Origem: Revista O Cristão – Palavras às Mulheres

Beleza e Adorno

A história de Ester, muitas vezes admirada por leitores jovens e idosos, assume um significado adicional hoje quando mulheres, a semelhança de Vasti, desconsideram o papel e a autoridade que pertencem aos homens. A flagrante insubordinação pública de Vasti foi considerada um mau exemplo para todos e a levou a ser removida de sua posição de rainha. Isso resultou em uma oportunidade para que Ester viesse a ocupar um lugar de destaque por causa de sua beleza, submissão e conduta piedosa. Ela agradou o rei com sua mansidão e beleza e “alcançou favor” diante de todo o povo. A beleza de Ester foi engrandecida por sua conduta mansa e se destacou em contraste com as demais. A história é profética, revelando o que trará a remoção dos gentios de seu atual lugar de favor diante de Deus. Nós, que somos gentios, fomos abençoados por Deus. Essa bênção para os gentios durante o tempo presente, como declarado em Romanos 11:18‑25, é uma consequência da incredulidade dos Judeus. Mas essa Escritura adverte ainda os gentios a não se ensoberbecerem, para que não sejam removidos e os Judeus sejam novamente reconduzidos à bênção. Como nós, que somos o sal da Terra, vemos esse cenário se desenvolvendo em nossa sociedade, deve nos abominar qualquer forma de desrespeito à autoridade, conhecendo as consequências finais – o fim da presente dispensação – a “plenitude dos gentios” (v. 25). Essas condições morais são, então, para os olhos ungidos, uma indicação de que a vinda do Senhor está próxima.

Banquete e jejum 

O rei Assuero fez um banquete, primeiro para os príncipes e nobres e depois para toda a cidade – pequenos e grandes. Ele se entregava ao desfrute de sua riqueza e reino. A rainha também fez um banquete para as mulheres da casa real e, enquanto se banqueteava em fartura e prazer, ela recusou o pedido do rei para comparecer ao seu banquete. É difícil julgar quem estava mais fora de lugar nisso, mas como frequentemente acontece, a mulher é quem mais sofre. Vasti foi removida de ser rainha por isso, mas é irônico que essa também seja uma profecia de como o governo de Assuero e de todos os governantes gentios terminará. O comportamento manso e submisso de Ester se destaca nitidamente nessas circunstâncias. Quão fácil é cair na armadilha do prazer e não cumprir o que somos chamados a fazer. O Senhor nos adverte que essa será a armadilha no final desta dispensação. “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a Terra” (Lc 21:34-35). Banquetear-se ou viver por prazer está intimamente relacionado à turbulência em nossa sociedade com relação aos papéis de homens e mulheres. Que o Senhor nos conceda discernir essas coisas com clareza e evitar as armadilhas.

Mais tarde, quando Ester se tornou rainha, o rei Assuero fez um banquete para ela. “Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei”. A entrega de presentes e um alívio especial caracterizam esse banquete em vez de prazeres egoístas. Não teria Ester estabelecido o tom para esse tipo de banquete? Quando, no início, chegou a sua hora de ir ao rei, ela não pediu nada além do que o camareiro recomendou. Ela deu de si mesma, não se apoiando em artifícios ou coisas de outros. Que diferença sua influência fez no reino! Em vez de esforço egoísta, vemos a dádiva de presentes. Quão importantes são as palavras de Paulo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Co 6:12). Ester demonstrou que não se deixaria dominar por viver para si mesma.

Adorno de Ester 

Ester não se tornou rainha por acaso por causa de sua antecessora. Ela conquistou o trono adornando sua beleza exterior com o adorno interior de um “espírito manso e quieto”. Não era apenas porque ela estava em sujeição, mas ela exibia o “homem encoberto no coração” junto com sua beleza natural. Isso lhe deu favor diante do rei. Até os ímpios veem e apreciam isso. Ela continuou agradando os outros enquanto era rainha, usando sua posição e beleza para servir. Mais tarde, ela respondeu ao chamado para colocar sua vida em risco para interceder por seu povo. Foi com mansidão que ela entrou na corte para solicitar uma audiência perante o rei, não com firmeza, embora tenha sido preciso muita coragem. Antes de tudo, ela pede uma oportunidade de servir ao rei: “E disse Ester: Se parecer bem ao rei, venha hoje com Hamã ao banquete que lhe tenho preparado” (Ester 5:4). Ela procura agradar-lhe servindo antes de pedir o que ela deseja. Um ato de serviço não foi suficiente; na segunda vez, acrescentou as palavras: “Se achei graça aos olhos do rei, e se bem parecer ao rei conceder-me a minha petição” (v. 8). Isso nos lembra as palavras “graça sobre graça” (ARC). Esse serviço muito gentil e generoso despertou o orgulho do coração de Hamã, enquanto ao mesmo tempo o coração do rei foi alcançado. Como ele poderia dizer “não” a ela depois? Por causa de sua abordagem piedosa ao rei, Ester alcança dois objetivos opostos. Isso nos lembra 2 Coríntios 2:15: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida”. Seus modos graciosos com eles trouxeram o melhor dos melhores e o pior dos piores. Manifestou quem era verdadeiro e quem não era. Nenhum homem em todo o reino poderia ter feito o que Ester realizou servindo humildemente com sua beleza e adorno.

Almas ganhas por conduta divina 

“Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à Palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra” (1 Pe 3:1). Nem todas as mulheres têm um marido amoroso e gentil que as trata bem como deveria e que diz a elas o quanto elas são amadas e apreciadas. O caso de Ester é muito notável a esse respeito. Como já vimos antes, quase todo mundo se entregava a viver por prazer. Ester morava em um lugar onde tinha que manter em segredo sua identidade. Ela também teve muita competição feminina, sendo uma das muitas escolhidas como candidatas a rainha. Os Judeus estavam vivendo em um país estranho, com o templo destruído. Ninguém sequer menciona o nome de Deus em todo o livro, nem nunca vemos alguém orando pelas dificuldades, embora seja provável que eles tenham orado quando jejuavam. Mas o testemunho público de Jeová como Deus de Israel era “zero” naqueles dias. Nessas circunstâncias, o que uma garota órfã poderia fazer para mudar a situação? Ester fez o que nenhum homem jamais poderia ter feito; ela neutralizou os efeitos das leis imutáveis dos medos e persas, salvou seu povo da aniquilação e conseguiu remover o perverso Hamã. Como é que conseguiu isso? Adornando sua beleza com boa conduta. Nenhuma pregação; nenhum ensino ou dança – apenas a vida vivida corretamente. Ela mudou o mundo com sua boa conduta.

Nem todos os que procuram viver em piedade, embora em circunstâncias difíceis, podem esperar ver nesta vida mudanças tão drásticas como resultado de sua vida como Ester pôde ver, mas certamente a história é registrada para nos encorajar a olhar para o futuro quando O Senhor virá, “o Qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4:5).

D. C. Buchanan

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