Origem: Revista O Cristão – Moisés
Glória Celestial de Moisés
No final de sua vida, vemos Moisés no Monte Pisga, contemplando a terra de Canaã estendida diante dele (Dt 34). Esse era um novo monte de Deus para ele. Ficava um pouco fora da terra prometida, mas lhe proporcionava uma visão completa dela. Era uma alta eminência, o cume de Pisga, no monte Nebo, nas montanhas de Abarim. A terra já havia deixado de reconhecer Moisés; Israel também já não o conhecia mais. O deserto também já havia sido todo atravessado, e somente o Senhor é sua companhia no monte que olhava para toda a terra da promessa. Que expressão do lugar da Igreja ou da glória celestial é tudo isso! No alto com o Senhor, Moisés contempla abaixo a herança terrenal, o lugar das tribos de Israel, Gileade e Dã, Naftali, Efraim e Manassés, com toda a terra de Judá até o mar, também o sul e o vale do Jericó, com a cidade das palmeiras, até Zoar! Um lugar de onde se poderia comandar tais objetos abaixo, e em tal companhia, é realmente celestial! Moisés está no alto com o Senhor, olhando as cidades e planícies onde as famílias redimidas e felizes da terra deveriam habitar. É somente do céu que tal bênção e ocupação da terra, em justiça e paz, serão vistas pelo Senhor e Seus filhos da ressurreição. (Também temos um testemunho da glória celestial de Arão, companheiro de Moisés, em Números 20. Ele morre como sacerdote no topo do monte, estando o povo terrenal debaixo dele e o conhecendo apenas como sacerdote nos lugares altos.)
O monte da transfiguração
Novamente, como outro testemunho de Moisés no lugar celestial, nós o vemos no Novo Testamento, em outro monte, no monte da transfiguração. Pedro, Tiago e João estão lá, representando Israel e o povo terrenal, e eles estão do lado de fora. Mas Moisés está lá, novamente em companhia do Senhor e de outro coerdeiro da glória celestial, e eles estão do lado de dentro, envoltos nas nuvens da magnífica glória, o verdadeiro véu que há de separar o lugar santo dos átrios ou os céus da Terra. Moisés está do lado celestial desse véu, glorificado à semelhança do próprio Senhor da glória.
Estes são dois testemunhos fortes e claros da glória celestial de Moisés – impressionantes manifestações dele no lugar celestial, estando em companhia do Senhor no topo de dois montes; de um deles ele vê a herança terrenal embaixo de si, e do outro, o povo terrenal fora dela. E assim julgo que, de todas essas testemunhas que ouvimos aqui, colhemos o chamado e a glória celestiais ou o caráter e o lugar celestiais deste honrado e fiel servo de Deus. Ele é um filho da ressurreição e coerdeiro de Deus com Jesus Cristo.
Terra e céu
Assim, Moisés perde a terra, mas ganha o céu. Ele perde Canaã por sua própria falha, transgredindo, como vimos, contra a graça e o poder da vara que tinha florescido, mas ganha glória no topo do monte que olhava para Canaã, mediante a bondade e amor abundantes de Deus, seu Salvador. A lei (humana) diz que “ninguém tirará proveito do seu próprio erro”, e com justiça, pois a justiça proíbe o pensamento de que alguém obterá um benefício por sua própria falta. Mas a graça não age por lei, pois a glória que colhemos por ela, como pecadores perdoados, é mais rica e brilhante do que aquilo que Adão, na inocência, conhecia. O enigma de Deus é resolvido em nossa história – do comedor saiu comida e doçura saiu do forte. Moisés e a Igreja ilustram isso; ambos estão peregrinando adiante após a perda da terra, liderados pela mão do Filho de Deus, até o cume daquele monte que contempla, abaixo, as boas tendas de Jacó. Ó amado, que tipo de pessoas devemos ser! Que a vida e a energia do Espírito que habita em nós nos mantenha cada vez mais separados para o caráter e as esperanças celestiais!
