Origem: Revista Palavras de Edificação 7

Sobre O Livro Dos Atos Dos Apóstolos

(Continuação Do Número Anterior)

Capítulo 27:1-9

“E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião, por nome Júlio, da coorte augusta. E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco Aristarco, macedônio, de Tessalônica” (vs.1-2). Paulo tinha apelado para César e a sua viagem tinha esse objetivo. Lucas (o historiador), “o médico amado” (Cl 4:14) estava com ele (visto que escreve: “embarcando nós”) e também “Aristarco, macedônio de Tessalônica”. Nem um, nem outro eram obrigados a acompanhar Paulo, pois não eram presos. Foi o amor que tinham a seu querido irmão na fé, Paulo, que os levou a identificarem-se com aquele fiel servo de Deus, nas suas cadeias, aceitando qualquer circunstância que fosse que se apresentasse.

Hoje em dia, “Paulo”, simbolicamente, ainda está sendo levado cativo pelos homens: quer dizer, que a “doutrina” que o Senhor, a Cabeça da Igreja, deu a Paulo como “revelação” (Ef 3:3), está sendo recusada pelo próprio cristianismo. A hierarquia religiosa não quer reconhecer Cristo como “a Cabeça”; eles querem “ter entre eles o primado” (3 Jo 1:9). Nem mesmo querem submeter-se à conduta do Espírito Santo, o Qual não tem voz nos seus concílios nem nas suas diretivas. Da “vocação celestial” (Hb 3:1) nada querem saber: “só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3:19). São tão poucos os que estão decididos a acompanhar Paulo, o prisioneiro!

“E chegamos no dia seguinte a Sidon, e Júlio, tratando Paulo humanamente, lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele” (v.3). Imagine-se um preso que ia ser levado a César, o grande imperador, tendo liberdade para tomar conforto espiritual com os seus “irmãos em Cristo”, no porto de Sidon! O Senhor tinha inclinado o coração do centurião Júlio, de uma forma maravilhosa, pois se um soldado romano, encarregado da guarda de um prisioneiro, deixasse que este escapasse, pagava essa negligência com a sua própria vida (At 16:27).

“E, partindo dali, fomos navegando abaixo de Chipre, porque os ventos eram contrários” (v.4). O capitão do navio, tinha proposto a si mesmo, “navegando pelos lugares da costa da Ásia” (v.2), quer dizer, navegar costeando e tocando talvez vários portos; mas os ventos contrários obrigaram-no a mudar de rumo e a escapar da força dos ventos, “abaixo (pelo sul) de Chipre”, uma grande ilha no meio do Mediterrâneo. Por vezes na nossa viagem da vida, temos que abandonar certos propósitos por causa da violência dos ventos.

“E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra, na Licia. E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Itália, nos fez embarcar nele. E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséia” (vs.5-8). Apesar de todas as dificuldades, e dos ventos contrários, a nave pôde chegar a Bons Portos. Nos primeiros tempos dos apóstolos, apesar da oposição de Satanás, e de “homens disolutos e maus” (2 Ts 3:2), a “embarcação evangélica” seguia a sua rota.

Agora, para comentar a viagem desde Bons Portos, até à “ilha de Melita {Malta} (At 28:1), vamos aproveitar a maior parte do folheto chamado “A Viagem de Paulo desde os Bons Portos a Malta (e as suas Lições)”[1], sobre o significado espiritual desta travessia, pois o seu autor expressa a verdade doutrinal de boa maneira.
[1] Nota do Revisor: Folheto escrito pelo irmão Gordon H. Hayhoe

“A primeira parte da viagem desde Cesaréia a Bons Portos, (vs.1-7), é descrita em poucas palavras, mas a segunda etapa, desde Bons Portos até à chegada a Melita, (At 27:9-44) é escrita com tantos detalhes que nos dá uma profunda instrução. Podemos considerar o navio como uma figura do testemunho exterior da igreja, para as pessoas a bordo como os verdadeiros filhos de Deus e Paulo como o representante da verdade chamada a “doutrina de Paulo” acerca da Igreja (2 Tm 3:10), e incluindo todos os que são cristãos genuínos. Quando falamos ‘cristãos genuínos’ queremos dizer a respeito da linha da verdade a qual é distinta e peculiar a esse período da Igreja, e que nos conecta com o céu e com Cristo, a Cabeça da Igreja.

Os que estavam a bordo do navio decidiram que iniciariam a viagem a partir de Bons Portos – todavia, não de acordo com o conselho de Paulo, mas de outros. Bons Portos talvez nos fale do início – da feliz unidade vista nos ‘bons’ dias da história da igreja. Tudo estava bem enquanto eles andaram na verdade e “no temor de Deus” (At 9:31), mas tal posição nunca é agradável para a carne e pode ser mantida somente enquanto andamos com Deus. “O tempo” é sempre uma grande prova e assim, lemos: “E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois, também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava” (At 27:9). É sempre comparativamente fácil iniciar na senda da fé, mas a carne nunca pode continuar nela. “Navegar” conforme a sabedoria humana é sempre “perigoso”, e nós precisamos da Palavra de Deus para nos guiar. Devemos ter nossa consciência guiada pelas Escrituras em todo o tempo, pois, somente nesse caminho podemos reivindicar Suas promessas. “Então andarás com confiança no teu caminho, e não tropeçará o teu pé” (Pv 3:23).

Há algo muito triste nas palavras “o jejum já tinha passado”. Essa devoção do início, o ‘jejum e oração’ que caracterizava a igreja no começo (At 13:3) tinha passado e lembrando o comentário de alguém que diz: “Não há substituto para a comunhão”.

Quando não há quieta comunhão com Deus e a espera na Sua presença, podemos ter certeza que haverá problemas adiante. Que essas práticas possam exercitar o coração de cada um de nós e que possamos buscar andar em obediência e no poder do Espírito de Deus, ao invés de em caminhos de prudência humana.”

(continua, querendo Deus)

Obediência 

“Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à Palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15:22).

Quando o profeta Samuel falou estas palavras ao rei Saul, queria fazer-lhe compreender a importância que tem a obediência na vida de uma pessoa que confessa servir o Senhor. O Senhor Jesus deu igualmente ênfase ao mesmo princípio. Quem não sabe obedecer engana-se a si próprio, pensando que está seguindo o Senhor e não está. Cristo afirmou enfaticamente: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21).

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