Origem: Livro: A Família: Uma Palavra aos Pais

Amor no Lar

O terceiro capítulo começa com “Vede quão grande caridade [ou amor] nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a Ele”. Somos lembrados aqui de que, como filhos de Deus, seremos desconhecidos no mundo, como Cristo, o bendito Filho de Deus, era desconhecido. Muitos de nós já experimentamos isso. O mundo não quer nosso Salvador, e eles não vão nos querer se andarmos em alguma medida como Ele andou. Mas é o amor do Pai conhecido e desfrutado em nossa alma que nos contenta em ser mal interpretados. E assim em nossa família. É porque eles conhecem o amor de seu pai, livremente concedido a eles (em um lar Cristão), que eles se contentam em ser mal interpretados também. Quantas vezes as crianças sentem esse mal-entendido na escola e, no entanto, ficarão contentes em suportá-lo, se encontrarem profundo amor e afeição no lar. Será, como já observamos antes, o santuário deles. Todos no mundo desejam afeições satisfeitas, e muitos, muitos filhos não sabem qual é o problema em sua vida – há “algo” faltando – e é que seu coração não foi preenchido. É amor o que eles querem, e embora SÓ Cristo possa satisfazer plenamente os anseios de seu coração, ainda assim, se nosso lar for modelado como deveria ser segundo o padrão divino, eles encontrarão, em sua infância, AMOR “por obra e em verdade” no homem. Se eles também virem que estamos satisfeitos e felizes com o conhecimento do amor de Deus, nosso Pai, eles vão querer ser como nós. Eles logo descobrirão a verdadeira fonte do amor – o coração de Deus Pai.

Nossa bendita esperança 

Além disso, há uma bendita esperança para cada lar Cristão: aguardamos o Senhor vir e nos levar para estarmos com Ele e como Ele para sempre. “Quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”. Em muitos lares ao nosso redor, eles têm alguma esperança diante deles, talvez um carro novo, um novo lar, uma longa viagem ou qualquer outra coisa no futuro, e por essa esperança eles negam a si mesmos. Eles prescindem de coisas para economizar e obter o que querem. Temos a melhor esperança de todas, não temos? Não há melhor! O Senhor está vindo para nós. Quantas vezes os prazeres que procuramos aqui, ou não vêm, ou são uma decepção quando vêm, mas nossa esperança é certa e segura. Que o Senhor torne esta esperança muito real em cada lar Cristão, para que nem nós, nem nossos filhos, coloquemos nosso coração nas coisas da Terra. Os planos têm seu lugar, se buscarmos a mente do Senhor ao fazê-los, mas nós e nossos filhos devemos aprender que nada é certo ou permanente aqui. Isso torna nossa verdadeira esperança ainda mais abençoada!

É também uma esperança purificadora, que nos guarda das coisas que desagradam ao Senhor, e muitos de nós temos este lema pendurado na parede de nossa casa:

“NÃO FAÇA NADA que não gostaria de estar fazendo quando Jesus vier.
NÃO VÁ A NENHUM LUGAR onde não gostaria de ser encontrado quando Jesus vier.
NÃO DIGA NADA que não gostaria de estar dizendo quando Jesus vier”.

Companheirismo Cristão 

De fato, quanto mais o caráter de Deus nosso Pai for visto em nosso lar, mais o mundo nos odiará. Todos nós já experimentamos isso em alguma medida. Claro, se formos um pouco mais longe com eles, eles não vão pensar que somos muito estranhos; mas se recusarmos todo o comprometimento, se tomarmos nosso lugar à parte de todas as suas atividades e prazeres mundanos, encontraremos a nós mesmos e a nossos filhos totalmente cortados. Isso, como notamos em nosso capítulo, nos levará a um círculo diferente de amigos, pois nossos filhos não devem formar amizades íntimas com as crianças incrédulas da rua. Se o fizerem, logo serão levados embora. Nossos amigos devem ser aqueles que amam o Senhor – aqueles que são, por sua conduta, marcados como filhos de Deus. “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; quem não ama a seu irmão permanece na morte”. Cultivemos a verdadeira amizade Cristã, encorajando nossos filhos a falar do Senhor aos outros. Este hábito de falar sobre Ele muitas vezes falta nos lares Cristãos.

Bondade prática 

Então nossos filhos precisam de ocupação, e isso também é trazido diante de nós aqui. “Quem, pois, tiver bens do mundo e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele a caridade [ou o amor] de Deus?” Procuremos ocupá-los com ações de bondade para com os necessitados. Há tanto egoísmo nos dias de hoje, e devemos ensinar nossos filhos a mostrar o amor de Deus de forma prática, e não sempre procurando esse amor nos outros. O Filho de Deus deu a vida por nós e “nós devemos dar a vida pelos irmãos”. Nossos filhos veem que estamos dispostos a nos esforçar, mesmo quando estamos cansados, sim, a nos deixar “gastar” (2 Co 12:15) em amor por nossos irmãos? E em nossa própria vida familiar, mostramos a eles, pelo exemplo, nosso profundo amor e disposição de nos dedicarmos a eles? Esta é uma palavra para pais aqui, pois Deus, nosso Pai, deu Seu Filho para morrer por nós. As mães geralmente estão dispostas a se sacrificar por seus filhos, mas temo que nós, como pais, muitas vezes falhemos nisso. João é muito prático aqui, pois diz: “Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”. Falar é fácil – há muito disso – mas mostremos mais amor a nossos filhos e a nossos irmãos, encorajando nossos filhos a fazerem o mesmo.

Confiança 

O que se segue aqui é a confiança na oração. “Amados, se o nosso coração nos não condena, temos confiança para com Deus”. E assim só haverá confiança na oração quanto houver consistência no caminhar. Então, enquanto procuramos encorajar, tanto quanto podemos, a confiança de nossos filhos, e muitas vezes fazemos por eles mais do que eles merecem (como Deus nosso Pai certamente faz por nós!) porém, na realidade eles só terão confiança em nosso amor, se forem obedientes. Quantas vezes os filhos desobedientes perdem as bênçãos que poderiam ter! Quantas vezes eles não entendem seus pais e ficam infelizes, e culpam a todos, menos a si mesmos. No entanto, é do coração do Pai que estamos falando, e o amor de Deus, nosso Pai, nunca muda, apesar de nosso fracasso, nem o nosso amor deveria mudar para com nossos filhos.

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