Origem: Revista O Cristão – Vasos
Tesouro em Vasos de Barro
É muito bom para os Cristãos lembrarem que Deus não introduziu a graça, Seu Filho e o Espírito para nos fazer viver com facilidades neste mundo, mas para nos levar a desfrutar das coisas celestiais e para que vivamos nelas. O que caracteriza um homem é em que sua mente está focada, e então todos os seus caminhos fluem disso.
Paulo diz que “neste tabernáculo, gememos carregados” – isso é tudo que temos neste mundo. Com a redenção estando estabelecida, o que encontramos aqui são dificuldades e exercícios, e o Apóstolo nos dá em 2 Coríntios 4:12 qual é o princípio e poder de sua caminhada. Aquilo a que somos chamados é a manifestação da vida de Cristo, toda a nossa vida é para ser nada além disso. Deus é revelado, temos vida e o Espírito Santo é o nosso poder, somos colocados aqui como “a carta de Cristo”, para os homens lerem. Enquanto esperamos que Cristo Se manifeste em glória, temos que manifestá-Lo em graça.
Livremente dado por Deus
Não é agradável fazer o bem e sofrer por isso, mas não é o que Cristo fez? É o que temos que fazer em humildade e mansidão. Ele primeiro nos dá um lugar no céu, e então Ele nos coloca aqui para fazer isso. Nós temos o conhecimento de Deus e poder para andar neste mundo. Além disso, as coisas celestiais são reveladas – as coisas que pertencem ao lugar em que estamos. “Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2:12). Lá estamos nós, prontos para viver e obter o motivo que nos caracteriza como Cristãos. Se isso for sempre assim, devemos ser sempre verdadeiramente a carta de Cristo – em nossa casa, em nossas vestes, em nossa vida cotidiana, em todas as coisas que são a expressão do coração de um homem. Cristo é o motivo em tudo que fazemos? Se não, tendemos a deixá-Lo por alguma vaidade ou outra. O que todo Cristão tem que fazer é recomendar-se “à consciência de todo homem, na presença de Deus” (2 Co 4:2), que, se o julgarem, que isso seja por coerência.
A santidade de Deus, Sua majestade e Seu amor tem brilhado em nosso coração para que possamos demonstrá-Lo. Isso é muito simples, mas não é tudo. É a maneira de Deus colocar isso em um vaso de barro: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4:7). O apóstolo não fala aqui de impiedade, mas de fraqueza. Não é uma questão de pecado ou fracasso, mas do caminho do Cristão agindo como tal. O primeiro elemento é que ele tem toda a glória de Deus revelada, mas é neste vaso de barro que “a excelência do poder seja de Deus” – uma constante dependência.
O vaso
Sendo o vaso tão maravilhoso quanto é o tesouro, Ele o colocou em um lugar que, aos olhos do homem, lhes parece impróprio para ele. Portanto, em nossa vida, recebemos esses dois elementos: toda a glória de Deus revelada em nosso coração, mas colocada propositadamente em vasos de barro, porque precisamos aprender quão pobres e frágeis criaturas somos. Pedro disse: “Por ti darei a minha vida” (Jo 13:37). Todos sabemos o que aconteceu. A carne é traiçoeira e vem à tona mesmo quando procuramos servir a Cristo honestamente, como Pedro estava buscando fazer. Deus coloca o tesouro neste vaso para que ele possa conhecer a si mesmo, e nós precisamos nos conhecer. Podemos sinceramente ir e pregar a Cristo, mas se não aprendemos sobre nós mesmos, existirá alguma confiança em nós mesmos e assim cometeremos erros. Devemos continuar vigiando a carne, pois sabemos o que ela é, então nos apoiaremos numa força que não é nossa. Esperamos pela direção e orientação de Deus, pois nos conhecemos de tal maneira que não temos confiança em nós mesmos, mas em Cristo.
Paulo tinha um espinho na carne, ele tinha que ser mantido humilhado para que soubesse que não era a capacidade de Paulo, mas para que o poder de Cristo pudesse repousar sobre ele. Ele vivia na consciência de que o Senhor estava sempre presente e ele O queria. Mesmo com sinceridade de coração, estamos aptos a continuar como se não quiséssemos o Senhor, e onde não há essa dependência, haverá fracasso. Não podemos fazer nada sem Ele e demoramos para aprender isso.
Existem dois remédios para isso. O primeiro é: “levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo” (2 Co 4:10 – ARA). Se aplicássemos a cruz a todo pensamento que surge em nosso coração, a carne nunca traria um pensamento sobre nada. Se deixo meu corpo viver, há carne. Para manifestar a Cristo sempre, eu devo manter a carne mortificada. Essa é a nossa parte em fé. Então vem a segunda coisa – a parte de Deus. “E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal” (2 Co 4:11). Por mais fiéis que sejamos, Deus tem que nos ajudar. Ele não pode confiar em nós!
O coração
A glória brilhou em nosso coração, mas Ele a coloca em um vaso de barro, porque nosso coração tem que aprender o que somos. Nenhuma vontade do homem, nenhum pensamento de vaidade deste mundo, pode ser permitida – nada que não seja adequado a esse tesouro. Há coisas que não assumem a forma do mal grosseiro, mas que não são de Cristo. Será que nossa palavra é “sempre agradável, temperada com sal”? Quando eu aplico a cruz de Cristo, isso impede a movimentação do meu coração. Nós podemos bendizer a Deus por causa disso. Ele mortifica a carne que precisa ser mortificada. “De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida”. A morte estava trabalhando em Paulo, e nada além da vida trabalhava em relação aos outros. Oh, que isso fosse assim conosco!
O efeito prático disso é: “Porque tudo isso é por amor de vós”. Quando o eu está mortificado, começamos a ter os pensamentos de Deus e tudo é para nós. Ele faz com que tudo opere juntamente para o nosso bem – todas as circunstâncias em nossa vida. O que for necessário para isso, Ele fará. Se estou em Seu caminho, Ele me ajuda, mas devo estar ali com Sua força. Todo problema dá a apreensão do que está por vir, mas o homem interior não é tocado, ele se “renova de dia em dia” e recebemos bênçãos por essas mesmas coisas.
Estamos prontos para tomar este lugar, dispostos a estar sob a mão de Deus e dizendo: “Eu quero ter Cristo, conquistá-Lo, e aqui há uma coisa que devo fazer – manifestar a Cristo”? Estamos dispostos a manter nossa carne mortificada? O que Satanás quer que tenhamos, mesmo que um pouco, é a confiança na carne. Nós dizemos, “Que Ele lide com os vasos da maneira que Ele queira, em tudo que Ele veja que é preciso, para que Cristo seja manifesto, quer pela vida ou pela morte”? Que esse seja o desejo do nosso coração.
