Origem: Revista O Cristão – As Sete Declarações do Senhor na Cruz Parte 2

Estava Fazendo das Minhas Boas Obras o Meu Salvador

Foi em um grande salão no sudoeste de Londres que vi pela primeira vez, diante de um auditório lotado, uma senhora idosa, entre noventa e cem anos. Ela morava a uma distância considerável do salão e foi vista um dia sentada do lado de fora de sua pequena casa, aproveitando o sol quente e o ar refrescante de uma tarde de início de primavera.

A jovem que a viu sentada do lado de fora de sua casa a convidou para participar de algumas reuniões especiais do evangelho, que estavam sendo realizadas no local chamado Salão de Ferro. Minha amiga idosa disse a ela que estava muito velha e fraca para caminhar tão longe, quando minha jovem amiga, embora dispusesse de recursos muito limitados, imediatamente se ofereceu para pagar as despesas de uma corrida de táxi de ida e volta, o que ela fez na noite seguinte e nas duas noites subsequentes do dia do Senhor.

Eu mesmo não falei com ela até a terceira vez que ela veio às reuniões. Eu havia pregado naquela noite sobre as últimas palavras de Jesus na cruz antes de morrer, que foram: “ESTÁ CONSUMADO”. Ela permaneceu com algumas outras pessoas depois que a pregação terminou, para ter uma conversa pessoal comigo sobre sua alma. Eu a encontrei profundamente angustiada por causa de seus muitos anos de pecado, embora tivesse levado uma vida muito moral. Ela me disse que havia sido enfermeira, mas que sempre que tinha oportunidade ia à “igreja”, que era gentil com seus vizinhos, pagava suas dívidas, não devia nada a ninguém, lia sua Bíblia e fazia suas orações. “Mas”, acrescentou ela, “Deus me livrou do engano e me mostrou que estive completamente errada todos esses anos, e que, em vez de aceitar JESUS como meu Salvador, eu estava fazendo das minhas boas obras o meu Salvador. Oh, ore por mim!”

Jesus disse: “Está consumado” 

Vendo que ela estava desviando o olhar de si mesma e de suas ações para mim e minhas orações, respondi: “Não; não orarei por você, nem pedirei que ore por si mesma. Jesus disse: ‘Está consumado’, e a Sua obra consumada é tão perfeita que não precisa do peso das suas orações nem das minhas. Portanto, você deve confiar na Sua obra consumada para a salvação, ou negligenciá-la e ser condenada para sempre”.

Deus imediatamente a fez enxergar a força e a verdade do que eu acabara de dizer e removeu seu último apoio falso. Com toda a simplicidade de uma criança pequena e indefesa, ela confiou na Pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo e clamou em alta voz: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o Seu santo nome”.

Ela viveu mais quatro ou cinco anos depois disso e era frequentemente visitada por pessoas idosas e experientes, por jovens Cristãos fervorosos e por mim mesmo, e nenhum de nós jamais duvidou, mas sim tivemos muitas provas da autenticidade e realidade da obra de Deus em sua alma. Que obras Deus realizou! A Ele seja todo o louvor!

E agora, se algum de vocês que está lendo isto estiver fazendo de suas boas obras o seu salvador, seja advertido por esse relato a olhar imediatamente para Aquele que realizou toda a obra da salvação do pecador na cruz. Vocês estão, como alguns outrora, dizendo: “Que faremos para executarmos as obras de Deus?”

Então ouça e curve-se diante da resposta: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6:28-29). “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada (contada) como justiça” (Rm 4:4-5).

Se algum dia você for salvo, deve ser sem obras, para que Deus possa dizer a você: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9). As obras fluirão naturalmente depois de sermos verdadeiramente salvos pela graça e tivermos consciência disso. Mas, durante toda a nossa jornada para a glória, seremos conduzidos, com adoração e alegria, a dizer: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente Ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; para que, sendo justificados pela Sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3:5-7).

Gospel Light, Vol. 1

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