Origem: Revista Palavras de Edificação 8

Sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos

(continuação do número anterior)

Capítulo 27:10-13

Paulo os admoestava “dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas” (v.10).

Paulo viu-se obrigado a avisá-los, pois que, tendo sido inspirado divinamente, compreendeu o perigo iminente. Isto faz-nos pensar no aviso dado aos anciãos de Éfeso: “Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20:29-30).

Damo-nos nós conta, queridos filhos de Deus, que se abandonarmos a doutrina que Paulo expressou por inspiração divina, se recusarmos andar na verdade, a qual Deus entregou à Igreja por seu intermédio, então haveremos de naufragar tal como esse navio? Há muitos Cristãos que lêem os quatro evangelhos, e o livro dos salmos, mas que se cansam de estudar as cartas de Paulo, as quais contém instruções indispensáveis para a vida da Igreja.

Lembremo-nos desta exortação: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade [com o amor – ARA] que há em Cristo Jesus” (2 Tm 1:13). Nós temos que reter estas coisas não só como doutrinas – o que é muito necessário e importante – mas ainda fazê-lo “na fé e na caridade [com o amor – ARA]. Porque a verdade que conhecemos deve manifestar o Seu poder nas nossas vidas para a glória do Senhor.

“Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo” (v.11). Apesar do aviso cauteloso de Paulo, os encarregados da navegação preferiram fazer segundo as suas próprias previsões, e recusar a opinião de Paulo; tal como aqueles da Ásia {“os que estão na Ásia todos se apartaram de mim” (2 Tm 1:15)}. E como isso foi verdade realmente, não só depois da morte dos apóstolos, como até ainda antes!

“E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fênix, que é um porto de Creta que olha para a banda do vento da África e do Coro {sudoeste} (v.12).

O lugar de “Bons Portos” (v.8) não foi considerado por eles como sendo “cômodo” (quer dizer: espaçoso e conveniente). Lemos então que “os mais deles foram de parecer que se partisse dali”.

Por analogia, não podemos esperar que a verdade de Deus, seja bastante “cômoda” para a maioria das pessoas. Se procurarmos nas Escrituras veremos que, claramente, nunca a maioria escolheu o caminho da obediência. Não é verdade que; são sempre poucos os que querem obedecer a Deus? Cuidemos em não seguir forçosamente a maioria. Mas, com um coração sincero façamos de Cristo o Objeto dos nossos corações, e façamos da Sua Palavra o guia para os nossos pés. Nesse caminho assim gozaremos então da doce paz, ainda que talvez em companhia não muito numerosa.

Por algum tempo, depois de ter dado o seu aviso, Paulo calou-se, e não disse mais nada. A História da Igreja mostra-nos que a “doutrina de Paulo” e “a chamada celestial da Igreja” se perderam por muitos séculos após a morte de Paulo.

Mas “Paulo ainda estava a bordo…” e assim as preciosas verdades de que temos falado, foram ignoradas ainda que estando na Bíblia, e isto por muitos séculos, e não foram compreendidas, nem postas em prática.

“E, soprando o Sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta” (v.13). Entretanto a nave levantou âncora com rumo a Fênix, um porto espaçoso e conveniente – era um grande centro comercial! E tal é também o gesto de muitos Cristãos: ter uma igreja “à moda de Fênix”, quer dizer: uma igreja mundana.

E, estranhamente, o vento soprava brandamente. Até parecia que Deus lhes dava o que queriam. Não ouvimos nós também muitos Cristãos que andam em caminhos de desobediência à Palavra de Deus, falar dos “ventos que sopram” a seu favor, e de supostas bênçãos que dizem receber? E, por vezes, assim parece que têm razão; o mesmo acontecia no tempo em que a igreja primitiva começou a deslizar para os compromissos com o mundo. Mas, tal como já dissemos, é o tempo que põe as coisas à prova. E foi assim também na nossa narrativa sagrada.

O que eles pensavam ter obtido, não era mais do que aquilo que eles no fundo pretendiam no seu pensamento, mas não era a realidade. Perguntemos a nós mesmos sempre, queremos que sejam os nossos próprios propósitos e planos a realizarem-se, ou preferimos que sejam, de fato, antes os de Deus?

Sabemos que temos a verdade, porque temos a Palavra de Deus dirigindo os nossos intentos, ou será que no fundo não estamos mais do que seguindo unicamente as nossas próprias idéias, e dessa forma estamos achando que temos razão? Que bom é poder dizer: “Assim disse o Senhor” (Ez 33:27; 1 Sm 10:18; Jr 26:18, 31:37), e andar no caminho que Ele nos assinalou!

Quanto significado ter estas palavras: “Fazendo-se de vela” (v.13). Que dia mais triste, na história da Igreja primitiva do que aquele em que deixou os “Bons Portos” (v.8) para ir para “Fênix” (v.12). Notemos também que eles “foram de muito perto costeando Creta” (v.13).

É que a verdade nem sempre é logo abandonada de vez. Há Cristãos que acham, por vezes, que não há nenhuma diferença entre este, e aquele determinado grupo religioso, porque todos, enfim, adoram o mesmo Deus, etc. Mas o que devemos ver, é se um certo grupo religioso realmente “fez-se de vela”, e se está a afastar-se, um quilometro, um metro que seja da verdade.

Geograficamente Fênix não está longe de Bons Portos. Muitas vezes a distância entre a Igreja e o mundo parece ser só de “um passo” (1 Sm 20:3), mas quão perigoso é esse passo! É como aquela viagem de Atos, carregada de perigos.

Aqueles não chegaram a Fênix; porque o Senhor ama muito os Seus filhos, e não deixa que eles se sintam “comodamente” no mundo…

(continua, querendo deus)

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