Origem: Revista O Cristão – Fundamentos
Fundamentado Sobre uma Rocha
No Novo Testamento, durante o ministério terrenal de nosso Senhor, Ele frequentemente falava em parábolas e frequentemente Se referia a Si mesmo nessas parábolas. Em duas parábolas, Ele Se ilustra como a Rocha sobre a qual devemos construir, embora seja a mesma parábola em ambos os casos, mas com algumas variações. Esta parábola nos leva de volta ao Velho Testamento, pois lemos em 1 Coríntios 10:4 (TB), a respeito de Israel no deserto, que eles “beberam duma Rocha espiritual que os acompanhava, a qual Rocha era Cristo”. Ele é, de fato, a Rocha sobre a qual devemos construir, a fim de termos um fundamento sólido e duradouro.
No relato em Mateus 7:24-29, nosso Senhor Se refere a um homem sábio que construiu sua casa sobre uma rocha. Quando “desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha”. Esta é uma imagem de alguém que ouviu as palavras do Senhor Jesus e as praticou. Em sua vida, poderia haver fortes tempestades e ventos intensos, mas, como suas esperanças e sua vida estavam alicerçadas em Cristo, sua “casa” não caiu. O homem natural pode sobreviver razoavelmente bem neste mundo quando as coisas vão bem, mas ele não consegue resistir às tempestades que possam vir. Ele precisa de alguém fora de si em quem se apoiar. Quando a morte alcança o homem deste mundo, ele não tem fundamento sobre o qual se apoiar, e todas as suas esperanças (sua casa) desmoronam.
O homem insensato construiu sua casa sobre a areia, mas quando vieram as tempestades e as enchentes, sua casa caiu, “e foi grande a sua queda”. Quando a fundação é apenas areia, as enchentes o levarão embora, e nada poderá sustentar aquela casa. A queda é “grande”, pois quando uma parte da casa começa a cair, toda a estrutura desmorona. Para aqueles que entenderam a parábola, ela era, e ainda é, um aviso solene para todos aqueles que constroem a vida e o futuro deles sobre coisas deste mundo. Elas não resistirão, nem às tempestades desta vida, nem à terrível tempestade do julgamento de Deus que em breve virá sobre este mundo.
Ele cavou fundo
Em Lucas 6:46-49, temos essencialmente a mesma parábola, mas com algumas variações significativas. Em primeiro lugar, notamos que o homem sábio não somente construiu sua casa sobre uma rocha como fundação, mas também está registrado que ele “cavou, e abriu bem fundo”. Isso indica não apenas crer no Senhor Jesus, mas um verdadeiro exercício de consciência em relação ao pecado, e um profundo entendimento da obra de Cristo na cruz que vai além de vê-la apenas como um refúgio da tempestade. Lemos sobre isso em 1 Timóteo 2:3-4, onde “Deus, nosso Salvador… Que quer que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento da verdade”. Um profundo entendimento de Quem o Senhor Jesus é e de toda a verdade relacionada a Ele e à Sua obra firmará nosso coração na salvação de maneira inabalável.
O resultado será que não apenas nossa casa não cairá, mas as tempestades não poderão “abalar” a casa. Quando a casa cai, ela representa um incrédulo que não crê no Senhor Jesus e, portanto, caminha para uma eternidade perdida. Mas mesmo um verdadeiro crente que não segue o Senhor de todo o coração pode se ver abalado pelas tempestades desta vida. Isso é ainda mais evidente pelo fato de que, aqui no relato de Lucas, é dito que a casa do homem insensato foi fundada sobre “terra”. A palavra usada aqui no texto original para “terra” é totalmente diferente de “areia” e significa, na verdade, a própria terra, incluindo todo o globo e as pessoas que nele habitam. Embora essa construção sobre a terra possa muito bem se referir a um incrédulo, eu diria que também é um aviso para um Cristão mundano cuja vida é dedicada a buscar as coisas desta vida. Ele nunca poderá perder sua salvação, mas certamente pode ser abalado pelos acontecimentos de sua vida, pois a Palavra de Deus nunca oferece qualquer consolo a um Cristão mundano. A mundanidade em um crente é uma armadilha sutil, pois devemos viver e nos mover neste mundo, e devemos ser testemunhas para o mundo. Mas não devemos fazer parte do sistema mundano, pois, no momento, Satanás é o deus e príncipe deste mundo.
Em resumo, então, vemos a importância de construir sobre um fundamento sólido – sobre uma Rocha, que é Cristo. Ele é nossa única esperança para a eternidade, pois “nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). Mas como é melhor ter “cavado fundo” nas coisas do Senhor, e não ter construído nem o mínimo sobre a Terra. Assim, não apenas seremos impedidos de ver nossa casa desabar, como também não seremos abalados pelos acontecimentos em nossa vida.
