Origem: Revista Palavras de Edificação 16
Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios
(continuação do número anterior)
Capítulo 1:18-31
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela Sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes, pela loucura da pregação” (vs.18-21).
O pecador perdido que abre os seus olhos para a luz, e, se arrepende dos seus pecados, apega-se à cruz como a sua única esperança de salvação do inferno, e depressa descobre que é o “poder de Deus”, do Deus Onipotente. O sábio, na sua própria opinião, não se sente culpado de nada; ouve de Cristo crucificado numa cruz por amor dos pecadores, e diz: “é loucura”; porém acaba por se perder. O Deus vivo e verdadeiro, disse da sabedoria deste mundo: “é loucura”. Não serve. Ela pode deleitar o homem até à sua morte, e então o que? “Depois o juízo”! O sábio não pensa nisso. Mas agradou a Deus salvar os que crêem por meio daquilo a que os sábios chamam: “a loucura”. A essência, o tema do que se prega (não o ato de pregar), é dizer: Cristo crucificado, e recebê-Lo pela fé, é o que nos salva.
“Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus com gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” (vs. 22-24).
Quantas vezes os judeus tentaram o Senhor Jesus, pedindo-Lhe sinais, ou seja, obras milagrosas! Como eram incrédulos, Ele “Lhes …disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas”. E qual foi o significado do dito sinal, de Jonas lançado vivo na terra depois de ter estado “três dias e três noites no ventre da baleia”? (Mt 12:39-40). Cristo ressuscitado dentre os mortos!
No que diz respeito aos gregos (não os bárbaros, gente sem educação, tão pouco os citas, ou seja, os incultos, mas sim gente muito inteligente que se orgulhava da sua sabedoria), temos um exemplo do seu caráter e da sua reação ao evangelho de Cristo em Atos 17:18-32, passagem da qual citamos aqui apenas uma parte: “E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele (Paulo); e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição”. Imediatamente Paulo, tendo-os repreendido pela sua idolatria, lhes disse: “Deus …anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-O dentre os mortos. E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez”.
Paulo chamou a atenção aos Coríntios, “Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1:25); porque, sendo chamados por Deus, entre eles não haviam: “muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres” (1 Co 1:26) (não digo que não havia nenhum). Porém estes eram uma exceção: a grande maioria daquela igreja numerosa (At 18:9-10) era de condição pouco elevada. Notemos aqui a mudança na sua forma de os designar: Paulo falou dos de alta categoria como de pessoas, mas ao designar os demais, não escreveu: “os loucos”, “os fracos”, “os vis”, “os desprezíveis”, mas usou a forma impessoal: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as (coisas) fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as (coisas) desprezíveis, e as (coisas) que não são, para aniquilar as que são. Para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1 Co 1:27-29). Quantas evidências existem da direção infalível do Espírito Santo nos escritos inspirados por Deus!
“Mas vós sois d’Ele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (vs. 30-31).
Nenhuma carne pode se enaltecer na Sua presença, visto que tudo é de Deus: a posição permanente: “em Jesus Cristo”; o que Deus o fez em nosso favor e para sempre: “sabedoria, justificação e redenção”. O grego buscava sabedoria humana; em contraste Deus fez de Cristo a nossa sabedoria divina; e quanto à justificação, à santificação e à redenção, o grego nem sequer tinha pensado nestas virtudes divinas conferidas aos crentes em Cristo Jesus. Se pudesse fazer comparações entre as quatro, estas últimas são mais importantes que a sabedoria, mas ela é mencionada em primeiro lugar para envergonhar a sabedoria humana.
É maravilhosa a posição divina do crente: unido a Cristo Jesus o qual é, por Deus, constituído a Sua sabedoria, justificação, santificação e redenção! Convém então que “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”. Parece que Paulo se referiu à passagem em Jeremias 9:23-24.
(Continua, se Deus quiser)
Pensamento:
“Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mt 6:22). Se for assim contigo, haverá luz no teu caminho – não luz que dure dez anos, mas um passo de cada vez, e imediatamente o passo seguinte.
Pensamento:
Ele não Se envergonha de nos chamar “irmãos”. Envergonharíamos nós de O confessar como nosso Senhor e Mestre abertamente diante de todo o mundo? “Até quanto estareis vós entre dois pensamentos?” Confessai-O quanto antes e decididamente. Esforçai-vos e confiai em Deus para as consequências. Eu sei por experiência que uma confissão franca e corajosa de pertencer a Cristo é mais da metade da luta terminada… Eu afirmo, …que se um homem, na força do Senhor, disser ao seus companheiros e amigos, “Eu sou de Cristo, e tenho que agir para Ele”, não sofrerá o que devem sentir outros que avançam timidamente, com medo e temerosos de confessar a Quem desejam servir.
J. N. Darby
