Origem: Revista Palavras de Edificação 4

Por Que Há Tantas Igrejas?

(Continuação Do Número 02)

No número 2 desta revista, respondendo a duas perguntas de um leitor: “Porque há tantas igrejas e como se conhece uma verdadeira Igreja?”, citamos um bom número de passagens do Novo Testamento para demonstrar que “Igreja só há uma, aquela que provém da existência do Filho de Deus, e que foi resgatada por Ele mesmo, que é o Seu Corpo, vitalmente unida a Ele – a sua Cabeça – como o corpo humano à sua própria cabeça, e que é a sua plenitude”. E noutras passagens vimos que em cada cidade havia uma só igreja (e não muitas, independentes umas das outras, e cada qual com o seu título ou nome diferente).

Por exemplo, havia em Corinto uma igreja, ou assembleia, Cristã, fruto da pregação do Evangelho pelo apóstolo Paulo; mas ela já se achava em perigo de dividir em muitas outras igrejas. Por quê? Os crentes, sendo ainda “carnais” (1 Co 3:1), não tinham os olhos fixos em Cristo, a sua Cabeça, o seu Centro, o seu todo, mas manifestavam preferências pessoais por certos chefes e condutores espirituais, concebendo assim – como um embrião – partidos ou seitas no seio da única igreja cujo dono era Cristo, que a tinha comprado com o Seu sangue. Por isso Paulo, de entre os outros males que tinham brotado dentro dela, assinalou e repreendeu o do espírito sectário, dizendo-lhes: irmãos meus,há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e Eu de Apolos, e Eu de Cefas, e Eu de Cristo” (1 Co 1:11-12).

Nesse tempo, os Coríntios não nomearam Paulo, Apolo e Cefas como líderes, senão certos irmãos da sua própria assembleia. Mas Paulo, com amor, não mencionou os nomes dos que assim faziam separação, mas acrescentou: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolos, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro” (1 Co 4:6).

Os Coríntios eram muito carnais, como Paulo lhes disse francamente: “Porque ainda sois carnais: pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (1 Co 3:3). Com tais sentimentos dominando os seus corações, haviam se esquecido de que Cristo era a Cabeça da Igreja, o Centro de tudo, e que não havia outro. Os piores eram os que se intitulavam: “Eu sou de Cristo”, como se fossem os únicos membros do Seu Corpo, e como se os outros não fossem. Insistimos nesta grande verdade de que Cristo, a Cabeça, e todos os crentes no mundo inteiro constituem um só corpo.

Mas os Coríntios, evidentemente, carnais como eram, não iriam eles próprios julgar as suas preferências sectárias, porque na mesma carta mais adiante, Paulo avisou-os: “E até importa que haja entre vós heresias [seitas – JND], para que os que são sinceros [aprovados – JND] se manifestem entre vós” (1 Co 11:19).

Fica assim, bem claro que aqueles que são sectários, não têm a aprovação do Senhor. Que diremos então do estado atual do cristianismo?

Chegando à pergunta: Como se identifica uma verdadeira igreja? Procuremos a resposta no Novo Testamento: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí, estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). Evidentemente que, todos dentro do mundo Cristão dizem: nós nos reunimos em nome de Jesus, com certeza. Mas esse não é o significado da palavra do Senhor Jesus. Toda essa passagem, trata da autoridade exercida pela igreja em nome do Senhor Jesus Cristo. Pois bem: poderá o Senhor exercer a Sua autoridade no meio de tantos grupos de Cristãos professantes? Que negam o digno Nome do Senhor Jesus Cristo, identificando-se como querem com nomes de sistemas religiosos? Sejam nomes de suas próprias pátrias, ou de suas doutrinas especiais, ou de grandes chefes dos tempos passados? Não, “de maneira nenhuma” (Mc 10:15; Jo 6:37; Rm 3:4,6,9,31; e outros). Além disso, é impossível ao Espírito Santo reunir os membros do corpo de Cristo, se não for exclusivamente ao Seu digno Nome. Talvez o leitor nunca tenha pensado nisto, mas é tempo de todos nós considerarmos quais são os direitos soberanos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Teremos nós, no Novo Testamento, ensinos para as atividades da igreja Cristã? Sim, certamente e até instruções suficientes para a adoração, o ministério da Palavra de Deus, a oração, o partir do pão, e muito mais. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42).

Ao terminar esta resposta, temos que insistir no fato solene de que, a assembleia Cristã que não anda na santidade e na sã doutrina, perde o direito de ser reconhecida pelo Senhor como uma assembleia Cristã (Ap 2:5).

J. H. Smith

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