Origem: Revista Palavras de Edificação 40

“Considerai a Jesus Cristo”

Hb 3:1-6; Hb 12:1-3

A superioridade humana sobre outras criaturas encontra-se na mente e no coração. Os anjos se sobressaem em força, e nunca é mencionado que eles sejam feitos à imagem de Deus. O coração do homem é muito amplo, e há apenas Um que pode preenchê-lo. Quando o Senhor encontra-Se diante de nós, temos Aquele que pode preencher, e preenche, o coração e a mente.

As passagens citadas acima colocam o Senhor diante de nós de duas, ou talvez três, maneiras diferentes. Ele nos é apresentado de diversas maneiras nas Escrituras. Às vezes, O vemos em Sua glória eterna; então, em sua Humanidade, e logo a seguir em Sua glória novamente. Sua glória é magnífica, e muitas são as Suas glórias. O pai de José o amava, e lhe fez uma “túnica de várias cores” (Gn 37:23, Gn 37:32). Aplique isto em tipo ao Senhor Jesus. Ele tem glórias pessoais, e glórias que Lhe foram dadas.

“Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial”. Quanta coisa há nestas poucas palavras! “Considerai a Jesus Cristo, Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão” (Hb 3:1). Seu apostolado foi na Terra; Seu sumo sacerdócio é no céu. Consideremos estas duas coisas: primeiro, qual é a nossa confissão? É esta – Deus é conhecido, é revelado, não está mais oculto, não está mais envolto numa escuridão. “Deus é luz, e não há n’Ele trevas nenhumas” (1 Jo 1:5). Em 1 João 4 temos “Deus é caridade [amor – ARA] (1 Jo 4:8, 1 Jo 4:16), duas vezes, mas no primeiro capítulo está que “Deus é luz”.

A próxima coisa a considerar é onde Deus está, ou seja, “na luz” (Jo 1:1-9). Há muitas coisas que Ele disse aos profetas da antiguidade acerca de Si mesmo, – “Deus nunca foi visto por alguém” – mas quando Ele Se revela, o faz somente na pessoa de Seu Filho (Jo 1:18).

O Apóstolo da nossa confissão 

Hebreus 1, onde temos o Senhor como o Apóstolo de nossa confissão, começa: “Deus, tendo falado muitas vezes e de muitas maneiras anteriormente aos pais nos profetas, no fim destes dias nos falou na pessoa do Filho” (Hb 1:1-2 – JND). E, depois de haver chamado a nossa atenção para aquela Pessoa, diz, “O qual, sendo o resplendor da Sua glória, e a expressa imagem da Sua pessoa, e sustentando todas as coisas, pela palavra do Seu poder, havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-Se à destra da majestade nas alturas” (Hb 1:3). Tal é a nossa confissão, da qual o Senhor é o Apóstolo. Que assunto para considerarmos!

Grande Sumo Sacerdote 

Como “Grande Sumo Sacerdote” (Hb 4:14), nós O vemos no céu, como Aquele que é qualificado para nos sustentar nas circunstâncias da fé. Também O vemos como Aquele que vive dentro do véu, e “que não possa compadecer-se das nossas fraquezas” (Hb 4:15). Sua Advocacia (1 Jo 2:1) é outra coisa; é a graça que restaura nossas almas se extraviamos e pecamos. “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. Ali está o Senhor como restaurador de nossa alma, Ele leva a alma de volta à comunhão do parentesco ao qual fomos introduzidos.

Como “Sumo Sacerdote”, Ele nos sustenta em meio às dificuldades, e somos exortados a considerá-Lo em Sua capacidade. Em Hebreus 5, o sacerdócio é a posição à qual Ele foi chamado, e ali Ele nos sustenta. Quão precioso isto torna o Senhor para nós; Ele que sentiu o que sentimos, passou por tudo o que passamos. Acaso sabemos o que é considerar o Senhor sob este aspecto? Trata-se de uma verdade das mais sustentadoras, quando em meio à dor, conhecê-Lo assim; Àquele que vive em simpatizante amor por nós.

Filho sobre a Casa de Deus 

Outro assunto, é a posição que Ele ocupa na casa de Deus. Deus tem uma casa neste mundo. “Para que saibais como convém andar na casa de Deus” (1 Tm 3:15). O lugar da habitação de Deus sobre a Terra encontra-se em meio ao Seu povo. O lugar que o Senhor Jesus ocupa na casa não é o lugar de um servo na casa, mas Ele é Filho sobre ela. Moisés era um servo na casa, e foi fiel Àquele que o chamou. O Senhor Jesus é um Filho sobre a casa, e “fiel ao que O constituiu” (Hb 3:2). Nós O temos em Apocalipse, capítulos 1 ao 3, como Filho sobre a casa nas mensagens às Igrejas. “Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus (Ap 3:2). É o Senhor tomando conta daquilo que está acontecendo à casa de Deus.

Autor e Consumador da fé 

Em Hebreus 12, encontramos o Senhor, não como Apóstolo e nem como Sumo Sacerdote, mas como “Autor e Consumador da fé” (Hb 12:2). Ele começou e completou aquele caminho em toda a perfeição.

Nestes três aspectos somos chamados a considerá-Lo: como “Apóstolo”, “Grande Sumo Sacerdote”, e como “Autor e Consumador da fé, o Qual pelo gozo que Lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a afronta e assentou-Se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2).

Ele foi mantido naquele caminho de fé; o que O mantinha? Aquilo que estava no fim – “pelo gozo. O que pode nos manter no caminho da fé, tão assolados por dificuldades do começo ao fim? Uma maneira de sermos derrotados é ficarmos ocupados com as dificuldades; precisamos olhar para Ele. Portanto, “Considerai pois Aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra Si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos” (Hb 12:3). Se ficarmos ocupados com as circunstâncias, desfaleceremos em nossos ânimos; precisamos ter um alvo diante de nós.

Paulo disse, “para ver se de alguma maneira posso chegar” (Fp 3:11). O alvo estava diante dele. Se alguém, ao subir uma ladeira íngreme, tiver sua mente ocupada com algo mais além, logo alcançará o topo. Mantenha os olhos em Cristo, e o coração estará sustentado.

Se voltarmos ao primeiro capítulo, nós O encontraremos “à destra da majestade nas alturas” (Hb 1:3). Trata-se de outro aspecto.

Com estes poucos pensamentos diante de nós, consideremos a Ele, o “Apóstolo”, “Grande Sumo Sacerdote”, e Aquele que permaneceu firme, para não nos amedrontarmos e desfalecermos em nossos ânimos. Seja longo ou curto, o caminho é difícil. O que nos capacita a suportá-lo, é considerarmos Aquele que foi antes de nós e atingiu o alvo.

W. Potter

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