Origem: Livro: Meditações sobre o Apocalipse

Prefácio

No prefácio (Ap 1:1-8), aprendemos primeiramente que este livro maravilhoso trata da “Palavra de Deus” e do “testemunho de Jesus Cristo”; isto é, os conselhos de Deus dados a conhecer por Jesus Cristo. Então nos é dito sobre a maneira como Jesus Cristo ministra esse testemunho às igrejas, e bênção é então pronunciada sobre aquele que age corretamente segundo este livro, seja lendo-o ou ouvindo-o, e, então, guardando as coisas que nele estão escritas.

Depois disso, as sete igrejas da Ásia são chamadas a ouvir e, após uma bênção sobre elas, o Senhor Jesus Cristo é anunciado como Aquele que está prestes a vir “com (ou sobre) as nuvens” (ARA), ou nas solenidades do julgamento (veja Dn 7:13; Mt 24:30; 26:64). Esta é uma vinda que está inteiramente de acordo com o caráter judicial do livro e que fará com que as tribos da Terra se lamentem por causa d’Ele, e aqueles que O traspassaram O verão para sua própria confusão.

Mas, em meio a um anúncio tão grandioso do Senhor como este, são colocadas nos lábios dos santos duas doces e felizes declarações. Ao Ele ser revelado como “a Fiel Testemunha”, “o Primogênito dentre os mortos” e “o Príncipe dos reis da Terra”, eles O louvam como Aquele que os amou. E novamente, quando Sua vinda nas nuvens para o julgamento é anunciada, eles invocam Sua glória com plena confiança ainda, dizendo: “Sim. Amém”. Pois eles aprenderam completamente que podem ter ousadia até mesmo no dia do juízo (1 João 4:17). Então, quando essas declarações dos santos terminam, o Senhor Se revela como o Princípio e o Fim – um título que Ele frequentemente assume neste livro – O próprio título, que Ele assume constantemente ao julgar os ídolos da Babilônia em Isaías (veja Isaías 48), tudo isso ainda nos assegura que Ele está prestes a falar em juízo novamente. De fato, na boca de cada testemunha aqui, aprendemos que este livro é uma revelação do Senhor Jesus Cristo, que Deus, e não o Pai, lhe dá; ou seja, uma revelação em juízo, não em graça. Mas isso ocorre apenas aqui, no final do volume do Novo Testamento, pois posso observar que o Senhor sempre buscou, por assim dizer, proclamar o Seu nome em graça antes de fazê-lo em juízo.

De uma forma ou de outra, Ele Se revelará e deverá Se revelar, pois essa é a Sua glória, mas Ele busca ser conhecido em bondade, e não em juízo, se os homens quiserem ouvir. Temos isso ilustrado de diversas maneiras. Ao Egito, por exemplo, o Senhor Se revelou em José, a testemunha da Sua bondade; pois por meio de José, Ele encheu os celeiros do Egito com toda sorte de riquezas. Mas o Egito se esqueceu de José. Então, um rei se levantou e perseguiu o povo de José, dizendo do seu Deus: “Quem é o Senhor para que eu lhe obedeça?” (KJV). Então, o Senhor teve que proclamar o Seu nome naquela terra em juízo, dizendo ao rei: “Nisto saberás que Eu sou o SENHOR: Eis que Eu com esta vara, que tenho em Minha mão, ferirei”. Ele seria agora revelado, não em José, mas em pragas.

Assim também aconteceu em Israel depois disso. O Senhor Jesus Cristo foi oferecido a eles como a “pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada”, Aquele em Quem eles encontrariam salvação e força; mas, sendo rejeitado como tal, Ele seria revelado a eles como “a pedra angular”, no poder e no julgamento de uma pedra exaltada, que cairia e reduziria tudo a pó.

E assim é no mundo atual. Esta dispensação presente está proclamando Deus em graça. Ele está rogando aos homens que se reconciliem. Mas aqueles que não quiserem conhecê-Lo dessa forma, negligenciando “tão grande salvação”, deverão conhecê-Lo, em breve, em juízos (2 Tessalonicenses 1:8). Se o sangue do Cordeiro for desprezado, deve se esperar pela ira do Cordeiro (Apocalipse 6:16-17). Aquele que agora é “cheio de graça e de verdade”, em breve enviará a espada de Sua boca para executar o juízo (Apocalipse 19:15). E esta é a diferença entre o Evangelho e o Apocalipse de João. O Evangelho proclama o nome do Senhor em graça, o Apocalipse em juízo. Um flui do Pai, o outro de Deus. Ora, de acordo com tudo isso, quando passamos do prefácio e entramos no corpo do livro, é o Senhor, o Filho do Homem, no lugar do juízo, que vemos imediatamente (veja Apocalipse 1:9-20).

Esses versículos introduzem a primeira cena que o livro revela, e aqui João vê o Senhor como Sumo Sacerdote, preparado para julgar o santuário. Ele não Se mostra a João como o Sacerdote junto ao altar de ouro, com o incensário e o incenso aceso, mas junto ao castiçal com os apagadores de ouro, como se estivesse averiguando, e isso pela última vez, se as lâmpadas do santuário arderiam de forma digna daquele lugar, ou se Ele seria em breve compelido a removê-las. É o Filho do Homem, com vestes até os pés e um cinto de ouro em volta dos lombos, com a cabeça e os cabelos brancos como a lã, olhos de chama, pés de bronze e voz de muitas águas, segurando em Sua mão as sete estrelas e em Sua boca a espada de dois gumes, caminhando no brilho e poder do sol do meio-dia, entre os sete castiçais. Tudo isso era uma expressão de julgamento “da casa de Deus”, uma revelação do Sacerdote, não no altar com incenso, nem mesmo no castiçal com azeite para alimentá-lo, mas no castiçal com os apagadores para julgá-lo e apará-lo, por estar fora de ordem. João ouvirá a si mesmo, pessoal e individualmente, interpelado com as palavras comumente usadas do doce amor de Deus por nós: “Não temas”; mas ainda assim, esta é uma visão que bem pode fazer até o mais forte dos filhos dos homens cair como morto.

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