Origem: Livro: O Apostolado e as Epístolas de Paulo

Efésios

O mistério da Igreja é revelado de forma especial na Epístola aos Efésios. Ali, ela é mencionada sob dois títulos que lhe são exclusivos: “o corpo de Cristo” e “a noiva de Cristo”.

Alguém disse de forma marcante: “Não é nos céus acima, nem na Terra abaixo, nem nos próprios anjos, por mais brilhantes que sejam as testemunhas do poder criador, que o caráter e os caminhos de Deus se manifestarão nas eras vindouras: é na nova criação redimida em Cristo, na Igreja e pela Igreja, que a multiforme sabedoria de Deus será feita conhecida. Na Igreja, emanação mais brilhante da mente divina, obra-prima da criação de Deus, toda perfeição de luz, glória e beleza será manifestada; caso contrário, ela seria indigna de seu elevado destino como a Noiva. As profundezas e as alturas da graça, do amor e do poder de Deus jamais serão conhecidas pelas hostes celestiais, até que contemplem a Igreja, escolhida dentre a raça arruinada e apóstata de Adão, não apenas trazida à mais íntima e doce intimidade da filiação a Deus, mas exaltada à mais alta dignidade no céu, participante da glória inefável de sua Cabeça ressuscitada.”

Certamente, essas palavras são boas para a edificação. Mas, além disso, ao desvendar a graça e a glória nesta Epístola aos Efésios (epístola que agora considerarei com um pouco mais de atenção), podemos observar que há uma peculiar acumulação de linguagem, se assim puder me expressar, como se o Escritor (o Espírito) estivesse consciente da singular importância e dignidade do tema que estava abordando. Lemos sobre “a glória da Sua graça”, “as riquezas da Sua graça”, “as abundantes riquezas da Sua graça”, “o louvor da Sua glória” e “o louvor da glória da Sua graça”. É com esse estilo que os magníficos segredos desta epístola são revelados. O cofre é conforme o tesouro.

E a visão dada do Senhor ascendido é apresentada a nós da mesma forma. Como já foi observado por alguém, Marcos nos diz que nosso Senhor foi elevado ao céu. A Epístola aos Hebreus nos diz que Ele passou pelos céus. Mas esta epístola nos diz que Ele ascendeu muito acima de todos os céus (Marcos 16:19 – JND; Hebreus 4:14 – JND; Efésios 4:10 – TB). Que relato variado e maravilhoso d’Ele! Mas o relato de Efésios é o mais magnífico, pois dá ao Filho do Homem o mesmo lugar que é dado ao próprio Deus em Deuteronômio 10:14.

E essa acumulação de linguagem, da qual falei, é preservada no segundo capítulo, onde o Espírito Santo contempla os objetivos dessa elevada vocação, e não, como antes, a natureza da própria vocação. Ele toma conhecimento de nós, pecadores, em duas condições: mortos e separados; mortos em nós mesmos e separados de Deus – e então nos Ele vê transformados nas condições opostas de vida e proximidade. Mas Ele acumula linguagem, ao tratar dessas coisas, como fizera antes. Os termos são multiplicados, as descrições são repetidas de maneira elaborada, para que todas essas condições às quais somos apresentados, e cada uma delas separadamente, possam ser apreendidas com grande ênfase por nossa alma. O estado de morte em que jazíamos por natureza era terrivelmente completo; o estado de vida para o qual agora somos trazidos é completa e eternamente perfeito. Nossa condição de distância de Deus, na qual a graça nos encontrou, é descrita como sendo tal que nada poderia ultrapassá-la – nossa condição atual de proximidade com Ele é tal que somente o próprio Filho poderia ter desfrutado, por assim dizer, antes de nós.

Mas, ainda mais, a característica da bênção da Igreja é esta: que eles estão em Cristo. Os santos de tempos anteriores, como vimos, terão um destino celestial; mas a vocação da Igreja é celestial, em Cristo e com Cristo.

A palavra “em” aparece ali de forma notável – e está sempre em “Cristo”. No decorrer das maravilhosas revelações ali feitas, aprendemos que, tendo sido vivificados juntamente com Ele, agora estamos assentados nos lugares celestiais n’Ele.

Tendo ascendido dessa forma, também nos é ensinado que, lá no alto, somos abençoados com todas as bênçãos n’Ele.

E novamente – somos aceitos n’Ele, o Amado – feitos objetos de amor pessoal, bem como abençoados com todas as bênçãos espirituais.

E novamente: N’Ele, Deus fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência [inteligência – JND], revelando-nos os Seus pensamentos e o Seu beneplácito [bom prazer – JND] com relação aos séculos vindouros; dando-nos a posição de amigos.

Assim é conosco agora. Mas essa mesma Escritura olha para o futuro e para o passado, e nos mostra o interesse que tínhamos “em Cristo” antes que o mundo existisse, e o que teremos “n’Ele” quando o mundo tiver cumprido seu curso. Antes que o mundo existisse, aprendemos que fomos “escolhidos” n’Ele e “predestinados” à adoção como filhos. E quando o mundo acabar, e as dispensações tiverem concluído sua manifestação e encerrado sua maravilhosa história, aprenderemos que nós seremos herdeiros n’Ele e com Ele nesse grande novo sistema, “o mundo futuro”, no qual todas as coisas serão reunidas sob Ele como seu Cabeça.

Este é, de fato, um grandioso tema: nossa eterna porção em Cristo, nossa posição n’Ele, com os conselhos que a estabeleceram antes que o mundo existisse, a elevada condição e prerrogativas em que agora nos coloca, e a porção que nos será transmitida nas eras vindouras. E toda essa excelente herança nos pertence simplesmente porque agora cremos ou confiamos n’Ele.

Mas aquilo que fora assim “escolhido em Cristo” desde antes da fundação do mundo, estava “oculto em Deus” até ser revelado pelo Espírito aos profetas do Novo Testamento. E a revelação disso completou a Palavra de Deus (Colossenses 1:25 – JND). Foi a revelação final e culminante, feita de modo especial por meio de Paulo, o apóstolo dos gentios. A Igreja é chamada ao mais alto lugar de dignidade, e sua revelação se encontra no último, o mais recente, lugar nas comunicações de Deus. Sim, a Igreja foi revelada por último. O apostolado gentio a trouxe à luz. Embora escolhida em Cristo antes do mundo, e escondida em Deus por eras e desde os tempos antigos, agora ela se apresenta revelada, a coroa de todos os Seus propósitos, assim como é a última de todas as Suas comunicações.

Nesta Epístola aos Efésios, o pecador já foi resgatado pelo sangue de Jesus. Os pecados são perdoados – e os santos, assim além do julgamento, são chamados a ouvir, até que a sublime vocação da Igreja em Cristo Jesus, sob as abundantes riquezas da graça de Deus, como a salvação de Deus no Mar Vermelho, se revele aos seus ouvidos. Basta que ouçam. Se falam de responsabilidade, ela é esta: ouvir, aceitar, ser feliz e agradecido, porque tudo isso é o que é, e o Deus de toda a graça é para eles o que Ele é. E o apóstolo, que lhes ensina esses ricos e maravilhosos segredos, apenas ora por eles, para que, ao ouvirem, tenham coração capaz de entender.

Suas orações por eles, seja no primeiro ou no terceiro capítulo, nos dão outros exemplos dessa acumulação de linguagem, da qual já falei, e que é tão expressiva da consciência de ter que tratar com temas e pensamentos de peso e dignidade muito peculiares.

Ao entrarmos no quarto capítulo, deparamo-nos com algo maravilhoso à sua maneira, semelhante ao que já vimos.

O cativeiro do homem sob o domínio da antiga serpente, em Gênesis 3, foi completo. A mentira de Satanás foi aceita, o homem tornou-se pecador, separado de Deus e perdido; o Éden foi perdido, o solo foi amaldiçoado, o homem e a mulher submetidos à punições, e Satanás, como mentiroso e errante, percorria a face da Terra.

Essa história mais antiga do cativeiro do homem é mencionada brevemente em Efésios 4, como um contraste. O próprio capturador, com todo o seu exército, agora está feito cativo (uma multidão cativa), e o Libertador do homem triunfou sobre ele, expondo-o publicamente, como diz outra passagem semelhante da Escritura (Colossenses 2). Mas esse Libertador provou ser não apenas poderoso dessa maneira, mas também glorioso. Ele preenche todas as coisas. Ele desceu e ascendeu – esteve nas partes mais baixas da Terra, no sepulcro, na própria fortaleza do capturador; e Ele agora está muito acima de todos os céus. E tal Ser, esse Libertador, poderoso e glorioso, tomou sobre Si a responsabilidade de escrever a história ou assegurar a sorte do antigo cativo de Satanás. E isso é maravilhoso, como lemos mais adiante neste capítulo. Tendo realizado a libertação nas partes mais baixas da Terra, Ele agora, nos lugares mais altos, muito acima de todos os céus, recebeu dons para as antigas vítimas da serpente; e os distribuiu; e por meio deles os dotou com as mais ricas porções e as mais elevadas dignidades. Esses dons levaram o antigo cativo do grande inimigo à perfeição; tornaram-no, em um sentido divino e espiritual, independente; deram-lhe segurança contra as astúcias do enganador; e estabeleceram seus recursos dentro de si mesmo, por meio do Espírito Santo que lhe foi dado (veja versículos 8-16).

Pode, a princípio, nos surpreender encontrar algo assim – as ruínas do homem em Gênesis 3 sendo assim confrontadas com a restauração do homem em Efésios 4 – o ganho e o triunfo da antiga serpente ali, sendo respondidos e anulados por sua vergonha e derrota aqui. Mas assim é. E a surpresa pode cessar quando nos lembrarmos de que a Epístola aos Efésios, como vimos, é a mais maravilhosa demonstração dos resultados da redenção que a Escritura nos apresenta. Podemos, portanto, esperar encontrar Gênesis 3 confrontado em tal Epístola. É o escrito especial sobre a Igreja que é “o corpo de Cristo” e “a noiva de Cristo” – o primeiro desses títulos nos dizendo que ela está colocada no mais alto lugar de honra; o segundo, nos dizendo que ela também está colocada no lugar mais querido e íntimo de afeição e relacionamento pessoal. Ela é feita, além disso, para a criação de Deus, para os principados e potestades nos lugares celestiais, a grande testemunha, a única testemunha adequada, da graça, da glória e da sabedoria; das abundantes riquezas da Sua graça, do louvor da Sua glória e dos múltiplos recursos e segredos da sabedoria. Ela é isso – e a revelação dela, novamente nos lembramos, completou, ou encheu até a sua plena medida, a Palavra de Deus.

Alguém já observou que o chamado de Deus na antiguidade era para indivíduos, para que andassem com Deus, ou para uma nação (como Israel), para que observassem os estatutos e cumprissem as leis de Deus, seu Rei. Mas agora, o chamado de Deus é para um corpo. Contudo, mesmo assim, a individualidade do santo ainda é contemplada; e a Epístola aos Efésios mantém isso em vista, dirigindo-se a nós de maneira clara em nossa posiçãs pessoal e individual, no capítulo 5.

Esta é uma verdade adequada e oportuna para o final desta maravilhosa epístola. E certamente devemos conhecer nossa posição pessoal, nossa própria perfeição individual, antes de nos ocuparmos com o chamado da Igreja ou do corpo. Assim, em outro lugar, o apóstolo deixa claro aos santos que falaria de tal sabedoria, a sabedoria destes mistérios divinos, somente entre aqueles que são perfeitos (1 Coríntios 2:6). E assim, aqui, em Efésios, somos individualmente escolhidos, predestinados, perdoados, aceitos, instruídos, selados (de acordo com o capítulo 1); E então, somos instruídos a orar para que tenhamos aquele espírito de sabedoria e revelação que nos capacita a aprender sobre nosso chamado na Igreja, a força que nos guia e a glória que devemos alcançar: “A Igreja, como corporação, é composta por crentes individuais; e embora vista em seu caráter corporativo, ela tem um relacionamento com Cristo o qual o crente individualmente não tem – pois nenhum crente é o corpo de Cristo ou a noiva de Cristo – contudo, é nas afeições e na consciência do crente individual que as relações da Igreja com Cristo devem ser reconhecidas e produzir seu efeito.”

Certamente assim é. Individualmente os santos são primeiro aperfeiçoados sob o Espírito Santo que lhes foi dado, e então o corpo é edificado – como vemos no capítulo 4:12. Os preceitos, que encontramos dos capítulos 4:17 a 6:9, dirigem-se a nós individualmente; mas o estado da Igreja é assumido ou contemplado aqui e ali ao longo de todo o texto.

E aqui, permitam-me dizer, quanto aos preceitos, que o próprio chamado, a graça na qual nos encontramos, pode nos guiar, sem a necessidade de preceitos. Esse pensamento é corroborado por passagens como Tito 2:11-12 e 2 Pedro 3:11, 14. Os santos em Gênesis agiam sem lei ou preceito. Seu chamado sugeria seus deveres. “Como pois faria eu tamanha maldade”, disse um deles, “e pecaria contra Deus?” A graça na qual os santos do Novo Testamento se encontram pode fazer o mesmo. Ainda assim, eles são chamados a ouvir preceitos – como aqui, nesta porção da Epístola aos Efésios. Mas os preceitos honram as doutrinas de forma notável. Eles geralmente se referem às doutrinas ou as pressupõem tacitamente; e assim, como eu poderia dizer, apresentam-se como tantas expressões da virtude moral que se encontra oculta na doutrina.

E mais ainda. Eles nos fazem saber que a santidade deve ter um caráter dispensacional. Não é simplesmente virtude moral, como a consciência poderia sugerir; não é justiça legal, como a lei poderia exigir; nem é o que João Batista teria prescrito. É Cristã. A santidade, ou o caráter devido, de um santo, deve proceder do chamado Cristão. Ela encontra suas fontes e sanções na verdade Cristã. Ela se mede pela Palavra que agora se dirige a nós e que delineia nosso lugar e peculiaridade dispensacional. É a santificação da verdade, a lavagem da água pela Palavra que se espera. É isso que dá caráter definido à moral que Deus aceita e que o Espírito opera. E é isso que muitas vezes é negligenciado ou ignorado, mas que, para estar na luz como Deus está na luz, deve ser levado em consideração.

Mas há ainda outro aspecto nesta epístola. Há conflito ou luta. Vemos a caminhada de um santo em Efésios 5, sua luta em Efésios 6. Sua caminhada se dá pelos caminhos tortuosos da vida, pelas circunstâncias e relações que compõem a história humana. Sua luta é contra “as ciladas do diabo”, ou contra “as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

Esses espíritos malignos vêm dos lugares celestiais – e vêm com mentiras e enganos de infinita variedade. Vemos em 2 Crônicas 18 um testemunho direto disso. Ali, um espírito é visto vindo do céu com uma mentira na boca; ou com uma mentira que ele coloca na boca de um dos falsos profetas de Acabe. E essa mentira leva Acabe à batalha fatal de Ramote-Gileade.

A serpente, no princípio, entrou no jardim com mentira e, com uma de suas ciladas, arruinou o homem (Gênesis 3). Satanás, com outra cilada, tentou Davi a numerar o povo e o conduziu a um terrível dia de retribuição (1 Crônicas 21). Essa mesma característica de enganador é reconhecida em Apocalipse 12:9; 20:8. E sinais, prodígios da mentira e toda forma de engano e injustiça são mencionados como obras de Satanás em 2 Tessalonicenses 2:9-10.

Assim, temos espíritos malignos em lugares celestiais exercendo “ciladas” aqui em nosso meio.

Essas ciladas, essas mentiras dos “príncipes das trevas deste século”, podem ser inúmeras; tais como sugestões de infiéis, perversões da verdade, superstições devocionais humanas, confusão de coisas que diferem dispensacionalmente, cálculos falsos a respeito do progresso do mundo e coisas semelhantes. Quão solene é essa reflexão! Mas quão bom é sermos informados sobre essas ciladas e, assim, estarmos preparados para elas. Exemplos distintos dessas ciladas são novamente observados em 2 Coríntios 2:11; 11:3 e 2 Timóteo 2:26.

É contra essas ciladas que temos que lutar. Em outros caracteres (como quando ele é um mentiroso ou um perseguidor), podemos ter que sucumbir ao inimigo. Pois nossa luta não é contra carne e sangue, como foi a de Josué ou Davi. Deus os enviou para tal conflito, tendo-lhes dado armaduras adequadas para enfrentar carne e sangue. Mas agora não é assim. Nenhuma peça de nossa armadura serviria para a batalha em Ai, ou para o dia do vale de Elá. Nossos inimigos não são os amorreus nem os filisteus.

É uma armadura feita sob medida para enfrentar o corruptor da verdade, aquele que não cessa de perverter os retos caminhos do Senhor (Atos 13:10). É o cinto da verdade, a couraça da justiça, as sandálias do evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito.[7]
[7] Satanás é um acusador dos irmãos no céu (Jó 1; Apocalipse 12). Na Terra, ele é um acusador de Deus (Gênesis 2) e um perseguidor dos santos (Jó 2; Apocalipse 12). Mas o apóstolo aqui fala apenas de suas ciladas ou enganos.

Toda a era pela qual estamos passando é considerada como “uma guerra”, com lutas ocasionais ou o “dia mau” e, portanto, o apóstolo nos diz: “para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”.

Essas “ciladas”, também, podem se tornar “dardos inflamados”. Ou seja: essas mentiras e enganos que estão sempre presentes podem, de vez em quando, de uma forma ou de outra, ser direcionados direta e pessoalmente a nós mesmos.

E é impressionante observar o que esta única epístola nos ensina sobre esses malignos principados e potestades. Ela nos diz que eles são os cativos de Cristo, os inimigos dos santos, com quem o santo precisa lutar, e os príncipes das trevas deste século (Ef 4:8; 6:11-12). Foi observado por alguém que Éfeso é apresentada de modo muito especial como tendo sido o cenário daqueles espíritos malignos que praticam suas mentiras e enganos (veja Atos 19:19).

Mas aqui eu poderia acrescentar (embora nossa epístola não o sugira) que o atual príncipe das trevas deste mundo está fadado a fazer uma jornada solene em breve. Ele será expulso do céu, onde agora se encontra, e atuará somente na Terra. Então, no tempo certo, será retirado da Terra e lançado no abismo. E, ao ser retirado do abismo, será entregue ao lago de fogo, ou seja, à sua condenação eterna (veja Lucas 10:18; Apocalipse 12; 20).

E isso, eu ainda poderia acrescentar, é exatamente o oposto da jornada do Senhor. O Senhor subiu do sepulcro como um Conquistador. Ele havia sido a “morte da morte e a destruição do inferno”.[8] Ele retornou à Terra, onde permaneceu por quarenta dias, fazendo promessas e penhores referentes ao Seu futuro reino aqui. E então, ascendeu aos mais altos céus, recebendo todo o poder e enviando o Espírito Santo para habitar em Seus santos e prepará-los para Si no dia da glória suprema, quando Ele Se manifestará cumprindo ou enchendo todas as coisas – conforme descrito nesta mesma epístola.
[8] N. do T.: Uma linha do hino “Guide me, O Thou great Redeemer” (Guia-me Tu, ó grande Redentor).

Aqui terminamos, exceto pela conclusão, que, no entanto, possui um aspecto que devo mencionar.

O apóstolo fala de si mesmo como um “embaixador em cadeias”. Que outro testemunho ele era, então, naquele momento, do caráter do mundo que ele tinha acabado de reconhecer como estando sob o domínio dos poderes das trevas? O embaixador de Deus foi aprisionado pelo mundo para o qual Ele o tinha enviado! Será que uma nação trata o representante de outra dessa maneira? Não é a pessoa de um embaixador sagrada?

Mas o prisioneiro do homem é o homem livre de Deus; e, no cuidado do amor atencioso, de sua prisão ele enviará mensagens de empatia, conforto e encorajamento a seus amados irmãos a centenas de quilômetros de distância, além dos mares.

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