Origem: Revista Palavras de Edificação 8
Sobre Confissão, Disciplina e Restauração
Pergunta:
Há alguma diferença entre o pedir ao Pai que sejamos perdoados dos nossos pecados e o confessá-los?
Resposta:
Sim, há uma grande diferença. Não podemos corretamente pedir o perdão dos nossos pecados quando já sabemos que somos perdoados por amor do Seu Nome. Somos perdoados por toda a eternidade (1 Jo 2:12).
Mas, se queremos andar em comunhão com Deus é imprescindível que confessemos os nossos pecados, pois “se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:9).
Pergunta:
Como devemos tratar um irmão na fé, a quem tenha sido aplicada medida disciplinar, por algum motivo daqueles que são mencionados em 1 Coríntios 5:11-13?
Resposta:
A primeira coisa, é que a igreja, ou seja a assembléia local com a qual a pessoa culpada está identificada, se humilhe. Leia-se 1 Coríntios 5:2 que mostra qual deve ser a atitude da igreja.
O Nome do Senhor Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, foi desonrado. E o pecado de um membro, é o pecado de todos. “Israel pecou”, disse o Senhor a Josué quando “Acã pecou”. E Israel foi derrotado no combate, pois, a maldade que tinha sido praticada no seu seio, não tinha sido devidamente julgada e condenada (Js 7:11).
Em segundo lugar, uma vez posto fora “esse mal” (não é chamado “irmão” visto não se poder conceber que um irmão em Cristo possa cometer tal pecado; veja-se o v.11 – “com o tal nem ainda comais”), há que o deixar afastado, para que se arrependa mais profunda e sinceramente. O fim de toda a disciplina, é a recuperação total daquele que foi disciplinado. Não convém sequer comer com esse tal.
É claro que, o comer uns com os outros, é a expressão da amizade e da comunhão. Por isso, no seio da própria família daquele que é culpado, haverá que respeitar os laços de parentesco. A esposa não vai recusar comer com o marido, o qual é a cabeça da família e do casal (1 Co 10:3), nem também com um filho, que não seja casado, e que more no seu lar. Em Levítico 21:1-3, temos um princípio que uma mente espiritual saberá aplicar a cada caso. Contudo, entre a congregação não convém que, aquele que pecou, seja tratado como se nada tivesse acontecido.
Pergunta:
Se um irmão crente, que foi disciplinado, não confessou todos os pecados que cometeu, antes deixou alguns por confessar, que devemos fazer como responsáveis pela sua recuperação e restabelecimento?
Resposta:
Levítico 13:12-13 dá-nos uma instrução muito significativa: “Se a lepra florescer de todo na pele, e a lepra cobrir toda a pele do que tem a praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote, então o sacerdote examinará, e eis que, se a lepra tem coberta toda a sua carne, então declarará limpo o que tem a mancha; todo se tornou branco; limpo está”.
O significado desta passagem, bastante surpreendente, expressa-se nas palavras: “todo se tornou branco”. A “carne viva” (Lv 13:16) já não aparece; a força da lepra deixou de operar. Quer dizer que desde a raiz dos cabelos até à planta dos pés tudo saiu; nada há oculto.
E, assim, uma pessoa que confessa só parte dos seus pecados que desonram o Nome do Senhor, e que continua a esconder outros pecados, não se mostrou verdadeiramente arrependida, e, por isso, não se acha de forma digna de ser restaurada, de ser reabilitada na congregação. O Salmo 32:1-5 ensina-nos que não é possível esconder de Deus o pecado. É preciso confessá-lo todo de uma vez. Então, depois que essa “lepra” se tiver tornado “toda branca”, há perdão e restauração.
