Origem: Revista O Cristão – Palavras aos Homens
O Dever dos Maridos
Quando o Espírito de Deus ensinou a maridos e esposas suas respectivas responsabilidades em Efésios 5, Ele primeiro trouxe diante deles o grande exemplo – Cristo e a Igreja. Assim, podemos aprender com o maior o que o menor deve ser. Nunca entenderemos com precisão o maior estudando o menor.
“Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). Alguma coisa pode se comparar com a medida desse amor? Deu a Si mesmo! Que profundidades são expressas aqui! O amor poderia dar mais? E essa dádiva de Si O levou por todo o caminho por entre as agonias do Getsêmani, do abandono por parte dos Seus, da negação de Pedro, da traição de Judas, dos açoites, do cuspir, da zombaria e, finalmente, da cruel cruz onde, naquelas três horas de trevas, Ele foi feito pecado por nós e, por esse motivo, foi abandonado por um Deus santo. Bem podemos exclamar: “o amor de Cristo, que excede todo entendimento”, enquanto procuramos ao mesmo tempo aprender mais sobre Ele.
Este, então, é o grande padrão estabelecido para os maridos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela”. Que homem Cristão, ocupando esse relacionamento, não sentiria sua insuficiência aqui? No entanto, é isso que o Espírito de Deus coloca diante de nós. E a partir desses versículos, aprendemos que Cristo não apenas amou a Igreja no passado (Ef 5:25), mas também ama no presente (Ef 5:26) e no futuro (Ef 5:27).
A unidade de maridos e esposas
“Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5:28). Tendo já dado o exemplo perfeito diante de nós, o Espírito de Deus agora diz que os homens devem amar sua esposa “como seus próprios corpos”, pois o homem e sua esposa são agora um, assim como Cristo e a Igreja são um.
O grande apóstolo aprendeu a lição dessa unidade, e aprendeu bem, quando foi atingido por aquela grande luz do céu no caminho para Damasco. Ele estava perseguindo os santos, a Igreja; agora Aquele que está glorificado no céu, fez com que ele soubesse que estava perseguindo o Cabeça glorioso deles. “Por que Me persegues?”
Qual dos homens pode dizer “eu amo minha esposa como a mim mesmo”? Não estamos mais prontos para pensar em nosso próprio corpo, em suas dores e enfermidades, do que em pensar em nossa esposa? “Nunca ninguém odiou a sua própria carne”. Quão cuidadosos somos em cuidar de um dedo infectado! Dessa maneira, Deus deseja nos ensinar algo da medida do amor de Cristo para nós e nos mostrar o que devemos representar neste mundo. O marido deve ser uma demonstração em miniatura de Cristo, amando sua esposa como a si mesmo e como Cristo amou a Igreja.
Oh, a infelicidade indescritível e a tortura mental em tantos lares, que são o resultado direto da falha do marido em demonstrar à sua esposa o amor que lhe é devido! Tudo isso pode ser evitado nos lares Cristãos pelos maridos ao se apegarem à verdade de como eles devem representar Cristo e agir de acordo com isso.
Alimentar e sustentar
Há mais um ponto mencionado nesses versículos, a saber, o marido deve alimentar e sustentar de sua esposa “como também o Senhor à Igreja”. Assim como Cristo está ocupado agora com alimentar e sustentar a Igreja, o marido deve cuidar de sua esposa. A responsabilidade deles é fornecer alimento, e isso não apenas na forma de alimento para o corpo, mas também na alimentação espiritual. Isso exigirá diligência por parte do marido, pois como ele pode dar a outro aquilo que ele próprio não possui?
Existe uma maneira muito feliz pela qual a maioria dos assuntos no relacionamento matrimonial pode ser resolvida. Se o marido e a esposa desejam ambos fazer a vontade do Senhor e buscam sinceramente essa vontade, alegremente serão de um mesmo parecer. O marido não deve afirmar sua autoridade como algo a ser exercido por causa de quem ele é, mas deve mostrar toda consideração amorosa à sua companheira de ajuda. Se a esposa vê nele um espírito de sujeição à Palavra de Deus e uma verdadeira disposição de fazer o que ela diz, será muito mais fácil para ela estar sujeita, mesmo quando o julgamento dela diferir muito do dele.
Um jovem marido foi uma vez a um servo do Senhor e pediu que ele falasse com sua esposa e lhe dissesse que a Palavra de Deus diz que ela deveria estar sujeita ao seu marido. O servo fiel e sábio respondeu calmamente: “A Palavra de Deus não diz isso a você”. O que ele disse a ele foi que ele deveria amar sua esposa como Cristo amou a Igreja e como ele amava a si mesmo. Talvez não houvesse necessidade de falar com o idoso servo do Senhor se o marido tivesse demonstrado, por sua conduta, o amor, o cuidado e o carinho que eram de sua responsabilidade.
Responsabilidade da posição de cabeça
Quando a desordem e a confusão reinam em um lar Cristão, geralmente é o cabeça que está em falta. Talvez ele não tenha estado demonstrando o amor que deveria ou proporcionado alimento espiritual para sua casa, ou talvez não tenha exercido seu lugar divino de cabeça. Não é um privilégio que ele tem como cabeça; é um fato, e a responsabilidade que o acompanha não deve ser evitada. Pode ser mais fácil, especialmente se sua esposa é bastante capaz, simplesmente relaxar e deixar tudo para ela. Muitas esposas saíram do lugar que lhes pertencia simplesmente porque o seu marido renunciaram o lugar deles.
É realmente uma responsabilidade solene que pertence a cada marido e, se ele falha em cumprir sua parte, acaso precisamos nos admirar se a estrutura do lar se torna instável? Quando ocorre um colapso, Deus olha para o cabeça responsável em busca do motivo.
Que tristeza Eva teria poupado a si mesma se tivesse encaminhado a serpente ao marido, dizendo: “Ele é o meu cabeça; fale com ele”. Adão também não estava sem culpa; ele pegou a fruta dela e a comeu em desobediência. Um escritor antigo disse: “Adão não foi enganado, mas foi influenciado”. E quão sutil a influência às vezes é! No entanto, o marido é responsável. Deus tomou conhecimento do perigo de influência nesse terno laço de esposo e esposa quando disse: “Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio… que te é como a tua alma, dizendo-te em segredo: Vamos, e sirvamos a outros deuses… não consentirás com ele, nem o ouvirás; nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás” (Dt 13:6, 8). Aqui estava um caso em que o marido poderia ser influenciado na idolatria pela esposa de seu seio. Salomão foi atraído dessa maneira, e aquele grande e bom homem caiu em idolatria. A esposa pode ter uma grande influência, tanto para o bem quanto para o mal, “mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada” (Pv 31:30). Que nossa influência um sobre o outro seja para bem; que possamos exortar um ao outro diariamente (Hb 10:25).
Os primeiros anos do casamento
Com muita frequência, os primeiros anos de vida conjugal passam com muito pouco pensamento quanto à posição relativa do marido e da esposa, ou a seus respectivos lugares e responsabilidades. As pessoas tendem a atravessar esses anos sem procurar na Palavra de Deus como devem se comportar e, no tempo decorrido, pequenas coisas más criam raízes no lar, que dão frutos amargos nos anos seguintes. Todo jovem casal deveria saber essas coisas desde o princípio e buscar a graça de Deus para colocá-las em prática. A sabedoria natural, o amor humano ou o espírito de benevolência não nos manterão firmes no curso correto. O amor à parte da orientação divina pode nos desviar, a benevolência humana pode nos levar a concordar com o que sabemos ser errado, e a sabedoria humana nunca foi uma salvaguarda para um santo de Deus. Salomão foi o homem mais sábio que já viveu, e ele agiu como um tolo. Por quê? Simplesmente porque ele não fez o que Deus lhe disse para fazer.
Morando juntos
Podemos também notar algumas palavras de conselho para maridos e esposas que podem ser encontradas em 1 Pedro 3. O Espírito de Deus, escrevendo por meio de Pedro, antecipa as dificuldades e provações do caminho do deserto e dá palavras saudáveis de advertência e orientação. Deus não quer que Seus filhos sejam infelizes, e se sempre andássemos de acordo com Sua Palavra, não o seríamos.
Nesta passagem, fala de morar juntos como marido e mulher. Isso é belo em seu lugar, mas quem não sabe que, quando duas pessoas vivem juntas de maneira tão íntima e constante, como vivem as pessoas casadas, elas aprendem as deficiências e falhas uma da outra? Depois de um tempo, essas deficiências podem produzir pequenas irritações e, portanto, infelicidade conjugal.
O marido é aconselhado a morar com a esposa “com entendimento”. Este não é o entendimento que incha, mas aquele que nos mantém pequenos aos nossos próprios olhos. Quão importante é para nós lembrarmos de nossas próprias fraquezas e da grande graça que nos foi demonstrada, como também nossas falhas em mostrar adequadamente Cristo em nosso relacionamento com nossa esposa. O marido deve lembrar que a esposa é o vaso mais fraco e a esposa deve encontrar abrigo ao seu lado. Isto é o que Cristo faz pela Igreja. A advertência deve fazer o marido buscar ajuda e força de Deus, pois o marido não sabe secretamente que ele não é uma torre de força em si mesmo.
Um pensamento sóbrio também é trazido aqui; o casamento é apenas por um tempo. Eles são herdeiros conjuntos da “graça da vida”. Ambos estão indo para outra cena em que Cristo, a vida deles, será manifestada, e mesmo agora eles possuem juntos a graça que flui de Cristo. Pensamentos como esses elevam o coração deles deste mundo para Cristo e Sua glória vindoura.
Ao dar atenção a essas coisas, suas orações não serão impedidas. Como dois podem orar juntos quando há discórdia ou infelicidade entre eles? E como eles podem esperar respostas para suas orações se não estão caminhando em obediência a Deus? Quem pode medir a bênção do marido e da esposa orando juntos? É um dos privilégios abençoados de morar juntos.
A Instituição do Matrimônio – adaptado
