Origem: Revista O Cristão – Deus é Amor
O Presente Amor de Deus
“Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo” (2 Ts 3:5).
O amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Assim diz o testemunho de Romanos 5:5. É o próprio amor de Deus para conosco, não o nosso amor por Ele – amor que se eleva muito acima de todo amor terrenal, por maior que seja. O amor de amigo por amigo pode ser maravilhoso, assim como o amor de Jônatas por Davi, e o amor de uma mãe por seu filho é terno e incansável, mas o amor de Deus para conosco – Seu próprio amor – é incomparavelmente maior e é tanto mais belo, porque nada havia em nós que o despertasse. Ele nos amou quando éramos pecadores e deu Seu Filho para morrer por nós. Nunca podemos duvidar desse amor quando contemplamos a cruz. O amor ali se esvaziou. Ele deu tudo por nós – por você, por mim.
Incredulidade ao amor de Deus
Que resposta é essa para a mentira de Satanás no jardim do Éden! Lá, ele conseguiu persuadir Eva de que Deus escondia algo que seria bom para ela ter. Oh, que colheita de tristeza, lágrimas, angústia e morte se seguiu àquela incredulidade ao amor de Deus! Mas esse amor, colocado em dúvida e desacreditado no Éden, se manifestou no Calvário. Como? Ele não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós. Lá aprendemos o poderoso e imensurável amor de Deus.
E esse amor perfeito lança fora o medo. Necessariamente assim o faz, pois como poderíamos ter medo d’Aquele que nos ama com amor perfeito? Ora, o amor de Deus é perfeito, e também santo, pois Ele levou em conta os nossos pecados e demonstrou Seu amor exatamente naquilo que os removeu. “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4:10).
Não desejaríamos que Deus pensasse levianamente em nossos pecados, nem Ele o faria, se tal fosse o nosso desejo. Deus abomina o pecado, e é nosso gozo e descanso ver que tudo o que nos era devido a nós e aos nossos pecados foi suportado pelo próprio Filho de Deus. A cruz tirou os nossos pecados para sempre, e em tons solenes, e ao mesmo tempo claros e doces, diz-nos que Deus é luz e Deus é amor.
Ampla provisão
Mas será que esse amor, que pensou em nossa profunda necessidade espiritual e fez uma provisão tão ampla para ela em Cristo, desviou seus olhos de nós, não se importando em nos contemplar mais até que sejamos vistos em glória? Ah, não! E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. E se nenhum pardal cai no chão sem o conhecimento de nosso Pai, não temos mais valor do que muitos pardais?
É no presente amor de Deus – o amor que hoje se importa conosco – que nosso coração precisa ser direcionado, pois é lá que ele pode encontrar descanso, e em nenhum outro lugar. Não conhecemos o ontem, senão a cruz, e não o amanhã, a não ser a glória, mas então existe o hoje – o deserto e as coisas que certamente vêm sobre nós aqui.
O poder de Deus
O poder de Deus, como Seu amor, é infinito. Ele é capaz de suavizar os lugares difíceis e nunca permitir que um espinho fure nosso pé. E o conhecimento do poder de Deus é a própria porta pela qual Satanás frequentemente procura insinuar na mente uma dúvida sobre o amor de Deus. A alma raciocina assim: “Se Deus me ama com o amor de um Pai, por que Ele não faz isso ou aquilo por mim? Por que minhas orações permanecem tanto tempo sem resposta?”
Ah, não é porque Deus não te ama que a resposta para a oração às vezes demora a chegar, e às vezes a resposta não é o que você desejava. Deus tem lições a ensinar, que nunca seriam aprendidas se a nossa vontade guiar Sua mão. Quanto a família amada de Betânia teria perdido se Lázaro não tivesse sofrido para descer à sepultura! E que perda para Paulo se o espinho na carne tivesse sido retirado em resposta à sua oração três vezes repetida!
Há muitas coisas que podem permanecer um mistério para nós na Terra. Quantas vezes a vida, que a nosso ver parecia tão necessária, é levada embora, enquanto uma que poderia ter sido mais facilmente poupada, é deixada para trás, ano após ano. Deus não explica tudo isso para nós. Ele não nos diz Suas razões, mas nos diz para confiar em Sua sabedoria e em Seu amor. Que tenhamos paciência. A noite logo passará, e na luz da manhã do dia sem fim veremos o que está escondido dos nossos olhos hoje.
E se o passado pudesse ser apagado e pudéssemos começar a jornada da vida de novo, e Deus nos perguntasse se escolheríamos nosso próprio caminho e o traçaríamos conforme melhor nos parecesse ou se escolheríamos que Ele o escolhesse para nós, não colocaríamos nas mãos d’Ele para Ele escolher e nos guiar?
A paciência de Deus
Este é o tempo de Sua paciência. Ele está assentado no trono de Seu Pai, mas ainda não tem sua Noiva. Ele espera com paciência para ver o fruto do trabalho de Sua alma. Ele também não tem o reino mundial agora, mas Aquele que disse: “Assenta-Te à Minha mão direita”, também disse: “até que ponha os teus inimigos por escabelo dos Teus pés” (Salmo 110:1). Portanto, Ele espera com paciência agora; este é agora o “reino e paciência de Jesus Cristo” (Ap 1:9). Em breve será o reino e a glória de Jesus Cristo. E antes disso seremos conduzidos à Sua presença em um corpo de glória como o Seu. Que cena de inexprimível alegria e deleite!
Então, daquelas alturas sem nuvens, olharemos para trás “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou”. Então você verá que a mão que ordenou tudo era a mão de um Pai e que o Seu caminho era melhor do que o seu. Descanse em Seu amor, incline-se sobre Seu seio, até que o dia amanheça e as sombras fujam.
Christian Truth, 13:326 (adaptado)
