Origem: Revista Palavras de Edificação 18
Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios
(continuação do número anterior)
Capítulo 3:1-23
“E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tão pouco, ainda agora podeis; porque ainda sois carnais: pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (vs.1-3).
Que repreensão, tão dura, a que o apóstolo teve que fazer aos seus filhos espirituais, os crentes de Corinto! Por causa das suas “invejas, contendas e dissensões” ele teve que falar-lhes “como a meninos em Cristo”, e dar-lhes “leite”, porque eram carnais e andavam como homens naturais, ou seja, semelhantes aos descrentes.
E qual foi a causa dessas invejas, etc.? Paulo deu-lhes a conhecer o porquê: “Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” (v.4). Isto é o que sucede, amados irmãos, quando colocamos o nosso olhar no homem em vez de o colocarmos somente em Cristo. Os Coríntios estavam muito acostumados, a discutir entre si, as filosofias das suas diversas escolas (as dos “Epicureus e dos Estóicos”, etc.). Por isso, sendo Cristãos, conservaram a mesma tendência de formar escolas, já não de filosofia grega, mas sim de doutrinas com aparência de Cristãs. Além disso, admiravam certos líderes, o que Paulo reprovou quando disse: “sou de Paulo. Eu de Apolo” (1 Co 3:4).
Que diria Paulo se estivesse hoje em dia no mundo? Indubitavelmente que diria a mesma coisa: “Não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” Que vemos no cristianismo? Escolas de doutrina: batistas, episcopais, metodistas, pentecostais, presbiterianas, etc. Ignora-se totalmente que a Igreja que Cristo comprou com o Seu sangue precioso é uma; que todo o crente é um membro do “Corpo de Cristo”, e não de nenhuma escola de doutrina; um membro “da Igreja, que é o Seu corpo” (1 Co 12:27; Ef 1:22-23).
“Pois quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Pelo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus: vós sois lavoura de Deus” (vs.5-9).
Não importa quem seja o instrumento empregado por Deus: “Deus deu (é quem dá) o crescimento”. O homem não tem nenhuma importância. E, mesmo quando haja dois instrumentos, ou mais, não são mais do que servos de Deus: “cooperadores” (não líderes rivais de escolas de doutrina) de Deus. E os crentes são “lavoura de Deus” – propriedade d’Ele – não deste ou daquele pastor, nem de sumos pontífices.
“Vós sois edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (vs.9-11).
A Igreja, na sua constituição verdadeira, é “edifício de Deus”, não dos homens. Cristo disse: “Sobre esta pedra (a Sua própria Pessoa como o Filho do Deus vivo) edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão o contra ela” (Mt 16:16-18). Paulo, instrumento escolhido por Deus (At 9:15; Ef 3:3; Cl 1:24-26), pôs o fundamento de toda a doutrina da Igreja Cristã. Foi divinamente inspirado. Cristo é o fundamento da Igreja. Ele e a revelação divina acerca d’Ele são uma só coisa.
“E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (vs.12-15).
Este parágrafo, trata da responsabilidade dos que edificam sobre o fundamento que é Cristo. Os crentes que trabalham conforme a vontade, e a Palavra do Senhor, e edificam com o que se caracteriza como “ouro, prata, pedras preciosas” (as coisas que são de maior valor para os homens), receberão a sua recompensa. Os que introduzem idéias alheias à verdade e de padrões depravados, o que se descreve como “madeira, feno, palha”, hão de ver a sua obra queimada: o juízo de Deus, como fogo devorador a aniquilará. Porém, esses crentes, sendo por nascimento filhos de Deus, não perecerão, mas salvar-se-ão como pelo fogo. Ló, um homem justo, salvou-se da destruição de Sodoma, como pelo fogo, o qual reduziu a cinzas tudo o que Ló possuía. (Gn 19:23-29; 2 Pe 2:6-8).
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (vs.16-17).
Desde o dia de Pentecostes, quando o Senhor fundou a Igreja, até à Sua vinda para a arrebatar do mundo, o único templo reconhecido por Deus é o templo espiritual composto de “pedras vivas” (1 Pe 2:5), de crentes verdadeiros no Senhor Jesus Cristo, o fundamento. Quão digno é o lugar do pecador perdoado por Deus, renascido de Deus, tornado limpo com o sangue precioso de Cristo, selado com o Espírito Santo, colocado no edifício espiritual como uma pedra viva e um membro da Igreja que é o corpo de Cristo! “Sois o templo de Deus”.
Assim, “se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá”. Refere-se a uma pessoa que introduz doutrinas subversivas da doutrina Cristã. Idéias extravagantes, padrões depravados, e coisas tais, não são para a edificação espiritual da Igreja; porém, as “doutrinas de demônios” (2 Pe 2:1; 1 Tm 4:1) são destrutivas do fundamento da Igreja, negando a pessoa bendita do Filho de Deus. Tais heresias e doutrinas caracterizam os sistemas anti-Cristãos das assim chamadas “testemunhas de Jeová”, dos “mórmons” ou seja “igreja de Jesus Cristo dos santos dos últimos dias”, da “ciência Cristã”, do “adventismo do sétimo dia”, e outros tantos. O juízo de Deus que há de cair sobre os autores e líderes de tais sistemas anti-Cristãos será terrível. “Deus o destruirá”.
“Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos” (vs.18-20).
Desde o princípio que Deus zomba da sabedoria vaidosa dos homens. Por isso, Paulo citou do livro muito antigo de Jó: “Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (Jó 5:13); e dos Salmos, escritos mil anos antes do nascimento de Cristo: “O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade” (Sl 94:11). Para ser sábio diante de Deus uma pessoa tem que se fazer néscia no parecer dos homens. “Festo” zombou de Paulo dizendo-lhe “Estás louco, Paulo: as muitas letras te fazem delirar” (At 26:24).
“Portanto ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus” (vs.21-23).
Porque havemos de nos gloriar nos homens, amados irmãos? Pois em Cristo tudo é nosso: até a morte, como serva de Deus, que nos levará deste mundo de maldade à presença de Cristo, nosso amado Salvador. Somos de Cristo como Ele é de Deus. Posição maravilhosa e imutável!
Pensamento:
Se não há gozo verdadeiro, tão pouco há força espiritual. “A alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8:10). O segredo da nossa força é o conhecimento pessoal de Cristo e da nossa aceitação n’Ele perante Deus.
