Origem: Revista Palavras de Edificação 27

Para que São os Milagres?

Vivemos em uma época de incredulidade. Os homens dizem não acreditar mais em milagres. Isto é dito não apenas entre ateus ou céticos, mas na própria cristandade, onde o evangelho derrama sua luz. Só falta a cristandade dar mais um passo em sua senda de incredulidade: repudiar o próprio Deus. Este passo será dado muito em breve quando o homem se endeusar na pessoa do filho da perdição, o anticristo, que é encontrado nas Escrituras (2 Ts 2:3-4). Quando isso acontecer, não haverá mais lugar para Deus e Seu Filho. Por incrível que possa parecer, nessa ocasião os homens estarão novamente crendo em milagres. “Sinais e prodígios de mentira” (2 Ts 2:9) irão se manifestar e serão cridos. Não é somente o céu que produz maravilhas – o inferno também as manifesta. Isto foi testemunhado por Moisés em sua época, e será testemunhado novamente no dia do anticristo.

A infidelidade, seja ela religiosa ou não, pode criticar os registros dos milagres de nosso Senhor, não obstante os milagres terem realmente sido feitos. O fato de, pelo menos, três dos evangelhos haverem sido escritos num espaço de poucos anos após a ascensão de nosso Senhor, quando ainda poderiam ter sido facilmente desmentidos pelos opositores, é suficiente para estabelecer a sua credibilidade, mesmo dentro de critérios puramente humanos. Mas quando levamos em conta o magnífico fato (no qual toda alma reverente crê) de que o Espírito de Deus é o autor dos evangelhos, qualquer dúvida é deixada de lado.

Mas, por que os milagres foram feitos? O próprio Salvador nos diz: “As obras que o Pai Me deu para realizar, as mesmas obras que Eu faço, testificam de Mim, que o Pai Me enviou” (Jo 5:36; Jo 10:25). Os milagres foram assim graciosamente concedidos como um auxílio à fé na Sua Pessoa e missão. É por isso que o Senhor disse a Filipe, “crede-Me, ao menos, por causa das mesmas obras” (Jo 14:11). É por isso também, que o Salvador lamenta em João 15:24: “Se Eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e Me aborreceram a Mim e a Meu Pai”. Por serem os milagres auxílios dados à fé, eram, sem exceção, atos de misericórdia; atos que deveriam ter motivado os sentimentos de todos os interessados, por revelarem o coração de Deus, em favor do homem.

Teria sido tão tolo superestimar o valor dos milagres, quanto mostrar desprezo por eles. Um auxílio à fé não deve ser confundido com o alicerce da fé. Uma fé alicerçada em milagres é de tão pouco valor que o próprio Salvador, quando foi procurado por tal classe de pessoas, Se negou a confiar nelas (Jo 2:23-25). A verdadeira fé está alicerçada na “Palavra de Deus” (Rm 10:17). Simão, o mago, foi atraído pelos milagres, e provou ser uma fraude; “o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente,procurava muito ouvir a Palavra de Deus”, e assim tornou-se um verdadeiro discípulo (At 8:13; At 13:7,12).

W. W. Fereday

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