Origem: Revista O Cristão – As Sete Declarações do Senhor na Cruz Parte 2

A Humanidade de Cristo

Ninguém tira d’Ele a Sua vida; Ele a entrega, mas é no momento determinado por Deus. Ele é abandonado, de fato, como resultado da iniquidade do homem, porque veio para cumprir a vontade de Deus; Ele Se deixa ser crucificado e morto. Somente no momento em que Ele Se entrega, Seu espírito está em Suas mãos. Ele não opera nenhum milagre para impedir o efeito dos cruéis meios de morte que o homem empregou, a fim de proteger Sua Humanidade do efeito deles; Ele deixa que ela sofra o efeito. Sua Divindade não é empregada para Se proteger disso, para Se proteger da morte; mas é empregada para acrescentar a ela todo o Seu valor moral, toda a Sua perfeição à Sua obediência. Ele não opera nenhum milagre para não morrer, mas, ao morrer, opera um milagre. Ele age de acordo com os Seus direitos divinos ao morrer, mas não para Se guardar da morte; pois Ele entrega a Sua alma ao Seu Pai assim que tudo termina.

A diferença, então, em Sua Humanidade não é que ela não era realmente e plenamente a de Maria, mas que ela o era por um ato de poder divino, de modo a ser assim sem pecado; e, além disso, que, em vez de estar separado de Deus em Sua alma, como todo homem pecador, Deus estava n’Ele, que era de Deus. Ele podia dizer “Tenho sede”, “A Minha alma está perturbada”, “como cera, derreteu-se no meio das Minhas entranhas”; mas Ele também podia dizer “o Filho do Homem, que está no céu” e “antes que Abraão existisse, Eu Sou”. A inocência de Adão não era Deus manifestado em carne; não era, quanto às circunstâncias em que Sua Humanidade se encontrava, o homem sujeito a todas as consequências do pecado.

O homem caído – o Homem perfeito 

Por outro lado, a humanidade do homem caído estava sob o poder do pecado, de uma vontade oposta a Deus, de concupiscências que estão em inimizade com Ele. Cristo veio para fazer a vontade de Deus: n’Ele não havia pecado. Era na Humanidade em Cristo onde Deus estava, e não uma humanidade separada de Deus em si mesma. Não era a humanidade nas circunstâncias em que Deus colocou o homem quando ele foi criado, as circunstâncias em que o pecado o colocou, e nessas circunstâncias sem pecado; não como o pecado tornou o homem em meio a elas, mas como o poder divino O tornou em todos os Seus caminhos em meio a essas circunstâncias, como o Espírito Santo Se manifestou na Humanidade. Não era o homem onde não havia mal, como Adão inocente, mas o Homem em meio ao mal; não era o homem mau em meio ao mal como Adão caído, mas o Homem perfeito, perfeito segundo Deus, em meio ao mal, Deus manifestado em carne; Humanidade real e propriamente dita, mas Sua alma sempre tendo os pensamentos que Deus produz no homem, e em comunhão absoluta com Deus, exceto quando Ele sofreu na cruz, onde Ele, quanto ao sofrimento de Sua alma, teve que ser abandonado por Deus; mais perfeito então, quanto à extensão da perfeição e ao grau de obediência, do que em qualquer outro lugar, porque Ele cumpriu a vontade de Deus diante de Sua ira, em vez de fazê-lo no gozo de Sua comunhão; e, portanto, Ele pediu que esse cálice fosse afastado, algo que Ele nunca fez em nenhum outro lugar. Ele não podia encontrar Seu alimento na ira de Deus.

Nosso precioso Salvador era tão realmente homem quanto eu, no que diz respeito à simples e abstrata ideia de humanidade, mas sem pecado, nascido milagrosamente pelo poder divino; e, além disso, Ele era Deus manifestado em carne.

J. N. Darby

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