Origem: Revista O Cristão – Justiça

Cristo, a Lei e Justiça

Prevalece uma noção (desconhecida da Bíblia) de que Cristo estava fazendo nossa justiça enquanto esteve aqui embaixo. Ora, a vida de Cristo foi, eu não questiono, necessária para vindicar Deus e Sua santa lei, bem como para manifestar a Si mesmo e Seu amor, mas a justiça que somos feitos em Cristo é um pensamento totalmente diferente – não a lei cumprida por Ele, mas a justificadora justiça de Deus fundada na morte de Cristo, manifestada em Sua ressurreição, e coroada por Sua glória no céu. Não é Cristo simplesmente cumprindo nosso dever por nós, mas Deus perdoando minhas transgressões, julgando meu pecado e encontrando tal satisfação no sangue de Cristo que nada do que Ele fizer agora por nós será exagerado demais. Isso se torna, se assim puder falar, uma dívida positiva para com Cristo por causa do que Cristo sofreu.

A lei é a força do pecado, não da justiça. Se Cristo tivesse apenas cumprido a lei, nem tua alma nem a minha poderiam ter sido salvas, muito menos abençoadas, como somos. Quem quer que guardasse a lei, isso teria sido a justiça da lei, e não a justiça de Deus que não tem a menor ligação com obedecer à lei. Ela nunca é assim tratada na Palavra de Deus. Porque Cristo obedeceu até à morte, Deus introduziu um novo tipo de justiça – não a nossa, mas a Sua própria em nosso favor. Cristo foi feito maldição sobre o madeiro; Deus O fez pecado por nós, para que n’Ele fossemos feitos justiça de Deus. Se a doutrina comum sobre esse assunto fosse verdadeira, podemos esperar que se dissesse: Ele obedeceu à lei por nós, para que pudéssemos ter a justiça da lei imputada ou transferida para nós. A verdade se contrapõe em todos os pontos contra essas ideias. Certamente, a obediência de Cristo à lei não foi Deus O fazendo pecado. Assim, na passagem que é tão frequentemente usada, por Sua obediência muitos serão feitos justos. Como é que a Sua obediência aqui está relacionada à lei? O apóstolo introduz a lei no versículo seguinte como uma coisa nova e adicional vindo casualmente.

Além disso, Adão não teria conhecido o significado de “a lei” – embora, sem dúvida, ele estivesse sob uma lei que ele violou. O que Adão, por exemplo, em sua inocência, poderia ter feito com a palavra “não cobiçarás”? Esse sentimento não estava dentro de sua experiência. Consequentemente, como vemos, foi somente após a queda do homem que, no devido tempo, a lei foi dada para condenar a manifestação do pecado. Mas Cristo morreu por causa do pecado e sob o pecado – o nosso pecado. Qual a consequência? Todos os crentes agora, quer Judeus ou gentios, em Cristo Jesus são trazidos para um lugar totalmente novo. O gentio é tirado de sua distância de Deus; o Judeu, tirado de sua proximidade dispensacional; ambos desfrutam de uma bênção comum na presença de Deus nunca antes possuída. A velha separação se dissolve e dá lugar, pela graça, à unidade em Cristo Jesus.

W. Kelly

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