Origem: Revista Palavras de Edificação 40
O Vínculo Matrimonial
O Que Diz a Escritura Acerca de Divórcio e novo Casamento
Introdução
É importante reconhecer que “casado” (1 Co 7:33), significa uma posição assumida por um tempo definido, e de uma forma que é reconhecida como tal pelas “potestades que há” (Rm 13:1). Quando um homem e uma mulher se unem, eles tornam-se “uma só carne” (1 Co 6:16), mas isso não é exatamente o matrimônio no sentido bíblico (Jo 4:18). O matrimônio é algo legal (“bodas”); algo que conta com um certo reconhecimento público do evento, como em João 2:1. O relacionamento matrimonial é a consumação do matrimônio. É fornicação se um homem e uma mulher têm um relacionamento fora do casamento (Gn 34:1-31; 1 Co 6:15-18). Até mesmo a esposa de Caim já era sua mulher quando tiveram uma relação (Gn 4:17).
Se uma pessoa casada comete adultério, seja homem ou mulher, torna-se “uma só carne” com o outro (1 Co 6:16), mas não é isso, em si, que rompe o matrimônio. É um pecado muito sério aos olhos de Deus, e exige a ação da assembleia (Gn 39:9; Pv 6:32-33; 1 Co 5:11-13). É também um sério pecado contra o cônjuge, pois rompe o vínculo que existe entre marido e mulher. Isso também derruba o solene governo de Deus (2 Sm 12:10), porém, legalmente, o matrimônio permanece, a menos que seja rompido diante das “potestades que há” (Rm 13:1). Portanto, a questão que gostaríamos de considerar neste artigo é esta: A Escritura nos permite que o matrimônio seja rompido diante das “potestades que há” (Rm 13:1), e com que fundamento? Deus permite um novo casamento, se o matrimônio for rompido de acordo com a Escritura? Em espírito de oração, as passagens na Escritura a seguir, mostrará a vontade de Deus neste assunto, mas cada caso é único e deve ser considerado diante do Senhor, o Único que pode dar a sabedoria necessária. É isto que significa discernimento sacerdotal (Lv 13:5-6), pois “o Senhor é o Deus da sabedoria, e por Ele são as obras pesadas na balança” (1 Sm 2:3).
Há, talvez, mais um ponto que deva ser mencionado aqui. É a questão de saber se a pessoa foi salva por ocasião de seu divórcio ou novo casamento. Se ele ou ela professou a salvação na ocasião, são considerados sob a responsabilidade da “casa de Deus” (1 Pe 4:17).
Não é nosso desejo divulgar qualquer novo ensinamento com relação a este assunto, mas uma vez que é colocado diante de nós pela pressão do triste colapso do matrimônio por todos os lados, procurou-se reunir o que tem sido ensinado por homens de Deus no passado que tremeram diante da Palavra de Deus. Gostaríamos de encomendar isto à consciência dos santos de Deus, desejando que possamos ser “unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Co 1:10).
O Vínculo Matrimonial – e …Divórcio e novo Casamento
Quando o assunto é o vínculo matrimonial, hesita-se em trazer à tona o pensamento acerca do divórcio e novo casamento, pois é muito mais desejável falar do plano de Deus para um matrimônio feliz. Além disso, é de grande encorajamento saber que há muitos casamentos assim, e para eles a própria palavra “divórcio” é desagradável e repulsiva (repugnante). De fato, lemos na Palavra de Deus que “o Senhor… diz que aborrece o repúdio” (Ml 2:16). Podemos dizer, logo no princípio deste artigo, que a Palavra de Deus nunca fala de alguém estar ‘livre’ para se divorciar, ou ‘livre’ para casar-se novamente. Deus “permitiu” (Mt 19:8), isto sob certas circunstâncias, mas é algo que nunca deve ser tratado levianamente.
Sob a lei, “por causa da dureza do vosso coração” (Mt 19:8), isto é, por ter sido a lei dirigida a Israel como nação, na qual muitos não tinham uma fé viva (Hb 4:2), Deus permitiu o divórcio por diversas razões (Dt 24:1). Agora, no Cristianismo, todo crente possui uma nova vida, e, sendo assim, o padrão torna-se muito mais elevado, como veremos nas várias passagens que serão consideradas aqui. Gostaríamos de falar antes do verdadeiro significado do matrimônio, pois quando temos isto diante de nós, passamos a ver o matrimônio na forma como ele é estabelecido por Deus, e não de acordo com as várias opiniões dos homens.
O Plano Original de Deus
O matrimônio foi instituído por Deus antes que o pecado entrasse no mundo – “deixará o varão o seu pai e sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24), – e por esta razão, quando os fariseus perguntaram ao Senhor acerca do divórcio e novo casamento em Mateus 19, Ele os levou de volta ao plano original de Deus quando formou Eva para Adão. O fato de Deus colocar um padrão diante de nós – a Sua vontade – é um princípio no caminho de Deus, e embora Ele possa permitir à fraqueza do homem (sem, contudo, ignorar), Ele julgará tudo de acordo com Seu padrão original. E por quê era o plano original para o matrimônio tão importante? Era uma figura de um plano elaborado muito antes no coração de Deus, pois aprendemos que era o “eterno propósito” de Deus (Ef 3:11), que Cristo tivesse uma noiva, e o matrimônio é uma figura disso (Ef 5:22-23). Também é usado como uma figura do relacionamento de Jeová com Israel, Seu povo terrenal (Is 54:5).
Quando vemos isso na Escritura, uma nova luz é lançada sobre o assunto do matrimônio – como nos mostra Efésios 5 – e torna o assunto do divórcio mais humilhante. Jeová mudará todas Suas promessas para Israel? E num dia vindouro, deixará Ele de regozijar-Se, apesar de toda a infidelidade, “como o noivo se alegra da noiva”? (Is 62:5). Não apresentará Cristo, em um dia vindouro, Sua noiva “a Si mesmo …sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5:27), apesar de toda sua infidelidade? Pensamentos como estes nos humilham, porém com certeza coloca sobre o matrimônio um caráter que não veríamos ou consideraríamos se o víssemos meramente do ponto de vista humano.
Um Matrimônio Feliz
Para se ter um matrimônio feliz precisamos pensar no amor que Cristo tem por Sua Igreja. Que tipo de Igreja Ele ama? Certamente, com frequência falhamos em corresponder ao Seu amor, mas Seu amor, por nós, sempre permaneceu o mesmo. O que Ele fez por Sua Igreja? Ele deu a Si mesmo por ela. Nenhum sacrifício foi grande demais para Ele nos ganhar para Si, e ter-nos como Sua eterna companhia em glória. Sem dúvida, se lembrássemos desse amor e desse sacrifício voluntário, muitas dificuldades no matrimônio seriam superadas, e o amor de um para com o outro iria se aprofundar em vez de enfraquecer. Tendemos a buscar por amor em vez de demonstrá-lo; esperarmos que nosso cônjuge faça sacrifícios, em vez de nós mesmos fazermos sacrifícios.
Então também, há o perdão, que Cristo nos mostra em tempos de fracasso. Aquele que carregou nossos pecados em Seu próprio corpo sobre o madeiro – “levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2:24), – vive agora por nós como nosso Grande Sumo Sacerdote para nos ajudar em nossas fraquezas, e como nosso Advogado para nos restaurar quando falhamos. Estamos prontos para perdoar um ao outro, em vez de considerar o rompimento de um matrimônio? Temos assim um padrão perfeito para o relacionamento no casamento na Palavra de Deus, e, acima de tudo, o poder do Espírito Santo para realizar (proteger/satisfazer), em nossa vida, todas as coisas que são agradáveis ao nosso Senhor e Salvador. Se alguém, ao ler estas linhas, estiver passando por algum problema no casamento, rogo a você considerar estas coisas diante do Senhor, e se parecer difícil, lembre-se do que diz a Escritura: Ele “dá maior graça” (Tg 4:6).
“Pois das Suas infinitas riquezas em Jesus,
Ele dá, e dá, e dá novamente.”
O Lugar do Homem e da Mulher
Há mais uma coisa a ser considerada, por mais impopular que pareça em nossos dias, que é o lugar do homem e o lugar da mulher na criação de Deus e no casamento. Deus colocou o homem como cabeça da mulher e requer que a mulher lhe esteja sujeita, assim como “Cristo é o Cabeça da Igreja” e o lugar da Igreja é de submissão a Cristo (Ef 5:22-24). Não se trata do homem ter assumido o lugar de cabeça, e sim de ter sido colocado nesse lugar por Deus. O homem pode falhar – e falhou em ocupar seu lugar, por não guardá-lo com sabedoria e amor – mas ainda assim é o seu lugar. Uma esposa sábia procurará ajudar seu marido a ocupar o lugar que pertence a ele, e não tentará tomar para si mesma esse lugar. Uma esposa pode falhar em ocupar seu próprio lugar como uma auxiliadora para seu marido, mas um marido sábio procurará ganhar o respeito de sua esposa a fim de tornar mais fácil para ela se submeter. Todas estas coisas são como o “óleo nas engrenagens” que faz com que as coisas funcionem suavemente. Às vezes nós também temos que colocar um pouco de óleo! O óleo, sem dúvida, é o amor, feito eficaz pelo Espírito Santo.
A Responsabilidade do Crente
Tendo falado do segredo de um casamento feliz, devemos falar agora do que Deus ordenou acerca do divórcio e novo casamento. Se um dos cônjuges ou ambos, em questão, fosse incrédulo na ocasião, não seriam tão responsáveis como os crentes, pois a Escritura diz: “ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá” (Lc 12:48). Sabemos que um incrédulo não possui uma nova vida, e não é habitado pelo Espírito Santo, portanto vemos que, enquanto, Deus não diminui o padrão de Sua santidade – NUNCA, – Ele faz provisão, como fez em Corinto, pelo que aqueles ali haviam feito, antes de serem “lavados” (1 Co 6:9-11). Alguns tiveram tristes e terríveis recordações antes de serem salvos, e quando receberam Cristo como seu Salvador, não somente foram “lavados” de todo pecado no precioso “sangue de Jesus Cristo” (1 Jo 1:7), mas receberam a “lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3:4-7). Eles começaram de novo, como nova criatura em Cristo – “em Cristo, nova criatura é” (2 Co 5:17), – e embora possam ter que colher muitas tristezas, “porque… semeia na sua carne” (Gl 6:7-8), foram recebidos na assembleia em Corinto em uma nova posição de responsabilidade, pois “comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pe 4:17).
Aqueles que fizeram uma profissão de fé em Cristo colocaram-se sob o governo da casa de Deus, e lemos no Salmo 93:5, “Mui fiéis são os Teus testemunhos: a santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre”. Assim, também, a colheita passa a ser muito mais séria, pois “ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá” (Lc 12:48). Deus disse a Israel, “de todas as famílias da Terra a vós somente conheci; portanto, todas as vossas injustiças visitarei sobre vós” (Am 3:2). Quando olhamos para os padrões de Deus no que concerne ao divórcio e novo casamento, devemos ter em mente que se uma pessoa coloca-se nessa posição (divórcio e novo casamento) como um crente professante, ele tem muito mais responsabilidade do que um incrédulo. Sente-se que este é um ponto sério e importante a considerar em relação à medida da culpa. A Escritura diz, “o servo que soube a vontade de Seu Senhor, e não se aprontou, nem fez conforme Sua vontade, será castigado com muitos açoites, mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado” (Lc 12:47-48). A assembleia terá que considerar estas coisas quando alguém pede para ser recebido à mesa do Senhor.
Nos comentários que se seguem, procuramos as várias passagens do Novo Testamento que falam do divórcio e novo casamento, e fizemos alguns poucos e simples comentários naquilo que acreditamos ser o que a Palavra de Deus ensina, e como se aplica à assembleia. É importante ter em mente que, se um casamento é chamado “adultério” de acordo com a verdade de Deus, então o tempo não o mudará – ele subsistirá, até que a morte rompa o vínculo anterior. Quão importante é considerar isto antes de entrar num relacionamento não permitido por Deus. Quão sério é isto diante de Deus! Que perda de privilégio Cristão isso traz!
Divórcio e Novo Casamento
Sem dúvida alguma as passagens seguintes aplicam-se tanto ao homem como à mulher; ‘ele’ ou ‘ela’. Isto é confirmado por Marcos 10:2-12.
Mateus 5:31-32
Sob a lei, ao homem era permitido dar à sua esposa uma “carta de divórcio”, se ele assim o desejasse, e, deste modo, “repudiar sua mulher”.
O Senhor Jesus disse nessa passagem da Escritura que, se agora um homem “repudiar sua mulher” por qualquer outra razão “a não ser por causa de prostituição [fornicação – JND], faz que ela cometa adultério”. Isto é, ele é moralmente responsável perante Deus se, após “repudiar sua mulher” (exceto “por causa de prostituição” [fornicação – JND]), ela cometer adultério. No original grego, em que foi escrito o Novo Testamento, a palavra traduzida como “repudiar” é a mesma palavra grega usada para “divórcio”.
Isto é muito solene, e nos mostra que não se trata de como o homem “repudiar sua mulher” (uma vez que “repudiar” e “divórcio” são uma mesma palavra grega), se ele a “repudiar” por qualquer outra razão “a não ser por …prostituição [fornicação – JND]”, ele é a causa se ela, posteriormente, cair em pecado. Nesse caso ela é responsável por cometer adultério, mas o Senhor Jesus disse que ele também é culpado por “causar” isso. Isto nos faz compreender a seriedade de uma separação legal permanente que, se conseguida como uma forma moderada de repúdio, poderia fazer alguém moralmente responsável diante de Deus pelo pecado de adultério (Leia 1 Co 7:5). O Senhor Jesus disse também que se alguém se casar com a mulher culpada, ele cometeria adultério por tal casamento.
Mateus 19:3-12
Ao homem não é permitido “repudiar sua mulher” por nenhuma outra razão “a não ser por …prostituição [fornicação – JND]”. Se ele a repudiar por qualquer outra razão, e então casar-se novamente com outra, ele torna-se culpado de adultério nesse casamento.
Se alguém viesse a se casar com a pessoa repudiada por causa de fornicação, esse se tornaria culpado de adultério nesse casamento.
O inocente, (isto é, não aquele que quebrou o laço matrimonial por fornicação), não está proibido de casar-se novamente. O Senhor não recomenda um tal matrimônio, mas disse, quando questionado pelos discípulos sobre esta situação: “Quem pode receber isto, receba-o” (Mt 19:12). Creio que o Senhor estava ensinando que um crente pode muito bem hesitar se deve julgar sábio um casamento assim, mas não é proibido.
Marcos 10:2-12; Lucas 16:18
Em Marcos 10, notamos que o Senhor fala de ambos, marido ou esposa repudiando seu ou sua parceira, mostrando que Suas instruções referentes ao divórcio aplicam-se a ambos, homem ou mulher. Nenhuma destas passagens da Escritura menciona a única exceção (fornicação), pois creio que é importante perceber que o Senhor “aborrece o repúdio” (Ml 2:14-16), embora as outras duas passagens da Escritura, citadas anteriormente em Mateus, mostrem que Ele permitiu isso no caso de fornicação. A razão de sua omissão aqui é, sem dúvida, por Ele querer nos ensinar a nunca olharmos de maneira leviana para o laço matrimonial, pois é uma figura de Cristo e a Igreja. Como Cristãos possuímos uma nova vida, de forma que o cônjuge ofendido pode perdoar em vez de divorciar. Este é, sem dúvida, o “caminho ainda mais excelente” (1 Co 12:31; 13:1-8).
Romanos 7:2-3
Estes versículos referem-se ao adultério, enquanto o vínculo matrimonial ainda existe. O assunto da fidelidade no matrimônio é apresentado aqui como figura de uma verdade espiritual. Deus pretendia que o vínculo matrimonial fosse quebrado somente pela morte (ou pela vinda do Senhor), e a questão do divórcio não é considerada aqui. No entanto, os versículos em Mateus 19, nos mostram que a fornicação rompeu o vínculo, e portanto o divórcio foi permitido quando o vínculo foi quebrado pela fornicação. O divórcio era, então, o procedimento legal, porque “as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13:1), e perante Deus, a fornicação já havia rompido o vínculo. O divórcio, nesse caso, não era requerido, mas permitido. A graça de Deus poderia capacitar alguém a perdoar o cônjuge culpado em vez de repudiá-lo ou divorciar-se. “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4:32).
1 Coríntios 7:15
Nesta passagem é tratado o assunto da separação, e está evidente que o Cristão é instruído a não deixar o seu cônjuge. Se ele ou ela “se apartar, que fique sem casar” (1 Co 7:11). Se, no entanto, o cônjuge incrédulo “se apartar”, lemos que “neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão” (1 Co 7:15). A expressão “não está sujeito” está se referindo ao versículo 39, onde lemos que “a mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive”. Se, no entanto, o marido ou a esposa é intencionalmente abandonado e divorciado pelo cônjuge incrédulo, aquele não continua mais “ligado” ao relacionamento matrimonial.
Certamente, cada caso deve ser examinado diante do Senhor, para que se veja se foram feitas todas as tentativas de efetuar uma reconciliação, e se o cônjuge não foi levado a isso em virtude de um tratamento cruel, mas se o cônjuge incrédulo de intencionalmente abandonar o seu parceiro ou sua parceira, e se divorciar, o Cristão, então, “não está sujeito” ao relacionamento matrimonial, e nem há aqui qualquer mandamento (como havia no caso do versículo 11) proibindo um novo casamento nesse caso.
1 Coríntios 6:9-11
Se o divórcio (e talvez o novo casamento) aconteceu antes da pessoa ter sido salva, deveria ser explicado claramente a ele ou a ela (ou ambos), que como Cristãos eles deveriam entender a ordem de Deus quanto ao divórcio e novo casamento. O passado poderia não estar totalmente esquecido, pois colhemos aquilo que semeamos – “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” – (Gl 6:7). No entanto vemos isso, na assembleia de Corinto, havia muitos pecados cometidos no tempo em que não eram salvos, que exigiriam disciplina da assembleia se já fossem salvos, pois “comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pe 4:17). Eles foram recebidos como estavam, quando salvos, como novas criaturas em Cristo, tendo sido salvos “pela lavagem da regeneração” (Tt 3:5). Agora era para “aplicar-se às boas obras” (Tt 3:3-8), e estavam sob a disciplina da assembleia de Deus* (1 Co 5:12).
{N.T. O termo “assembleia de Deus” é usado aqui no sentido da Igreja conforme encontrada na Escritura. Nada tem a ver com a denominação adotada por certa organização religiosa.}
Romanos 6:17
É importante ver que nossa obediência deve ser “de todo o coração” (Cl 3:23). Deus deseja obediência por amor a Ele. Um caso pode estar tecnicamente claro de acordo com a Escritura, mas podem existir circunstâncias, como uma atitude que afaste o parceiro, ou mesmo violência, ou tentativa de forçar o outro, que pode perturbar um lar, assim um Cristão pode fazer seu cônjuge o abandonar, ou mesmo obter o divórcio. Exige-se um discernimento sacerdotal em cada caso, como era o sacerdote em Israel quando tinha que discernir se a lepra estava ativa quando as aparências eram incertas (Lv 13:4-8), de forma que a santidade da casa de Deus é mantida em cada detalhe. “Mui fiéis são os Teus testemunhos: a santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre” (Sl 93:5).
Não se trata de sermos superiores ao mal em nós mesmos, mas porque Aquele que é o Centro “o Que é santo, o Que é verdadeiro” (Ap 3:7). Em todas as instâncias em que tais casos tenham que ser levados à assembleia, devíamos tomar nosso lugar como fazendo parte do fracasso e comer da oferta pelo pecado “no lugar santo” (Lv 6:26; Lv 10:17). Nunca devemos esquecer que o Senhor “aborrece o repúdio” (Ml 2:14-16), e que o divórcio foi permitido “por causa da dureza do vosso coração” (Mt 19:8 – ARA). O amor no matrimônio pode superar – e superará – muitas dificuldades.
Que o Senhor possa nos guardar nesses últimos dias, no caminho da obediência, sabendo que “um pouco de fermento faz levedar toda a massa” (1 Co 5:6), e que qualquer mal não julgado contamina a assembleia que permite que permaneça sem julgamento. O inimigo procura destruir o lar Cristão e a assembleia de Deus, e precisamos da Palavra de Deus para nos dirigir, do amor de Cristo para nos constranger, e do poder de Deus para nos guardar.
“Ó Cordeiro de Deus continua nos guardando
Perto do Teu lado traspassado;
É só lá em segurança
e paz que podemos permanecer”
L.F. 318.
