Origem: Revista Palavras de Edificação 5

Sobre o Evangelho de Mateus

(Continuação Do Número Anterior)

Capítulo 4

Os versículos 1 a 11 narram a tentação de Jesus pelo diabo. “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (v.1). O primeiro homem, Adão, foi tentado pelo diabo num paraíso que era testemunho da incomparável bondade de Deus. Cristo, “o último Adão” (1 Co 15:45), foi tentado num deserto depois de ter jejuado durante quarenta dias e quarenta noites. Por que está escrito que Jesus, “foi conduzido pelo Espírito ao deserto”? Parece-nos que, era necessário que Jesus Se revelasse tal como era, o Homem perfeito e obediente, que glorificava Deus neste mundo, onde todo o resto da humanidade tinha fracassado. E Deus, aproveitou as maquinações sutis do diabo, para pôr em evidência a perfeita obediência do Seu Filho amado.

“Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” (v.3). Jesus rebateu-o apenas com um só versículo da Bíblia: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (v.4). Jesus não viera para mandar, mas sim para obedecer a Deus. E, como não havia nenhuma ordem de Seu Pai para que convertesse as pedras em pão, não o fez; além disso, Ele nunca iria fazer fosse o que fosse que o diabo Lhe tentasse, visto que havia Seu Pai para cuidar d’Ele.

“Então o diabo O transportou à cidade santa, e colocou-O sobre o pináculo do templo. E disse-Lhe: Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo; porque está escrito: Que aos Seus anjos dará ordens a Teu respeito: e tomar-Te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” (vs.5-6). Agora o próprio diabo se mostra como religioso e cita até as Escrituras, procurando enganar Jesus; mas Ele sabia que o lançar-Se do templo abaixo, seria “tentar” Deus, e replicou ao diabo: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (v.7). “Também está escrito”. Toda a Palavra de Deus, a Bíblia, está relacionada entre si e cada parte se apoia na outra. Não podemos tirar um texto do seu contexto, e usá-lo sem que seja em harmonia com todos os outros das Escrituras.

“Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-Lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-Lhe: Tudo isto Te darei se, prostrado, me adorares” (vs.8-9). Enfim, desta vez o diabo revelou-se tal como era: sendo um ser orgulhoso e cheio de vaidade, cobiçava ser adorado da mesma forma que Deus era. Então Jesus mostrou-Se mais forte, porque mandou: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás” (v.10).

“Então o diabo O deixou” (v.11). Ele não pôde fazer nada contra Jesus, o qual venceu-o unicamente com três versículos de um só livro da Bíblia: Deuteronômio 8:3; 6:16 e 6:13.

“E, eis que chegaram os anjos, e O serviram” (v.11). A prova de que a Sua obediência foi perfeita é que Deus Lhe enviou anjos que Lhe proveram às suas necessidades.

Nessa altura, Jesus, tendo sido expulso de Nazaré (Lc 4:29), morava em Cafarnaum, cumprindo assim a profecia de Isaías, escrita sete séculos antes que Ele tivesse nascido (vs.14-16).

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (v.17). O arrependimento não salva; ele é o passo imprescindível para a salvação. O arrependimento consiste em julgar-se na presença de Deus, à luz da Sua Palavra. É a “benignidade” de Deus que leva o pecador ao “arrependimento” (Rm 2:4). Paulo anunciava “tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20:21). Há certas traduções feitas pela igreja católica romana que dizem o versículo 17 desta forma: [Fazei penitência… – VC]. É uma tradução incorreta. A palavra de Deus denomina a penitência e coisas semelhantes como sendo “obras mortas” (Hb 6:1) feitas por pecadores “mortos em seus ofensas e pecados” (Ef 2:1).

Depois Jesus viu dois irmãos – Simão e André – lançando a sua rede ao mar, porque eram pescadores, e disse-lhes: “Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens” (v.19). E, mais adiante, “viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, e chamou-os” (v.21) também. E os quatro: “seguiram-no” (v.22). Que poder vivo e que atração irresistível exercia a Palavra, e a Pessoa do Senhor da glória, Jesus! Homens deixavam imediatamente a sua profissão, e alguns até seus próprios parentes, para seguir o Messias, que os judeus viriam a recusar e a desprezar.

A passagem seguinte (vs.23-25) conta as atividades infatigáveis do Senhor Jesus, por “toda a Galiléia, pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades”. Sarou igualmente os “acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos”. Este serviço de médico incomparável foi para confirmá-Lo como “Messias”, o “Deus de Israel”, “Jeová”, o que cura o Seu povo.

(Continua, Querendo Deus)

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