Origem: Revista Palavras de Edificação 9

A Instituição do Matrimônio

(continuação do número anterior)

Outra vez Novas Responsabilidades 

Este precioso bebê, que abriu as fontes dos afetos no coração dos seus jovens pais, trouxe-lhes também novas e grandes responsabilidades. Tal como a mãe de Moisés, que foi encarregada pela filha de Faraó de criar Moisés (Êx 2:5-10), assim os pais Cristãos hão de criar os seus filhos, para o Senhor. E, esta ocupação, vai pedir muito tempo, e muita dependência do Senhor.

Neste mundo ímpio, que piora dia a dia, o encargo de criar os filhos é coisa muito séria. Muitos ventos contrários soprarão. E, é só pela sabedoria divina que se encontra nas Escrituras Sagradas, que os jovens pais poderão dirigir-se no bom caminho. Todos os santos de Deus, em todas as idades, sempre precisaram de um caminho traçado por Deus, para a sua conduta, mas a questão de criar uma família é coisa especialmente importante.

Não convém que, os pais se atrasem no desempenho, e no exercício das suas responsabilidades, perdendo anos valiosos, para a formação moral dos seus filhos. Há que aproveitar todo o tempo disponível: “Remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Ef 5:16).

Certa vez, uma mãe jovem foi visitar um ancião, servo do Senhor, e perguntou-lhe, em que idade deveriam, ela e o marido, começar a ensinar a criança. E a resposta foi:

  • Que idade ela tem?

A mãe respondeu; e o ancião respondeu:

  • Olhe, pois, todo esse tempo já foi perdido.

A nós, custa-nos, sobretudo aos pais, pensar que o nosso inocente, e terno filho, já tenha dentro de si a raiz de uma natureza má. Mas, o fato é que, efetivamente ele nasceu com uma natureza, capaz de produzir tristes frutos, que o levarão bem longe de Deus. As suas inclinações naturais já se encontram nele, e à medida que se desenvolve e cresce, também vai se despertando a sua capacidade em as manifestar. Temos que nos lembrar que, transmitimos ao nosso filho, à nossa descendência, o coração ímpio, e a vontade perversa, que herdamos dos nossos pais e antepassados. “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv 27:19).

“O que é nascido da carne é carne” (Jo 3:6). Nós passamos aos nossos filhos, a mesma carne que nós temos – sem a menor diferença, nem para pior, nem para melhor. Não podemos dar-lhes uma vida nova. Essa vida nova, eles terão que a receber da mesma forma que nós: têm que nascer de novo. O Espírito de Deus, tem que trabalhar nos seus corações, gerando-lhe uma nova vida com novos desejos:

Mas, pelo fato de assim ser vamos ficar inativos, por nos sentirmos incapazes? Vamos cruzar os braços, e pensar que nada poderemos fazer, até que o Espírito de Deus opere nos nossos filhos? De forma alguma!

O necessário é, que os pais dobrem os joelhos dando graças a Deus pela criança que receberam, e, peçam, numa sincera súplica, que ela possa ser trazida ao conhecimento da salvação pelo Senhor Jesus Cristo o mais cedo possível. Esta deve ser uma oração, nascida do coração de todos os pais Cristãos, e, que deve constantemente subir até Deus nosso Pai. E, é preciso que a façamos com fé, contando com Ele. Isso é assunto de suma importância nas nossas orações, desde o dia em que a criança nasce.

Qual será o modo de viver e serviço da criança? 

O mundo propõe muitos livros sobre educação de filhos. Mas para os pais Cristãos, estes não devem merecer uma confiança absoluta. É verdade, podem ser muito bem feitos numa perspectiva de sabedoria humana. Mas esta, nunca, não pode comparar-se com a sabedoria divina.

É muito melhor, buscar a verdadeira sabedoria de Deus “que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto” (Tg 1:5). Se nos faltar, pois, sabedoria, (e certamente que sim) peçamo-la a Deus, que nunca deixará de ajudar um coração que confia n’Ele. É muito melhor, sermos dependentes de Deus, do que ir ao mundo pedir auxílio.

Devemos, sempre, lembrar-nos que a Palavra de Deus, contém a sabedoria que vem de cima. É dela que vêm estas palavras dirigidas aos pais: “Não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). A Bíblia tem sempre imensas ligações objetivas. Aí vemos exemplos, de homens e mulheres, que souberam criar seus filhos no temor de Deus. Aí encontramos avisos solenes, nas histórias daqueles que fracassaram nessa responsabilidade.

No seu tempo, Abraão tinha uma casa disciplinada. Ele não só andava pela fé, como tinha os seus filhos, e a sua casa, “depois dele” (Gn 18:19) mesmo, vivendo dentro da disciplina; e, por isso, teve aprovação especial do Senhor: “E disse o Senhor: Ocultarei Eu a Abraão o que faço? Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:17-19). E, foi, desta maneira, que ele obteve o título de “amigo de Deus” (Tg 2:23).

Anrão e Joquebede foram fiéis nas suas vidas, e os seus três filhos, Miriã, Arão e Moisés, foram grandemente consagrados ao Senhor. Na época em que Moisés nasceu, o povo de Israel achava-se em circunstâncias muito difíceis; eles eram escravos maltratados no Egito, e um decreto de Faraó condenou à morte os meninos que nascessem. Mas os pais de Moisés, agiram pela fé, diante de Deus, e protegeram o seu precioso “filho” tanto quanto puderam. Eis aqui, um bom exemplo para os pais. Aliás, não são muitos os anos, em que, os pais podem proteger a “herança do Senhor” (Sl 127:3) da influência perniciosa deste mundo ímpio. Por isso, é muito importante, aproveitar toda a oportunidade para fortalecer os filhos, contra as más influências que os ameaçam.

Não podemos, evidentemente, dar aos nossos filhos fé para que andem no caminho de Deus, como, tão pouco, podemos dar-lhes uma vida nova, mas quando os criamos na disciplina e nos conselhos do Senhor, eles aprenderão aquilo que agrada ao Senhor.

Moisés foi instruído pelos seus pais, nos caminhos do Senhor, e nos Seus propósitos, de uma forma tão correta, que quando sua mãe teve que o entregar aos cuidados da sua benfeitora real, para que fosse ensinado nas escolas do Egito, ele, apesar disso, pôde andar pela fé, por si próprio, pois embora “Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22), ele não deixou por isso de unir a sua sorte à dos povos de Deus, desprezado e escravizado como era. “Deixou o Egitoporque tinha em vista a recompensa” (Hb 11:26-27).

O conselho de criar os filhos na disciplina, e na admoestação do Senhor é dirigido aos pais; eles são tidos como responsáveis imediatos. Mas as mães têm uma grande influência nas vidas dos seus filhos, porque estão mais em contato com eles, sobretudo nas idades mais novas. Por isso, ambos, devem ter o mesmo pensamento nestas coisas. O mal certamente acontecerá quando a mãe puxa de um lado e o pai do outro. “Joquebede” parece ter tido um papel proeminente na educação de Moisés. Também é de notar que na história dos reis de Judá e de Israel, frequentemente, lemos isto: “e era o nome de sua mãe (Lv 24:11; 1 Rs 14:21, 31; 2 Cr 12:13; …) É como se, o Espírito de Deus, chamasse a nossa atenção para o papel que desempenhou, a mãe, na primeira fase da educação dos filhos.

“Timóteo” (2 Tm 1:5) muito cedo foi também educado nos caminhos de Deus; desde menino já conheceu as Sagradas Escrituras. É mencionada a piedade de sua mãe e da sua avó. Uma instrução destas é como lenha que se põe na lareira; só falta um fósforo para acendê-las, e logo o fogo se ateia. E, quando a mente da criança está alimentada com a Palavra de Deus, viva e eficaz, tudo o que depois falta é, tão somente, a operação vivificadora do Espírito de Deus, para implantar uma nova vida no seu ser. Nessa altura, todas as riquezas, da Palavra de Deus, acumuladas já na sua mente, servem-lhe como uma “lâmpada para os meus (seus) pés…, e luz para o meu (seu) caminho” (Sl 119:105).

(continua, querendo Deus)

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