Origem: Revista O Cristão – Deus é Amor
Amor e Graça
Na mente de muitos, esses termos são intercambiáveis, mas isso é errôneo. O amor deve ser recíproco, mas a graça é unilateral. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19 – ARA). Deus é amor; isso é uma descrição do que Deus é. Seria incongruente dizer: “Deus é graça”. Ele é gracioso, o Deus da graça, o Deus que dá, mas a graça não é recíproca; age apenas em um sentido, isto é, de Deus para o homem. Deus Se manifestou como o Deus de graça em dar Seu Filho, mas obviamente a graça não pode fluir em retorno do homem para Deus, embora exista uma transmissão adicional de graça para aqueles ao seu redor, para aqueles que a recebem. Assim, a Epístola aos Efésios termina com a invocação de que a graça (a do Senhor Jesus Cristo) possa estar com todo Cristão verdadeiro. Originalmente, a graça flui de Deus e, após permear os Cristãos individualmente, transborda e forma o meio entre eles, mas ela não para aí; vai fora da esfera Cristã para os estranhos ao redor! O que sai da boca do Cristão deve ser bom para a edificação, para que possa ministrar graça ao ouvinte; isso alcançará mais do que apenas os Cristãos (Efésios 4:29).
O amor que subsistia reciprocamente entre o Pai e o Filho antes de existir o tempo continuou enquanto o Filho esteve aqui e é o mesmo agora em Seu lugar de exaltação. Mas a graça não poderia existir, até que houvesse a necessidade do homem em consequência da entrada do pecado. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5:20). O reino do pecado para a morte é suplantado pelo reino da graça para a vida eterna, por causa da justiça ter sido consumada por Jesus Cristo, nosso Senhor (Romanos 5:20-21).
O reino da graça tem o objetivo de levar o homem ao gozo do amor de Deus. O reino da graça terminará quando a justiça se tornar dominante no mundo vindouro. A graça remove todo obstáculo para esse fim e derruba toda a oposição à autoridade do Senhor. Quem poderia ter previsto o rebaixamento de Saulo de Tarso do estado de um fariseu dominador ao de um humilde obreiro no serviço de Deus? A graça terá então cumprido o seu propósito, mas o amor continuará. Deus finalmente descansará em Seu amor. Ele Se regozijará sobre uma criação redimida, a qual Ele terá levado a descansar em Seu amor. Mas há um aspecto presente para o Cristão. A apropriação desse amor é dificultada pelo medo ou apreensão! “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena”. “Nisto é aperfeiçoado (completo) em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos também nós neste mundo” (1 João 4:17-18). “Qual Ele é” implica estar na atmosfera de amor que envolve o Pai e o Filho. Não é “qual Ele é, seremos”, mas “qual Ele é, somos” neste mundo. Se percebermos que somos amados como Cristo é amado, podemos ter algum receio quanto ao presente ou ao futuro?
T. Oliver (adaptado)
