Origem: Revista O Cristão – Justiça
Justiça
Duas coisas reveladas no evangelho são a justiça de Deus para a fé e a ira de Deus contra a injustiça. Deus mantém e manifesta Seu caráter justo nos Seus atos de amor e Seus atos de juízo. Cristo em Sua obra na cruz glorificou o amor de Deus ao morrer por nós e glorificou Sua justiça ao levar nossos pecados e ao ser feito pecado por nós. Deus glorificou ainda mais Sua justiça ressuscitando dentre os mortos e assentando ao Seu lado Aquele que tanto O glorificou na Terra. Essa obra para Deus e para o pecador é tão grande que Deus declara que Ele agora vê todos os que aceitam com fé o Salvador e Sua obra como estando “em Cristo” e todos os que estão “em Cristo” diante de Seus santos olhos são vistos como “justos” para sempre. O caráter justo de Deus estará para sempre visível no que somos agora em Cristo. A graça de Deus agora reina em dar o dom da vida eterna, sobre o fundamento justo de que o pecado foi tratado de maneira justa na morte de Cristo. Nós, que fomos feitos justos por Deus por meio da obra de Cristo, agora somos exortados a viver para a justiça. Nós, uma nova criação em Cristo Jesus, somos chamados a mostrar o caráter de justiça de Deus em nossa vida diária.
A justiça de Deus para com os pecadores
A Palavra de Deus pronuncia o homem como pecador e declara que entre Judeus e gentios “não há diferença”. “Não há um justo, nem um sequer” é uma afirmação abrangente; não faz exceção. Eu pequei, você pecou, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.
A Palavra de Deus também declara que “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”. Coloque essas duas verdades solenes juntas, e o que você vê? Todos culpados, todos condenados, todos sob a ira de Deus, e toda boca fechada. Mas, bendito seja Deus, embora os recursos do homem falhem, os Seus nunca falham. Os recursos de Deus são inesgotáveis. Ouça-O contar Seus próprios recursos benditos para o pobre pecador perdido, que é totalmente destituído de justiça: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:21-26).
Aqui temos o anúncio da justiça divina, manifestada como Sua bendita resposta ao derramamento do precioso sangue de Seu próprio Cordeiro imaculado. O Cordeiro era a provisão de Seu amor e graça soberana, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito”. Por meio do sacrifício deste Cordeiro, Deus foi perfeitamente glorificado. Sua majestade e glória foram reivindicadas, e a manifestação de Sua justiça é a bendita resposta ao deleite que Ele encontrou nesse sacrifício.
O que é essa justiça?
A Palavra de Deus mostra claramente que é uma ordem diferente de justiça daquela que é pela observância da lei. Se fosse justiça da lei, seria a justiça do homem, pois a lei é a medida da justiça humana. Mas o homem falhou completamente quanto à justiça, e, portanto, algo mais era necessário, e é isso que temos aqui – a justiça de Deus. É outra ordem de justiça e contrasta com a do homem, como Paulo diz: “não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3:9). Aqui o contraste é claro. Não é, de modo algum, alcançada pelo cumprimento da lei. Não é com base nesse princípio. Não é um Superior vindo e dizendo: devo receber isso e aquilo, e a exigência sendo atendida. Não é algo elaborado para Deus porque é devido a Ele. Isso é o que teria sido por lei, mas o homem falhou neste teste. Então, o que é? É a consistência de Deus com Sua própria natureza e caráter em Seu trato com os outros: primeiro, com Seu próprio Filho; segundo, com aqueles que creem n’Ele. É o que Deus fez pelo homem, não o que o homem fez por Deus. É a justiça de Deus para com o homem, não a justiça do homem para com Deus. Se o homem tivesse sido justo para com Deus, isso teria sido apenas o que era devido a Deus. Mas a justiça de Deus para com um pobre pecador que crê em Jesus é algo totalmente imerecido. Não é conquistado ou merecido. Em vez de justiça, o que era merecido era a ira. A ira foi revelada do céu contra toda impiedade e injustiça. O homem era ímpio e injusto, e assim a ira de Deus estava sobre ele. Mas agora, pela graça, “a justiça de Deus” toma o lugar da “ira de Deus” para todos os que creem em Jesus. Como é então? É pelo favor imerecido de Deus. “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça”. Na maravilhosa graça de Deus, a ira que atingiu o pecador culpado é substituída pela justiça no caso de todo aquele que crê no evangelho, e essa não é a justiça do pecador, mas a justiça de Deus.
Qual é a base desta justiça?
Nós respondemos: o precioso sacrifício de Cristo. “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:24-26).
Deus agiu com tolerância em relação aos santos do Velho Testamento, não levando em conta seus pecados. Ao fazer isso, Sua justiça não foi então manifestada. Agora ela se manifesta por meio da cruz. O sangue de Cristo a declara. Deus estabeleceu Cristo como propiciatório (JND), apresentando Seu sangue como um objeto para a fé, para esse mesmo propósito. A justiça de Deus ao não levar em conta os pecados dos santos antes da cruz não é mais uma questão sombria.
O sangue de Cristo declara isso. Mas isso não é tudo. Deus não está agora levando em conta os pecados, mas justificando pecadores que creem no evangelho. Como Ele é justo ao fazer isso? É por meio do sangue de Cristo. Por meio do sangue de Seu próprio Cordeiro imaculado, Ele é Justo ao justificar aquele que crê. Sua justiça na justificação é assim declarada. O sangue de Cristo é a base de todas as ações de Deus em graça com os pecadores, e por meio desse sangue, Seus tratos em graça são declarados justos. Deus encontrou um motivo adequado no sangue de Cristo para mostrar graça aos pecadores e justificar aqueles que creem, e Ele é Justo em fazer isso, em virtude do sangue. A demonstração de Sua justiça na justificação é Sua bendita resposta ao derramamento do sangue de Cristo.
Como Deus trata os pecadores?
Deus está justificando pecadores e não pessoas justas. E, se Deus está justificando os pecadores, isso não pode ocorrer com base nas obras deles. As suas obras têm sido apenas pecado e, por essa mesma razão, eles necessitam de justificação. O motivo de Deus para fazer isso, portanto, deve ser encontrado em algo completamente fora do pecador. É encontrado em Cristo e no Seu sangue. Como se dá isso? É porque Cristo glorificou perfeitamente a Deus exatamente naquilo pelo qual o pecador O desonrou e por causa disso ele precisava de justificação. Isso Ele fez por meio do derramamento de Seu sangue na cruz. O Senhor Jesus Cristo glorificou a Deus em todos os aspectos, exatamente neste mundo onde Ele foi desonrado. Ele Se entregou como oferta pelo pecado, Se entregou livremente e bebeu o cálice de juízo até o final, não deixando uma só gota para que a bebêssemos.
Things New and Old, 33:74
