Origem: Revista Palavras de Edificação 42

O Egoísmo do Homem e o Amor De Deus

No evangelho de Lucas, Deus e o homem podem ser ouvidos fazendo precisamente a mesma pergunta. Consideremos rapidamente ambos.

No capítulo 12, somos apresentados a um rico fazendeiro. Deus é visto coroando providencialmente toda a prosperidade que esse homem já possuía com a dádiva de uma colheita tão ricamente abundante que na realidade ele não tem espaço no celeiro para a exuberante abundância. Ele observa seus campos de cereal ondulando ao vento, e mede cuidadosamente a capacidade dos depósitos existentes, e então, faz a significativa pergunta: “Que (Eu) farei?” (Lc 12:17). A resposta que se segue tão somente demonstra, de forma clara, onde está o seu coração. Quatro vezes em poucas linhas ele diz “EU”: (Eu) farei isto: (Eu) derribarei, (Eu) edificarei, …e (Eu) recolherei” (Lc 12:18); mas tudo isso em conexão com sua abundância e seu proveito próprio. Nada menos do que dez vezes em poucas linhas ele usa as significantes palavras “Eu” e “meu” ou “minha” (Lc 12:17-19). No que diz respeito a Deus, não há lugar para Ele nos pensamentos do homem. Deus está completamente excluído. Só há lugar para o eu, eu, e somente eu, desde o começo ao fim da história – (Lc 12:17-19)…meus celeiros, minhas novidades, meus bens” (Lc 12:17-19). – O seu egoísmo deve reinar supremo e Deus deve ficar de fora.

Devemos recordar aqui que todo fazendeiro em Israel era apenas um meeiro ou arrendatário. Todo judeu devia compreender isto. Ele possuía a terra sob certas condições divinamente estabelecidas. A terra era de Deus; e antes que qualquer desses arrendatários tivesse tomado posse dela, Deus havia estabelecido regras bem claras acerca da terra, e a mão de Seu servo Moisés havia escrito isso para que todos estivessem certos de compreender bem. Veja Levítico 25:23: “Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha”. Em vez de reconhecer isto, o rico fazendeiro é visto expulsando completamente a Deus; até que o aviso de despejo que o homem recebeu – “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12:20) – provou que, apesar de tudo, ele não passava de um arrendatário, pois juntamente com o aviso de despejo vem a pergunta: “E o que tens preparado para quem será?” (Lc 12:20).

Mas agora temos um agradável contraste. Na “parábola da vinha” (Lc 20:9) Deus é distintamente apresentado a nós como o dono da vinha. Como tal Ele naturalmente requer a porção do fruto que, por direito, é devido a Ele. Em vez de receber fruto, no entanto, vemos que Seus servos recebem apenas ferimentos e contusões; e é em vista desse tratamento vergonhoso que parte de Deus a pergunta vital. Neste ponto nós O ouvimos perguntar: “Que farei?” (Lc 20:13).

Já vimos o homem fazendo esta pergunta, e ouvimos sua resposta: (Eu) farei isto”; satisfarei a mim mesmo e deixarei Deus de fora. E Deus, por sua vez, deixará o homem de fora? Ó Deus de graça inigualável, qual será a Tua resposta? – “Mandarei o Meu Filho amado” (Lc 20:13). Que decisão três vezes bendita!

Se Deus houvesse dito, “Varrerei da face da Terra esses ingratos: eles são uma mancha em Minha bela Criação; uma constante desonra ao Meu santo nome, e vou, em juízo consumidor, pôr um fim a toda raça para sempre” – quem é que poderia acusá-Lo de injusto agindo assim?

Mas, em vez disso, Ele disse: “Mandarei o Meu Filho amado” (Lc 20:13); esta foi Sua maravilhosa resposta. Em vez de colocar de lado o homem para sempre, Ele decidiu enviar Seu amado Filho na forma humana, como Seu apelo final por fruto vindo do homem.

Quem não conhece o resultado, em como a finalidade do apelo de Deus tão somente expôs mais o homem à luz da completa estatura de sua impiedade e egoísmo? “Vinde, matemo-Lo”, eles disseram, “para que a herança seja nossa” (Lc 20:14). Os anjos poderiam ter dito: “Com certeza isto irá selar a eterna perdição da raça humana”. Mas não foi assim. Nem isso seria suficiente para frustrar os propósitos da graça. Deus usaria esse próprio ato de impiedade como o meio de tirar o pecado do homem e garantir-lhe o gozo de Sua própria presença eterna. Que maravilha! Leia um ou dois dos últimos versículos deste mesmo evangelho – Lucas 24:46-47: “E assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos; e em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. É como se Deus mesmo dissesse: “Digam ao pior de todos que eu estou preparado para perdoá-lo e abençoá-lo”. Que Deus!

Que maravilha, então, o contraste entre os planos do homem e os propósitos de Deus.

O homem diz: “Tudo que tenho vou segurar cuidadosamente para mim mesmo e, deixando Deus de fora, vou desfrutar de meus muitos bens por longos anos”.

Deus diz: “Eu Darei tudo que Eu tenho para assegurar a libertação do homem, e então introduzi-lo naquilo que Me pertence: no completo gozo. E isto ele desfrutará, não por longos anos, mas pela ETERNIDADE”.

Leitor, você já se reconciliou com Deus? Se ainda não, assegure-se de fazê-lo de uma vez para sempre.

G. Cutting

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