Origem: Revista Palavras de Edificação 22
Concernente a Meu Irmão
“O amor cobre todas as transgressões” (Pv 10:12). Que maravilhosa declaração é esta! Implica em algo muito prático e ativo, nada teórico, pois é a marca característica pela qual os Cristãos são conhecidos (Jo 13:35). Amor é a diferença entre religião e cristianismo, entre sinceridade e o que é abstrato e superficial. É o único motivo para um serviço aceitável ao Senhor.
Este amor, posto por Deus no coração dos crentes (Rm 5:5), é o poder que nos capacita a agir como devemos. É amor que se regozija quando outros, e não nós, estão sendo louvados e honrados; amor que é grato quando o Senhor usa outros para promoção de Sua glória, sem inveja, ciúmes ou qualquer sentimento indigno que possamos imaginar.
O verdadeiro amor para com o povo do Senhor, sempre nos levará a nos esforçarmos, tendo maior consideração com os outros, do que com nós mesmos. O que mais poderia significar; a expressão “o amor cobre”? Talvez a mais prática demonstração disso é a ausência de fofocas e mexericos, nunca falando de nossos irmãos ou irmãs de uma maneira negativa. Deveríamos nos esquivar de expô-los a boatos. Quando soubermos de algo errado, é melhor que falemos com o Senhor sobre o assunto. Isso revela nossos sentimentos verdadeiros e nosso próprio estado espiritual. Quando espalhamos algo, toda a assembleia é afetada. Mas quando nos dirigimos ao Senhor, o Espírito Santo pode, em resposta às nossas orações, iniciar uma obra sobre o coração e consciência do infrator, para trazê-lo ao arrependimento ou humilhá-lo sob a disciplina do Senhor. Mas o amor para com nosso irmão vai mais além, induzindo-nos a tratar com ele de uma maneira terna e graciosa, com benignidade e mansidão, procurando ajudá-lo em sua dificuldade (Gl 6:1-2).
Há uma bela figura no Antigo Testamento (Êx 25:31-40), em conexão com o castiçal, que é muito instrutiva para nosso relacionamento entre irmãos. Um castiçal era, na verdade, uma pequena lâmpada ou lamparina contendo azeite de oliva e um pavio. O pavio iluminava somente algum tempo e logo se queimava formando uma crosta de carvão que necessitava ser retirada com os espevitadores. O Senhor havia dito a Moisés que fizesse um castiçal de ouro com sete lâmpadas, além de seus acendedores e apagadores de ouro puro.
Quanto mais leio a Bíblia, mais fico impressionado com a importância de cada palavra. O que podemos aprender de espevitadores e apagadores? Bem, se a lâmpada devia se manter acesa era necessário espevitá-la, ou seja, aparar o seu pavio algumas vezes. E se queremos brilhar constantemente por Cristo, haverá ocasiões quando teremos que julgar a nós mesmos na presença do Senhor, ou ficaremos exatamente como um pavio queimado que obscurece a luz. O sacerdote no Antigo Testamento entrava no Tabernáculo, e espevitava a lâmpada, usando um espevitador de ouro. Ouro, nas Escrituras, nos fala daquilo que é divino, e assim, o crente que precisa repreender a seu irmão deve aproximar-se dele em comunhão com o Senhor. Se for neste espírito será capaz de ajudá-lo.
O que o sacerdote fazia com o pavio queimado, quando o levava embora? Será que espalhava suas cinzas ao redor, para que caísse em sua túnica branca e em suas mãos, sujando a si mesmo e às vestes dos demais sacerdotes? Oh, não! Ele tomava aquele pavio negro e sujo e o colocava em um apagador de ouro e o cobria sem sujar ninguém. É isto o que o amor faz! Não divulga as falhas dos irmãos, mas as cobre na presença de Deus.
Quando Satanás não consegue fazer-nos indiferentes para com o pecado, ele tenta levar-nos ao outro extremo, fazendo com que julguemos sem nenhuma misericórdia. Davi parecia saber disso quando falou: “…caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu” (2 Sm 24:14). Há uma tendência em nós mesmos de sermos duros e impiedosos uns para com os outros, esquecendo-nos da graça e misericórdia com que Deus nos trata. Temos a recomendação do Espírito, “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4:32). Este é o perdão que inclui graça para perdoar.
Bom é para nós lembrarmo-nos que a igreja ou assembleia é uma congregação de pecadores arrependidos, e o céu é um lar para pecadores arrependidos. Assim como buscamos, por Sua graça, manter a verdade de Deus, possamos buscar também trazer diante de nós um sentimento de graça, misericórdia e paciência, pois tudo isso Ele nos tem demonstrado.
Traduzido de “Christian Truth – nov/80”
Pensamento:
Esforcemo-nos por ajudar uns aos outros de agora para sempre, e não permitamos que alguma coisa venha a impedir as nossas orações. Nossas dificuldades deveriam ser alimento para a fé – e não material para nossa queda e fracasso. Converta todas as dificuldades em oração.
