Origem: Revista O Cristão – Palavras às Mulheres

Devoção das Mulheres

A mulher que ungiu o Senhor (Mateus 26:7) não foi informada das circunstâncias prestes a acontecer, nem era profetisa. Mas a aproximação daquela hora de trevas foi sentida por alguém cujo coração estava fixo em Jesus. Mas a perfeição de Jesus, que atraiu a inimizade, atraiu a afeição nela, e ela (por assim dizer) refletiu a perfeição em sua afeição, e assim como a perfeição foi posta em ação e trazida à luz pela inimizade, assim foi com a afeição dela. Então, o coração de Cristo não pôde deixar de encontrá-la. Jesus, por causa dessa inimizade, era ainda mais o Objeto que ocupava um coração que, sem dúvida guiado por Deus, instintivamente apreendeu o que estava acontecendo.

Mas ainda mais algumas palavras sobre a mulher que O ungiu. O efeito de ter o coração fixo em Jesus é manifestado nela de maneira impressionante. Ocupada com Ele, ela é sensível à Sua situação. Ela sente o que O afeta, e isso faz com que sua afeição atue de acordo com a devoção especial que essa situação inspira.

Oposição 

À medida que o ódio contra Ele se elevava à intenção homicida, o espírito de devoção a Ele crescia nela em resposta a isso. Consequentemente, com o tato de devoção, ela faz precisamente aquilo que era adequado à Sua situação. A pobre mulher não tinha consciência clara disso, mas fez o que era apropriado. O valor que ela atribuía à Pessoa de Jesus, tão infinitamente precioso para ela, a tornou perspicaz quanto ao que estava passando em Seu íntimo. Aos seus olhos, Cristo estava investido de todo o interesse de Suas circunstâncias, e ela derrama sobre Ele aquilo que expressava sua afeição. Fruto desse sentimento, sua ação atendeu às circunstâncias e, embora fosse apenas o instinto de seu coração, Jesus lhe confere todo o valor que Sua inteligência perfeita poderia lhe atribuir, abrangendo ao mesmo tempo os sentimentos do seu coração e os acontecimentos que viriam.

Mas esse testemunho de afeição e devoção a Cristo traz à tona o egoísmo, a falta de coração dos outros. Eles censuram a pobre mulher. Prova triste (para não falar de Judas) de quão pouco o conhecimento daquilo que diz respeito a Jesus necessariamente desperta uma afeição adequada em nosso coração! Mas a narrativa continua. Algumas mulheres pobres – a quem a devoção muitas vezes concede, da parte de Deus, mais coragem do que aos homens em sua posição mais responsável e ocupada – estavam junto à cruz, contemplando o que era feito Àquele a Quem amavam (Mt 27:55-56).

Parte dos homens e das mulheres 

A parte que as mulheres tomam em toda essa história é muito instrutiva, especialmente para elas. A atividade pública, aquilo que pode ser chamada de “obra”, pertence naturalmente aos homens (tudo o que se refere ao que geralmente é chamado de ministério), embora as mulheres compartilhem uma atividade muito preciosa em particular. Mas há um outro lado da vida Cristã que é particularmente delas: a devoção pessoal e amorosa a Cristo. Foi uma mulher que ungiu o Senhor enquanto os discípulos murmuravam; eram mulheres que estavam na cruz quando todos, exceto João, O abandonaram; foram mulheres que vieram ao sepulcro e que foram enviadas para anunciar a verdade aos apóstolos que tinham ido, afinal, cada um para sua própria casa; eram mulheres que ministravam às necessidades do Senhor. E, de fato, isso vai além. A devoção no serviço é talvez a parte do homem, mas o instinto de afeição, que entra mais intimamente na posição de Cristo e, portanto, está mais intimamente ligado aos Seus sentimentos, é uma comunhão mais estreita com os sofrimentos do Seu coração – essa é a parte da mulher – certamente uma parte feliz.

A atividade de serviço para Cristo coloca o homem um pouco fora dessa posição, pelo menos se o Cristão não estiver vigilante. Tudo tem, no entanto, seu lugar. Falo daquilo que é característico, pois há mulheres que serviram muito e homens que sentiram profundamente. Note também aqui, o que creio já ter observado, que esse apego de coração a Jesus é a posição na qual as comunicações do verdadeiro conhecimento são recebidas. O primeiro evangelho completo é anunciado à pobre mulher que era pecadora, a qual lavou Seus pés (Lucas 7); o embalsamamento para a Sua morte é confiado à Maria (João 12: 3), nossa posição mais elevada é revelada a Maria Madalena (João 20), e a comunhão que Pedro desejava via-se em João, que estava reclinado em Seu seio (João 13). E nessas coisas as mulheres têm uma grande participação.

J. N. Darby

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