Origem: Livro: Pequenas Exposições e Meditações Espirituais
Adoração
Com esta breve visão dos templos, consideremos a adoração que poderia enchê-los. A verdadeira adoração, assim como o verdadeiro conhecimento de Deus, sempre flui da revelação, pois o homem, pela sabedoria, não conhece a Deus. A adoração, para ser verdadeira, deve estar de acordo com a revelação que Deus fez de Si mesmo, e eu gostaria de traçar isso um pouco através da Escritura.
Abel era um verdadeiro adorador; sua adoração ou oferta era segundo a fé, isto é, segundo a revelação (Hb 11). As primícias do seu rebanho que ele ofereceu eram conforme a Semente ferida da mulher e conforme as túnicas de pele com que o Senhor Deus vestira seus pais.
Noé seguiu Abel e também adorou com a fé na Semente ferida da mulher; ele tomou sua nova herança somente em virtude do sangue (Gn 8:20); ele era, portanto, um verdadeiro adorador – adorando a Deus como Ele havia Se revelado.
Gênesis 12:7; aqui vemos Abraão seguindo os passos deles, um verdadeiro adorador. Posso observar que há uma notável ausência de vontade própria em Abraão: ele creu em Deus e no que lhe foi dito; ele saiu como lhe foi ordenado; ele adorou como lhe foi revelado.
Isaque, precisamente no mesmo caminho de Abraão, adorou o Deus que lhe havia aparecido, não pretendendo ser sábio, tornando-se assim um tolo, mas em simplicidade de fé e adoração, como Abraão, erigindo seu altar ao Deus revelado (Gn 26:24-25).
Jacó era um verdadeiro adorador. O Senhor lhe aparece em sua tristeza e degradação, na miséria à qual seu próprio pecado o havia reduzido, revelando-Se assim como Aquele em Quem a misericórdia triunfa sobre o juízo (ARC), e ele imediatamente reconhece Deus como assim lhe foi revelado, e este Deus de Betel foi seu Deus até o fim (Gn 48:15-16). Aqui houve uma revelação ampliada de Deus, e a adoração seguiu tal revelação, e esta é a verdadeira adoração.
A nação de Israel era uma verdadeira adoradora; Deus havia Se revelado a Israel de diversas maneiras – Ele lhes deu a lei da justiça e também a sombra dos bens futuros. Por meio da lei, Ele multiplicou as transgressões, e pela sombra dos bens futuros, Ele proveu remédio: e a adoração de Israel era de acordo com isso. Havia uma extrema sensibilidade ao pecado, com encargos para aplacá-lo, que eles não eram capazes de suportar, e assim o espírito de escravidão e medo era gerado. Israel havia se tornado cada vez mais consciente do bem e do mal, e sua adoração era correspondente a isso. O tabernáculo ou templo onde toda a adoração acontecia conforme a adoração estabelecida ainda podia ser colocado de lado, porque não era a coisa perfeita, e Deus, apesar disso, poderia mostrar o melhor se quisesse,; e assim Ele fez em várias ocasiões. Testemunhem Gideão, Manoá e Davi.
Gideão adorou segundo uma nova revelação de Deus, apesar de Siló e do tabernáculo; sua rocha tornou-se o lugar ordenado, ou o altar ungido, justamente por causa dessa revelação e ordem de Deus (Jz 6:14-26). Manoá transforma aquilo que supunha ser uma refeição em sacrifício, porque o Senhor havia revelado Seu desejo de que assim fosse (Jz 13:15, 19). Davi, a mando do Senhor, volta-se do altar ordenado ou consagrado para outro, que estava na herança impura de um gentio, onde, no entanto, como outrora em Betel, a misericórdia triunfou sobre o juízo, e onde, consequentemente, Deus havia construído para Si outra casa. “Esta será a casa do SENHOR Deus”, diz Davi (1 Crônicas 22). Assim, então, esses três casos foram casos de adoração verdadeira, embora manifestamente um afastamento da adoração estabelecida por Deus.
O leproso curado era um verdadeiro adorador, embora, da mesma forma, tenha se desviado da ordem estabelecida, da ordem divinamente estabelecida, justamente porque, sem uma ordem, apreendeu Deus em uma nova revelação de Si mesmo (Lucas 17:11-19). A cura tinha uma voz no ouvido da fé, pois somente o Deus de Israel poderia curar um leproso (2 Reis 5:7). Isso era ainda mais excelente do que o mesmo tipo de fé em Gideão, Manoá ou Davi.
