo, eu digo, para nós, e vamos aplicá-lo a nós mesmos como pais. Acredito que temos algo muito necessário aqui – o primeiro ponto – e devemos procurar internalizá-lo. Trata-se de conhecer o pai. Será que nossos filhos realmente nos conhecem? Um pai sábio fará com que, desde o início da vida de seus filhos, eles o conheçam. Ele vai tratar com eles e encorajar sua doce intimidade e confiança, mesmo ainda quando bebês, assim como João, que escreveu esta epístola, se recostava ao seio de Jesus e aprendeu o coração do Pai. Se falharmos nessa intimidade com nossos filhos, estamos começando de forma errada. Acredito que existam muitos filhos que realmente não conhecem seus pais como deveriam, por falharmos nisso.

Comunhão com o Pai 

A próxima coisa é que Deus, nosso Pai, deseja ter comunhão, ou unidade de pensamento, conosco como Seus filhos. Ele quer compartilhar Seus pensamentos conosco – e que tais são os Seus pensamentos! Todos eles se centralizam em Seu Filho, e nós, como Seus filhos, somos abençoados em associação com Ele – quão precioso! E assim devemos procurar compartilhar nossos pensamentos com nossos filhos. Tudo o que é precioso pra nós, vamos querer compartilhar com eles, e gostaríamos que nossos filhos soubessem disso. E há algo mais precioso para nós do que o conhecimento de Cristo como nosso Salvador? Isso é o que eles devem aprender primeiro. Além disso, à medida que crescem, devemos compartilhar com eles todos os nossos interesses na vida. Devemos trazê-los, tanto quanto possível, para todas as nossas alegrias, para que eles possam entrar nelas conosco. Se não o fizermos, eles buscarão seus interesses e felicidade em outro lugar, fora de casa.

Gozo com o Pai – três coisas 

E assim lemos aqui: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo seja completo” (1 Jo 1:4 – TB). Deus, nosso Pai, quer que nosso gozo seja completo e, além disso, quer que saibamos que esse é o Seu desejo para nós e que Ele fez todas as provisões para isso. Devemos fazer com que nossos filhos saibam que sempre buscamos seu verdadeiro gozo e felicidade na vida. Mesmo nossa correção e castigo devem ter esse objetivo em vista. Devemos tentar dar a eles também qualquer coisa que seja para o seu bem final e aumente sua verdadeira felicidade, desde que, é claro, (como veremos a seguir) não seja inconsistente com o caráter de Deus como luz; pois essas duas coisas, luz e amor, devem caracterizar um lar Cristão. Às vezes, como pais, podemos tirar tudo de nossos filhos e não dar nada em troca. Isso não é realmente buscar o gozo e felicidade deles. Vamos tomar cuidado com isso, se devemos tirar algo deles para a glória de Deus, certifiquemos a eles que é para seu próprio bem e bênção. Vamos tentar compensá-los de outras maneiras. O lar deve ser um lugar feliz para eles – o lugar mais feliz de sua infância.

Que instrução isso é para nós como pais! Primeiro, que nossos filhos nos conheçam, segundo, que entrem em nossos pensamentos e, terceiro, que saibam que buscamos seu gozo e felicidade plenos. Acredito que essas três coisas são de extrema importância se quisermos começar bem com nossa família. Nem tudo é “faça e não faça”. O amor é o motor principal, e nada estará correto se não for assim. Toda obediência para o Cristão é fundamentada no amor. O Senhor Jesus disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). E toda verdadeira obediência no lar Cristão, por parte dos filhos, deve ser fundamentada também no amor.

O caráter do Pai como luz – santidade 

Agora chegamos ao caráter de Deus, nosso Pai, como Luz. “Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1:5-6). Deus nosso Pai quer que conheçamos Seu caráter, pois se quisermos ter comunhão com Ele, a qual Ele deseja, deve ser de acordo com Sua santidade. Não podemos ter comunhão com Ele de nenhuma outra maneira.

E isso é uma coisa muito importante com nossos próprios filhos, e em sua ordem correta também. Depois de aprenderem as três primeiras coisas que mencionamos (e podem aprendê-las muito jovens), devem aprender que existe um certo caráter adequado ao nosso lar, como lar Cristão. Deve haver obediência e santidade. Pecado e felicidade não podem andar juntos em nossa vida, nem podem andar juntos em nosso lar. A menos que nossos filhos sejam levados a ver isso, não podemos ter verdadeira comunhão e felicidade com eles. Eles devem perceber que não podem desfrutar de nossa companhia enquanto andarem em vontade própria e desobediência. O caráter piedoso de nosso lar deve ser cuidadosamente mantido – sempre. Muitos pais Cristãos colheram tristeza por rebaixar os padrões de conduta Cristã para seus filhos e permitir que coisas contrárias à Palavra continuassem em seus lares. Deus, nosso Pai, nunca rebaixa o padrão de Sua família. Que Ele nos ajude a guardar isso em nosso lar!

Deus quer realidade – verdade 

Isso nos leva ao próximo ponto. Deus quer realidade. Ele diz que fingir ser o que não somos, na verdade é mentir, e que aqueles que andam nas trevas não podem ter comunhão com Ele. Alguns pais dirão que, se elevarmos demais o padrão de piedade, nossos filhos farão as coisas proibidas secretamente. Deus, portanto, trouxe este ponto diante de nós, pois é o Seu padrão e não nossos próprios pensamentos que devemos seguir. Se nossos filhos realmente conhecerem nosso coração, eles desejarão nossa comunhão acima de tudo. Eles sentirão que simplesmente não podem se esconder, ou fingir ser o que não são, em nossa presença. E assim aqui, embora a luz da presença de Deus, nosso Pai, manifeste o pecado, ainda assim podemos estar em Sua presença, sem esconder nada. Por quê? Porque Seu amor perfeito encontrou um caminho – “O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7). Que maravilha! Quanta confiança isso dá!

Provisão para falha – perdão 

Depois disso, é feita provisão para o nosso fracasso como filhos de Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). E assim, em nosso lar, onde a luz e o amor têm seu devido lugar, tudo é trazido à tona e então tratado com luz e amor. Quando nossos filhos reconhecem que erraram, devemos perdoá-los, assim como Deus, nosso Pai, nos perdoa. O perdão está em nosso coração o tempo todo, mas governamentalmente não podemos mostrá-lo, até que eles confessem seus pecados.

Este, então, é o segundo grupo de três coisas importantes em conexão com a família de Deus que gostaríamos de aplicar como padrão para o lar Cristão.

Já notamos os três primeiros anteriormente. Eles são:

  • Conhecendo o Pai;
  • Tendo comunhão com o Pai, e;
  • Sabendo que Deus, nosso Pai, busca nosso mais pleno gozo.

O segundo grupo de três é:

  • Conhecendo o santo caráter de Deus, nosso Pai;
  • Sabendo que devemos ser verdadeiros e não esconder nada, e então;
  • Sabendo que uma provisão completa foi feita para o nosso fracasso e o perdão sendo mostrado quando o reconhecemos.

Cristo é o centro – castiçal de ouro 

Isso perfaz seis pontos, e o Senhor Jesus Cristo é o centro e a conclusão de tudo. Assim como com o castiçal de sete canas no tabernáculo (Êx 25:32), havia uma no centro e três canas de cada lado, assim como aqui. Cristo é o centro. Ele deve ter a preeminência. Ele é o “tudo em todos” do Cristianismo e, a menos que seja o Centro de todo o nosso treinamento no lar, tudo irá desmoronar, mais cedo ou mais tarde. Seis é o número do homem (Ap 13:18). – sete é o número perfeito.

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