Origem: Livro: O Apostolado e as Epístolas de Paulo
Hebreus
Nesta Epístola, o Espírito Santo abre os céus e nos mostra Cristo ascendido e assentado à destra do trono de Deus. É o grande testemunho da aceitação de Cristo por Deus. Ela expõe esse fato, estabelecendo-o, por assim dizer, na boca de muitas grandes e augustas testemunhas. Outros testemunhos anteriores já haviam sido dados a esse respeito: o véu rasgado no momento de Sua morte, Sua ressurreição do sepulcro e o dom do Espírito Santo, que se seguiram em seus respectivos tempos. Aqui, o Espírito Santo dá o Seu testemunho supremo de Sua aceitação no céu, em características tais que respondem às nossas necessidades. Ele as revela, uma após a outra, para mostrar a superioridade de Cristo e exibir as diversas glórias que Ele ostenta como glorificado lá.
Em Hebreus 1 e 2, o Espírito Santo desloca profetas e anjos para dar lugar a Cristo. Nos capítulos 3 e 4, Ele desloca Moisés e Josué, e nos capítulos 5 e 6, Arão. Nos capítulos 8 e 9, a antiga aliança e o antigo santuário, com seus serviços, são deixados de lado para introduzir o Seu sacrifício e seu valor permanente para o Seu povo. E, tendo-O assim introduzido, o Espírito Santo fixa o nosso olhar n’Ele para sempre, pois Ele não tem sucessor.
Em Hebreus 1, Ele é visto assentado à destra da Majestade nas alturas como o Purificador dos nossos pecados e como o Herdeiro de tudo, e Sua herança é vista como já firmada no poder da redenção, compartilhada por Ele com Seus coerdeiros que, como nos assegura o capítulo 2:10, estão sendo conduzidos por Ele à Sua glória, da qual participarão. Como Redentor, Ele havia tomado sobre Si os seus fardos, e agora os conduz adiante, tomando sobre Si também as suas bênçãos, tendo consideração por eles em todos os seus caminhos, até que sejam levados a participar da herança como coerdeiros Consigo mesmo, para se assentarem com Ele na soberania de todas as coisas no mundo vindouro, como diz o capítulo 2:10. E o Seu povo já foi feito “idôneo” (Cl 1:12) por Ele mesmo, para participar dessa herança como seu “Santificador” (cap. 2:11). Em toda a Sua glória, eles são vistos com Ele, do princípio ao fim. Doravante, eles são vistos como coerdeiros com Ele em todo o caráter e glória que Ele possui.
Em Hebreus 3, Ele é apresentado como o Apóstolo que nos fala da parte de Deus, do qual Moisés era a figura (Deuteronômio 34:10). Ele se distinguia de todos os outros profetas por Deus falar com ele face a face e por ter acesso a toda a Sua casa como servo. Mas o “Filho” está em plena e profunda intimidade com todos os Seus conselhos e tem a mais perfeita comunhão com Ele em todas as Suas obras e caminhos, tanto celestiais quanto terrenais. Ele é o Dono de uma morada permanente, o Doador do repouso eterno e Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Ele está no santuário celestial para tratar dos assuntos do Seu povo para sempre, pois o Seu sacerdócio está estabelecido no poder de uma vida sem fim.
Seu sacrifício, conforme descrito em Hebreus 9-10, é visto como tendo valor eterno e, sendo assim, traz perfeição aos adoradores e os coloca para sempre na presença de Deus. Em Hebreus 12, Ele é recebido e assentado no céu como Autor e Consumador da fé. Dessa forma, um após o outro é suplantado por Cristo, e tendo-O apresentado, o Espírito encerra Sua deleitosa tarefa, deixando-O diante de nós, fixando nosso olhar n’Ele como Aquele que permanecerá diante de nossa alma para sempre: “Jesus Cristo, é o Mesmo ontem, e hoje e eternamente”.
