Origem: Revista Palavras de Edificação 13

Sobre o Evangelho de Mateus

(continuação do número anterior)

Capítulo 8:18-34

“E Jesus, vendo em torno de Si uma grande multidão, ordenou que passassem para a banda d’além” (v.18). O Senhor não estava abandonando o Seu posto de trabalho – longe esteja tal idéia! – pois Ele acabava de expulsar demônios e de curar enfermos (vs.16-17). Havia trabalho à Sua espera na outra margem do lago. A narração continua no verso 23 e seguintes. Enquanto isso, dois homens expressam o desejo de seguirem a Jesus:

“E, aproximando-se d’Ele um escriba, disse: Mestre, aonde quer que fores, eu Te seguirei. E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves dos céus têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (vs.19-20). Esse escriba, sem se aperceber da situação, ofereceu-se como seguidor de Jesus, pensando talvez que teria um bom posto no reino do Messias, porém o Senhor lhe deu a conhecer o custo disso, pois o “Filho do Homem” (o Seu título em humilhação e em exaltação. Aqui claramente em humilhação e mencionado pela primeira vez neste evangelho), tinha menos comodidade que as aves dos céus nos seus ninhos, ou que os animais nos seus covis.

“E outro de Seus discípulos Lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai. Jesus, porém, disse-lhe: Segue-Me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos” (v.21-22). O significado da palavra do Senhor é muito claro. A chamada do Senhor é suprema: “Segue-Me”. Mas o discípulo (pois, este sim, era um discípulo, não um judeu carnal como aquele escriba), queria antepor as solicitações familiares ao mandamento do Senhor, o qual lhe disse que os pecadores, sem vida espiritual, podiam sepultar os seus familiares também sem vida espiritual, mas que o Seu discípulo tinha o privilégio, e, a responsabilidade de O seguir antes de tudo.

“E, entrando Ele no barco, Seus discípulos O seguiram; e eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; Ele, porém, estava dormindo. E os Seus discípulos, aproximando-se O despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos. E Ele disse-lhes: Porque temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-Se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que Homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (vs.23-27).

No livro de Jó lemos que Satanás pôde exercer um certo poder sobrenatural, mas este permitido por Deus, e até mesmo levantar “um grande vento” (Jó 1:12-19). Entrando Jesus no barco com os Seus discípulos, logo “levantou-se um grande temporal de vento” (Mc 4:37), provavelmente obra do “príncipe das potestades do ar” (Ef 2:2), Satanás; porque ele queria destruir Jesus. Porém, a sua tentativa só resultou na manifestação do poder d’Aquele que era muito mais forte que Satanás: Jesus, o Senhor, repreendeu os ventos e o mar, e fez-se grande bonança. Os discípulos maravilharam-se; em seu coração, não estavam, no entanto, preparados para O reconhecerem como “Deus conosco” (Mt 1:23).

Logo que desembarcou na margem oposta do lago, encontrou outro caso de necessidade: saíram-Lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós Contigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?” (vs.28-29). “Veio (Jesus) para o que era Seu, e os Seus (os judeus) não O receberam” (Jo 1:11); mas os demônios, sim, O reconheceram (Mc 1:23-26). Esses demônios eram espíritos desobedientes a quem Deus não podia perdoar; eles sabiam que haviam de ser castigados, mas sabiam também que o tempo não tinha ainda chegado (Mt 8:29). De forma que, ao invés de se arrependerem (como se isso fosse possível), prosseguiam com as suas más obras, apoderando-se de dois seres humanos.

“E andava pastando distante deles uma grande manada de porcos. E os demônios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos que entremos naquela manada de porcos. E Ele lhes disse: Ide. E, saindo eles, se introduziram na manada de porcos; e eis que toda aquela manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas águas” (vs.30-32). Parece que agrada aos demônios incorporarem-se em corpos físicos; aqueles, pressentiram que Jesus ia expulsá-los dos homens afligidos, e pediram permissão para entrar nos porcos, “eram quase dois mil” (Mc 5:13); que pensamento degradado!

“Os porqueiros fugiram, e, chegando à cidade, divulgaram tudo o que acontecera aos endemoninhados. E eis que toda aquela cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-O, rogaram-Lhe que Se retirasse dos seus termos” (vs.33-34). Podiam suportar a presença dos demônios, mas não a santa presença do Filho de Deus. Por que? Porque tinham perdido dois mil porcos; mas, que faziam eles criando porcos, quando a lei de Moisés proibia aos israelitas de comer carne suína (Lv 11:4, 7-8)?

E, o que é feito do homem libertado dos demônios? Marcos conta-nos que “o que tivera a legião” estava “assentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5:15). Logo, Jesus o mandou evangelizar na sua casa, entre os seus parentes, e ao povo ao seu redor (Mc 5:19-20).

(continua, querendo Deus)

Extrato: 

O Cristo ressuscitado é a demonstração da redenção consumada; e, se a redenção é um fato cumprido, então, a paz do crente, é uma realidade perfeitamente fundamentada.

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