Origem: Revista O Cristão – Soberania e Responsabilidade
Eleição e Predestinação
Intimamente semelhante ao fato óbvio da soberania de Deus, está a verdade da eleição, ou seja, Deus, agindo em graça soberana, escolheu algumas dentre muitas pessoas com o objetivo de abençoá-las. Deus escolheu Abraão de um mundo que adorava ídolos e fez dele o depositário de Suas promessas e bênçãos, e quem desafiará Seu direito de fazer isso? Foi uma escolha de Deus, não de Abraão.
Quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos que Deus “nos elegeu n’Ele (em Cristo) antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor” (Ef 1:4). O ponto do tempo de Sua escolha não entra na questão de Sua soberania, pois ainda seria a Sua escolha se Ele escolhesse alguns agora ou a qualquer momento. O fato de Ele ter feito isso antes da fundação do mundo mostra que Ele tinha Seu pensamento e conselho sobre certas pessoas antes da existência do mundo. Ele as escolheu independentemente do mundo, e elas não haviam de ser do mundo (embora estando nele por um tempo), como o Senhor Jesus disse: “não são do mundo, como Eu do mundo não sou” (Jo 17:16).
Eleição
Pedro também escreveu sobre a eleição quando se dirigiu aos Judeus convertidos, dizendo: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1:2). Eles foram escolhidos por Deus dentre uma nação incrédula. Foi Sua escolha soberana, não deles. Como o Senhor disse a Seus discípulos: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (Jo 15:16).
Os Cristãos, no entanto, não devem se apressar na conclusão de que, sempre que encontramos a palavra “eleito” na Escritura, ela se refere a nós, pois Deus elegeu outros em outras dispensações, como Abraão certamente foi em seus dias. O Senhor Jesus disse que quando o Filho do Homem vier, ele enviará Seus anjos “os quais ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos” (Mt 24:31). Estes serão os Judeus eleitos dentre uma nação apóstata quando Ele voltar para reinar. Paulo também fala de anjos eleitos (1 Tm 5:21), que julgamos serem aqueles que foram guardados de pecar quando muitos outros o fizeram.
Predestinação
A predestinação é muitas vezes confundida com eleição ou escolha, e muitas controvérsias infrutíferas têm surgido daí. Embora Deus tenha colocado Seu coração sobre nós e nos tenha escolhido em Cristo antes da fundação do mundo, Ele predestinou para algo aqueles a quem assim escolheu. Então, lemos em Efésios 1:5 sobre aqueles a quem Ele escolheu: “Predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade”. Então, a predestinação é o propósito de Deus com relação àqueles a quem Ele escolheu. Ele nos escolheu dentre uma raça perdida “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor”, e depois nos marcou ou nos predestinou “para filhos de adoção”. É o lugar peculiar que pertence àqueles a quem Deus escolheu nesta era. Em Romanos 8:29, lemos que somos predestinados para serem “conformes à imagem de Seu Filho”. Novamente, é claro que a predestinação é separada e distinta da eleição ou escolha e é a designação dos escolhidos para uma certa porção.
Um servo do Senhor usou essa ilustração caseira para explicar a predestinação de Deus: um pai de uma família numerosa designou cada filho para uma certa vocação na vida – um filho deveria ser médico, outro contador e engenheiro.
Presciência
“Presciência” é outra palavra que muitas vezes é confundida com eleição e até usada para limitá-la, mas não há razão para tal confusão. Presciência é o conhecimento que Deus tem de certas pessoas em uma eternidade passada; é um conhecimento de pessoas, não o que elas fariam. (Não que Ele não saiba, como onisciente, tudo o que todos fazem e farão). Quando Deus escolheu ter um povo dentre uma raça perdida diante d’Ele em amor, Ele não apenas decidiu que um certo número de pessoas tinha que ser salvo para encher certos lugures no céu, mas Ele realmente conheceu essas pessoas individualmente. Em Romanos 8, lemos: “os que dantes conheceu”, não “aquilo que Ele antes conheceu”. Tampouco significa que Ele apenas conheceu o fato de que seríamos salvos, mas que conheceu cada um individualmente. Pedro também disse: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”; Ele conhecia as pessoas que escolheu.
Não há lugar para descuido
Tudo isso é muito reconfortante para o coração da alma salva. É com satisfação que reconhecemos que foi tudo por Sua graça e que éramos os objetos indignos de Sua escolha soberana. Isso (como alguns alegam) não deve dar causa a nenhum descuido em nossa caminhada, pois Aquele que nos escolheu nos criou “em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). Onde Pedro fala de eleição, o mesmo princípio é verdadeiro, pois nossa eleição de Deus é para santificação (ou separação) do Espírito “para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Somos separados pelo Espírito, não apenas para a aspersão do sangue de Jesus, mas para Sua obediência; isto é, devemos obedecer como Ele obedeceu. E como era isso? Ele como Homem sempre teve uma vontade que se deleitava com a vontade de Deus. Ele poderia dizer: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu”, e “Eu faço sempre o que Lhe agrada (o Pai)”. A Sua obediência não era uma obediência legalista, onde a vontade humana tinha que se submeter à vontade de Deus, mas Sua vontade sempre era fazer a vontade do Pai (exceto que Ele sentiu repulsa de ser feito pecado – uma parte de Sua perfeição divina).
Christian Truth (adaptado)
