Origem: Livro: A Procura por uma Assembleia Reunida Biblicamente
O Visitante Ocasional
W. Potter disse: “Eu não me sinto feliz tendo que pensar que às vezes a mesa do Senhor se torna, por assim dizer, uma conveniência. Por exemplo, alguns entre nós têm parentes que os visitam. Eles são membros de alguma denominação, mas vêm com seus parentes à reunião e desejam participar conosco da ceia ‘simplesmente como Cristãos’. A mim me parece que uma consciência correta e íntegra os levaria às suas igrejas. Eles simplesmente vêm pela ocasião da visita, porque eles não se importam em se separarem dos amigos por um momento. Nesse ponto eu não estou feliz”.
“Parece-me que, em tais casos, a nossa responsabilidade não é a de recusar a participação deles, mas de colocá-los a par da razão pela qual estamos reunidos; que a nossa posição é um protesto prático contra a falta de base bíblica das denominações, e que eles, ao participarem conosco no ato da ceia naquele momento, identificam-se conosco nessa posição, que é de protesto contra aquilo que eles estão conectados e defendem confessadamente. Estariam eles dispostos, mesmo que por um momento, a se identificarem conosco? Onde as almas estão exercitadas, é outra questão, e parece-me que alguém se sentiria realmente muito à vontade em sentar-se à mesa com eles”.
“Não é o exercício da alma o que importa? Assim nenhuma regra pode ser estabelecida. Certamente não viria do Senhor a exigência de que uma alma piedosa e exercitada, conectada com qualquer uma das, por assim dizer, denominações tradicionais, cortasse seus laços com a sua igreja, antes que permitíssemos que participasse conosco à mesa. Parece-me que fazer isso é negar praticamente o terreno sobre o qual estamos reunidos”.
“Em relação às reuniões que se professam estar reunidas ao nome do Senhor, eu acredito tratarem-se totalmente de outra questão. Eles professam estar reunidos ao Seu nome, e devem saber porque estão separados de nós e nós deles. Se alguns deles têm o desejo de participar da mesa conosco, as suas razões para isso devem ser examinadas e medidas tomadas de acordo com o que for encontrado. Há sempre mais conhecimento entre eles, com relação à verdade divina, do que com os santos nas denominações, e creio que, de modo geral, eles não são tão ignorantes das causas das divisões entre nós, como alguns deles, às vezes, fazem-nos pensar”.
Em Israel havia “porteiros” e “guardadores da entrada” que cuidavam dos portões e guardavam as portas da casa de Deus (1 Cr 9:17-27). O dever deles era deixar entrar os que deveriam estar dentro e recusar a admissão dos que deveriam ser mantidos fora. Da mesma forma hoje, em uma assembleia nos moldes bíblicos, haverá este tipo de cuidado.
Outra figura no Velho Testamento demonstra esse cuidado no recebimento. Quando a cidade de Jerusalém, o centro divino na Terra onde o Senhor colocou Seu nome, foi reconstruída nos dias de Neemias, havia ao seu redor grande perigo por conta dos inimigos. Consequentemente, eles não abriam as portas para permitir que as pessoas adentrassem à cidade até que “o Sol aquecesse” [literalmente “meio-dia”] (Ne 7:1-3.). Eles se certificavam de que não havia nenhum vestígio de “escuridão” ao redor antes de receberem as pessoas na cidade. Até aquele momento, os que queriam entrar tinham que esperar. Enquanto a escuridão na Cristandade aumenta nestes últimos dias, cuidado deste tipo é necessário no recebimento.
