Origem: Revista Palavras de Edificação 17

Sobre o Evangelho de Mateus

(continuação do número anterior)

Capítulo 10:21-42 

“E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do Meu nome: mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem” (vs.21-23).

Em 1 João 3:15 lemos que: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida”. Nestas passagens vemos que o ódio no coração do homem religioso, sem Cristo, converte-se num ato de homicídio, o que pode acontecer independentemente do grau de parentesco. Satanás combate, constantemente, o testemunho do Senhor e incita até mesmo os seres mais queridos, segundo a carne, a perseguir as testemunhas fiéis de Deus.

Neste discurso, Jesus falou, não só para instruir os Seus apóstolos de então, mas também para deixar instruções para as Suas testemunhas fiéis do futuro, quando em Israel elas serão perseguidas nos dias que precederão, imediatamente, a vinda do “Filho do Homem”, para estabelecer o Seu Reino em Justiça.

“A vinda do Senhor” para arrebatar a Sua Igreja redimida terminará esta “dispensação da graça de Deus” (1 Ts 4:16-18; Ef 3:2). Depois o Senhor renovará os Seus pactos com o povo da Terra, em particular com os judeus. Enviará testemunhas que pregarão “o evangelho do reino” (Mt 24:14), aos judeus e a todo o mundo. Serão perseguidos até morrer, mas “aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Esta profecia do Senhor, mal interpretada por muitos, não se refere a nós, os Cristãos, nesta dispensação da graça de Deus, mas àquelas testemunhas que virão e terão que suportar as perseguições para poder entrar no reino terreno. Estarão salvos para desfrutar do reino prometido do Filho do Homem, Jesus, aqui na Terra. Mas, se morrerem, não se perderão. Não! Terão “uma melhor ressurreição” (Hb 11:35).

“Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor” (vs.24-25). O nosso bendito Senhor foi perseguido e admoesta-nos de que não podemos esperar melhor trato do mundo do que o que Ele mesmo recebeu. “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm 3:12).

“Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se” (vs.25-26). O termo “Belzebu”, “príncipe dos demônios” (Mt 12:24), foi tomado como palavra depreciativa. Mas ao crente não importa do que os seus inimigos lhe chamem, porque nem o que dizem nem o que fazem permanecerá encoberto ou oculto.

“O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (vs.27-28). A mensagem do Senhor era urgente. E Paulo escreveu a Timóteo: “pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo” (2 Tm 4:2). E não há que temer a morte, pois Cristo usurpou o seu aguilhão na cruz: a morte é serva do Senhor, para levar de imediato o crente à Sua presença: e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Co 5:8).

“Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois: mais valeis vós do que muitos passarinhos” (vs.29-31).

Um “ceitil” naquele tempo era uma moeda de pouco valor. Que fato admirável de que o grande Deus Criador, o Pai de tudo, vê cair até mesmo um passarinho praticamente sem valor! Quanto mais atento estará ao bem-estar dos Seus “filhospor Jesus Cristo” (Ef 1:5), constatado pelo fato, ainda mais assombroso, de que Ele tem todos os nossos cabelos contados!

“Portanto, qualquer que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos céus” (vs.32-33). E, Paulo escreve a Timóteo: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com Ele, também com Ele viveremos. Se sofrermos, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará. Se formos infiéis, Ele permanece fiel: não pode negar-Se a Si mesmo” (2 Tm 2:11-13). Firme-se na graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que confessa um pobre pecador diante de Seu Pai, pecador esse salvo pela Sua graça, que Lhe reconheceu valor para O confessar diante dos homens.

“Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares” (vs.34-36). Cristo será, no Milênio, o “Príncipe da Paz” (Is 9:6).

Agora mesmo nos dá uma paz perfeita. Mas, ao entrar no mundo como Testemunha fiel de Deus, Cristo encontrou o mundo contra Si, porque, moralmente falando, Ele era a luz, mas “os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3:19). Por esta razão, os servos de Cristo encontrarão muita oposição, até mesmo no ambiente do seu próprio lar: filho contra pai, filha contra mãe, nora contra sogra.

Mas o que o Filho de Deus demanda é supremo. Assim, Ele afirma: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após Mim, não é digno de Mim” (vs.37-38). Somente o Criador tem o direito de reclamar o maior afeto do coração do homem. Temos assim nesta afirmação de Jesus uma prova da Sua Deidade. E não é suficiente amá-Lo mais que a outro ser; há que tomar a cruz e seguir após Ele, para ser digno d’Ele.

“Quem achar a sua vida perde-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim acha-la-á” (v.39). O Deus Eterno avalia a vida à luz da Eternidade: aquele que tem por lema: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1 Co 15:32), ou seja, o que vive para tudo quanto possa adquirir ou desfrutar para si no decurso da sua vida aqui, perde-la-á; já recebeu a sua recompensa, e no mundo vindouro nada mais terá. Ao contrário, o que se nega a si mesmo, por amor a Cristo, e tem por lema: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1:21), encontrará a vida.

“Quem vos recebe, a Mim Me recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo. E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (vs.40-42). Em primeiro lugar o Senhor deu a saber aos Seus discípulos que seriam rejeitados, tal como Ele foi; mas terminou o Seu discurso dando-lhes a saber que se alguns cressem na mensagem do reino dos céus, e, recebendo um apóstolo, estavam recebendo o próprio Senhor. Disse, igualmente, que qualquer que recebesse um profeta (ou seja, um servo do Senhor), em nome de profeta, teria a mesma recompensa. E, qualquer que desse um copo d’água fria a um dos mensageiros do Senhor, por muito humilde que fosse, não perderia a sua recompensa, pois, pelo fato de se compadecer de um servo o Senhor sedento, era como se estivesse fazendo-o a Cristo.

Pensamento: 

Breve vem o dia em que teremos que dar contas da maneira como empregamos tudo o que o Senhor nos confiou.

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