Origem: Revista O Cristão – Arrebatamento
O Meu Senhor Tarda em Vir
Mateus 24:48
Satanás sempre procura corromper o que ele não pode destruir, quer o objeto de seu propósito maligno seja os santos de Deus, ou qualquer verdade especial de Sua Palavra que envolve e abençoa suas almas. A verdade da vinda do Senhor como a bendita esperança do crente não é uma exceção. Desde que o Senhor graciosamente a reavivou neste período de encerramento do dia da graça, isso tem tomado tão firme controle sobre a alma dos Seus santos, em todos os lugares, como nunca foi conhecido antes, desde os tempos apostólicos, e nem foi, desde aqueles dias, nunca antes tão normalmente aceito como é agora.
As dez virgens
No início, todas as virgens saíram para encontrar o Noivo (Mateus 25), mas quão rapidamente este testemunho foi abandonado, e tudo se reduziu a isto: “tosquenejaram todas e adormeceram”.
Mas à meia-noite houve um clamor: “Eis o Noivo! Saí-lhe ao encontro!” (Mt 25:6 – AIBB). Quão perfeitamente isto tem se cumprido, e quão intimamente estas duas coisas – a Pessoa de Cristo e a saída de coração em direção a Ele como sendo Aquele que vem – foram conectadas na verdade agora restaurada! Agradecemos a Deus que o poder do Espírito Santo tem acompanhado esse testemunho de tal modo, que os esforços de Satanás não terão sucesso em privar os Cristãos daquilo que Deus tão graciosamente restaurou a eles. Mas há perigo, pois a característica mais precisa que essa esperança possui, considerada na prática, é sua iminência sem data específica. Satanás sabe que, se conseguisse remover essa característica peculiar – a proximidade indefinida, mas sempre presente, do retorno do Senhor, o cerne da verdade seria retirado. A casca da doutrina poderia permanecer, mas não seria mais um poder que está sempre operando e uma bendita esperança diante da alma.
Declíniodo coração
Prevendo este perigo, o Espírito Santo fornece uma parábola para advertir, expressamente, contra esta armadilha que o inimigo coloca aos Cristãos professos (Mt 24:45-51). A armadilha especial de Satanás agora é a da retenção da sã doutrina quanto ao Arrebatamento, mas misturada com o mundanismo e coisas semelhantes que o Senhor apresenta no cenário de servos espancando seus conservos, comendo e bebendo com os bêbados. Esta violência e libertinagem, se exercida ou contida, são as obras da carne e a permissão do mundo, quando desenvolvidas e exibidas.
Por isso, nós trazemos para nossa própria alma e para nossos leitores a real importância de estarmos atentos a este declínio do coração, a respeito da volta do Senhor, que é a última armadilha do nosso astuto inimigo. Podemos dizer que, por tanto tempo esperando por Ele, estamos cada vez mais convencidos de que Ele está cada vez mais perto? Estão ambos, o desejo e a expectativa de Sua vinda, em razão do longo tempo decorrido, crescendo a cada dia mais forte em nossa alma?
Uma coisa é clara: se o desejo tão acalentado em nosso coração ainda não foi satisfeito pela esperança de Sua vinda, permitimos que nossa fé falhasse, nossos desejos esfriassem e nossas expectativas vacilassem. Assim, nesse sentido, o cotidiano com cada vez mais essa “bendita esperança”, escapou do coração. Não é de admirar que o coração infiel então se volte para o mundo que permitiu traí-lo em declínio, dizendo consigo mesmo: “O meu senhor tarda em vir” e, consequentemente, dando rédea à carne e suas obras. Ele não disse: “O Senhor não vem”, mas ele adia como algo que não está próximo ou não é esperado.
A esperança iminente
Quão diferente é para a fé! As cenas da Terra estão mais sombrias, o pobre corpo jaz à porta da morte, como se costuma dizer, e a vida está rapidamente se esvaindo? Não há para nós nenhuma escuridão profunda o suficiente que seja insondável aos raios penetrantes da “brilhante estrela da manhã”, nenhum tempo tão curto a ponto de impedir que Ele venha. Se há tempo para um piscar de olhos, há tempo para que Ele venha; para o gozo de Seu próprio coração. O primeiro ato de Sua vinda será produzir Seu efeito completo sobre os corpos das incontáveis multidões de Seus santos, num mesmo piscar de olhos! Para mudar o cenário, é igualmente um privilégio da fé, considerar a vinda do Senhor a coisa mais brilhante em nosso horizonte, envolvendo nosso coração supremamente, precisamente quando os favores divinos na Terra estão, em sua disposição, mais cintilante diante de nosso grato coração. E, se não é assim conosco, podemos desafiar nossa alma, se a Pessoa de Cristo e a promessa de Sua vinda novamente, alguma vez assumiram seu lugar incomparável no coração como deveriam!
A ceia do Senhor
Podemos também acrescentar que não sabemos nada que seja usado pelo Espírito Santo de forma mais poderosa e mais refrescante para reviver, de tempos em tempos, esta preciosa doutrina e esperança no coração dos santos, do que a lembrança do Senhor. E tão divinamente interligadas são as duas coisas (a ceia e Sua vinda) que raramente, ou nunca, os santos estarão realmente certos sobre qualquer uma delas, se estiverem errados sobre uma ou outra.
A ceia do Senhor realmente possui a maravilhosa e única propriedade de convergir em um só foco Sua morte e Sua vinda, trazendo de volta Sua morte como nosso único ontem e antecipando Sua vinda como nosso único amanhã, e a mesa sendo nosso único hoje, onde nossa comunhão é com o Pai e o Filho, e uns com os outros “até que Ele venha”. Nosso ontem: Cristo na morte de Quem nos lembramos; nosso hoje: Cristo glorificado a Quem estamos unidos; nosso amanhã: Cristo que vem pelo Qual ansiamos, brilhando sobre nós como a “Estrela da manhã”, enquanto mantemos vigília durante a longa noite de Sua prolongada ausência.
Que o Espírito Santo mantenha fresca, diante de nossa alma, esta “bendita esperança”, e que não permita que ela seja prejudicada por qualquer uma das cenas mutáveis da Terra, acima de tudo, preservando-nos de sempre dizer em nosso coração, com leviandade e mundanismo de Laodiceia, “O meu senhor tarda em vir”.
R. W. (Christian Truth, adaptado)
