Origem: Livro: A EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS

Libertação daPresençado Pecado – Cap. 8:18–39

Até agora, na epístola, Paulo mostrou que os crentes no Senhor Jesus Cristo têm uma libertação passada da pena de seus pecados e também uma libertação presente do poder do pecado. Ele agora mostra que a plenitude da salvação de Deus para o crente também inclui uma libertação futura da própria presença do pecado em nós. Isso tem a ver com a erradicação da natureza pecaminosa do crente por ser glorificado como Cristo. Paulo referiu-se a isso no versículo 17. Esse aspecto final de libertação, que será nosso na vinda do Senhor (o Arrebatamento), é tão imenso que seus efeitos alcançarão até mesmo a própria criação – mas isso não acontecerá até a Aparição de Cristo, sete anos após o Arrebatamento. Naquele momento, homens, animais e plantas serão libertados “da servidão da corrupção”(v. 21).

Desde a queda do homem (Gn 3), toda a criação tem sido marcada pela doença do pecado, e os efeitos dela podem ser vistos em toda parte. Tudo está sofrendo pelo que o pecado trouxe ao mundo – doença, fome, tristeza, violência, morte, etc. Deus prometeu não deixar a criação neste estado indefinidamente e intervirá para reverter os efeitos do pecado na Aparição de Cristo. Embora toda a criação vá experimentar os benefícios dessa libertação, não será no mesmo nível em que os Cristãos o experimentarão. Paulo mostra nesta passagem que as almas dos crentes vão livrar-se da natureza pecaminosa e seus corpos serão glorificados! Estas são coisas que os homens na Terra e a criação inferior não experimentarão no Milênio.

O Apoio de Dois Intercessores Divinos 

Enquanto o crente aguarda em esperança por esta libertação futura, ele é visto sob todo o apoio e força de dois intercessores divinos: o Espírito de Deus aqui embaixo (v. 26), e Cristo no alto (v. 34). Além disso, como o crente ainda está na Terra, ele é visto enfrentando provações vindas de duas direções: em primeiro lugar, vem de ele estar na criação que geme (vs. 20-30), e depois, vem da oposição ao testemunho do evangelho (vs. 31-39).

Paulo menciona este aspecto final da libertação da seguinte forma:

  • A libertação que será trazida aos crentes e à criação inferior (cap. 8:18-23).
  • O conforto e encorajamento do crente no tempo presente de sofrimento, enquanto espera pela libertação prometida (cap. 8:24-28).
  • O propósito que Deus tem em permitir que provações que resultam do viver em uma cena afetada por aquilo que o pecado trouxe para a criação (cap. 8:29-30).

A GLÓRIA VINDOURA E A LIBERTAÇÃO QUE ELA TRAZ 

Cap. 8:18-30 – Como esse aspecto final da libertação tem a ver com eventos futuros, para entendê-lo apropriadamente, precisamos ter algum conhecimento dessas coisas. As Escrituras proféticas indicam que a vinda do Senhor tem duas fases. Primeiro, Ele virá para chamar todos os Cristãos da Terra – levando-os para o céu (Jo 14:2-3; 1 Ts 1:10, 4:15-18). Os que ensinam sobre a Bíblia chamam isso de Rapto – uma palavra equivalente em latim a “arrebatamento” (At 8:39; 2 Co 12:2-4; 1 Ts 4:17; Ap 12:5). Então, haverá um tempo terrível de angústia na Terra chamado a Tribulação (Mt 24:21; 2 Ts 2:2-4; Ap 3:10), que será um período de cerca de sete anos (Dn 9:27). Depois disso, ocorrerá a segunda fase da vinda do Senhor (a Aparição) quando Ele virá do céu com Seus santos para julgar o mundo e estabelecer Seu reino milenar (Mt 24:29-30; 1 Ts 3:13, 4:14; 2 Ts 1:7-10, 2:8; Jd 14-15). Mencionamos isto porque certas partes da libertação vindoura ocorrerão no Arrebatamento e outras, na Aparição. Por exemplo, o Cristão obterá sua libertação da presença do pecado no Arrebatamento ao ser glorificado naquele momento (1 Co 15:51-56; Fp 3:20-21). A criação, no entanto, deve esperar pela Aparição de Cristo antes de ser libertada. Naquele momento será dada a libertação dos efeitos do pecado – “da servidão da corrupção”.

Cap. 8:18 – Paulo terminou a seção anterior falando de Cristãos como “herdeiros” e “co-herdeiros” com Cristo. Como tal, estamos esperando que Ele venha e tome posse de nossa herança em Sua gloriosa Aparição, quando então reinaremos com Ele sobre a herança no reino. Nesta seção, Paulo retoma de onde parou na seção anterior, mencionando “as aflições deste tempo presente”. Isso é algo que todos nós devemos enfrentar enquanto esperamos a libertação vindoura. Como mencionado anteriormente, nossos sofrimentos vêm de duas direções: de estarmos conectados à criação que está sob a escravidão da corrupção, e de testificarmos de Cristo em forma de testemunho. Esses sofrimentos são normais ao Cristianismo.

Como o sofrimento é inevitável, Paulo continua nos dando as razões pelas quais poderemos suportá-lo. Ele diz: “Porque para mim tenho por certo [considero – JND] que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”. Assim, devemos pesar os sofrimentos presentes que experimentamos neste “pouquinho de tempo” (Hb 10:37 – TB) em que estamos aqui na Terra em relação à glória eterna que nos será revelada. Se “considerarmos” apropriadamente, como Paulo faz aqui, perceberemos que o que experimentamos aqui na Terra é apenas temporário e, em comparação com o que teremos, vale à pena, mesmo que fosse mil vezes mais difícil. Portanto, na medida em que mantivermos os olhos fixos na “glória que em nós há de ser revelada”, seremos capazes de suportar os sofrimentos deste tempo presente.

Cap. 8:19 – Paulo passa a nos dizer quando a libertação será promulgada na criação. Ele diz: “Porque a ardente expectação da criatura [criação – TB] espera a manifestação dos filhos de Deus”. A “criatura” refere-se à criação inteira. Inclui homens, animais e plantas – essencialmente tudo o que vemos na Terra que foi afetado pela corrupção do pecado. Paulo diz que a criação inferior busca por libertação desta escravidão da corrupção, mas isso não poderia ser por medida alguma de inteligência, pois obviamente a criação não sabe da vinda de Cristo. Mesmo assim, ela está esperando por esse momento. Paulo diz que essa libertação ocorrerá no momento da “manifestação dos filhos de Deus”. Isso acontecerá na Aparição de Cristo (2 Ts 1:10; 1 Jo 3:2). Nós somos “os filhos de Deus” agora (v. 14), mas nós seremos então manifestados como tais diante do mundo. Hoje, os homens estão fazendo tudo o que podem para aliviar o sofrimento na Terra. E somos gratos pela ciência médica, etc., mas o sofrimento, a doença e a morte natural que estão ao nosso redor não serão retirados até que Cristo apareça.

Assim, Paulo aborda duas coisas relacionadas ao futuro do Cristão:

  • A glorificação dos filhos de Deus, que ocorrerá no Arrebatamento (vs. 17-18).
  • A manifestação dos filhos de Deus, que ocorrerá na Aparição de Cristo (v. 19).

Cap. 8:20-22 – Ele explica que a criação ficou “sujeita à vaidade”, não por vontade própria, mas pelo fracasso de sua cabeça federal – Adão. Mas apesar do fracasso de Adão, existe uma “esperança” de libertação diante da criação arruinada, na Aparição de Cristo.

O versículo 21, como se vê na versão King James, pode ser enganoso. Ele diz que a criação será “libertada da servidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Isso implica que a criação inferior experimentaria a mesma “gloriosa liberdade” (glorificação) que os Cristãos terão, o que não é verdade. O versículo deve ser lido: “a liberdade da glória dos filhos de Deus”. Assim, a criação participará da liberdade que será trazida aos filhos de Deus, no sentido de ter uma libertação da corrupção e do sofrimento, etc., mas ela não experimentará a glorificação que os filhos experimentarão. A criação terá libertação, mas não glorificação.

Cap. 8:23 – Nos versículos anteriores, Paulo falou da libertação futura que está vindo para a criação. Agora, ele fala o que os Cristãos experimentarão na nossa libertação da presença do pecado. Como mencionado, será de um modo muito maior do que a criação terá, recebendo “a redenção do nosso corpo” (Ef 4:30). Isso se refere ao nosso corpo sendo glorificado e transformado à semelhança do corpo de glória do Senhor. Isso, como dissemos, ocorrerá no Arrebatamento. Naquele momento, nossas naturezas pecaminosas serão erradicadas de nossos corpos e nos livraremos do pecado em nós para sempre! Também seremos raptados da Terra e assim retirados da presença (do ambiente) do pecado que está ao nosso redor agora! Assim, teremos a libertação da presença do pecado.

Os Cristãos falam em ter corpos “novos” no Arrebatamento, mas isso poderia implicar que nos seria dado outro corpo, o que não é verdade. Se os Cristãos tivessem de receber “novos” corpos neste sentido, quando o Senhor vier, que necessidade haveria de ressuscitarem os corpos dos santos dentre os mortos? Além disso, que necessidade haveria de se glorificar os corpos dos santos que estarão vivendo na Terra quando o Senhor vier, se eles fossem obter novos corpos? Para evitar a possibilidade de alguém ter esse pensamento equivocado, as Escrituras são cuidadosas em nunca dizer que obteremos corpos “novos”. Em vez disso, nos diz que nossos corpos serão “transformados” (Jó 14:14; 1 Co 15:51-52; Fp 3:21). Isso significa que teremos os mesmos corpos em que vivemos – ainda que em uma condição totalmente diferente de glória (Lc 14:14; Jo 5:28-29; 1 Co 15:51-55; 1 Ts 4:15-16, etc.). Paulo disse: todos seremos transformados” (1 Co 15:51). Isto inclui os corpos dos santos que morreram (“isto que é corruptível”) e também os corpos dos santos que ainda estiverem vivos quando o Senhor vier (“isto que é mortal”). O corruptível “se revista da incorruptibilidade” e a mortal se “revista da imortalidade” (1 Co 15:53-54).

Tendo “as primícias do Espírito”, que é a possessão de uma nova vida em Cristo, e nossas bênçãos celestiais n’Ele, temos a garantia da “redenção” final de nossos corpos. Podemos desfrutar agora, do que é nosso pelo Espírito, como uma antecipação do que está diante de nós. Isso não nos torna imunes ao sofrimento que está ao nosso redor. Ao contrário, estando em nossos corpos em seu estado atual (não glorificado), mesmo tendo o Espírito de Cristo em nós, sentimos o sofrimento e “gememos em nós mesmos”. Esse gemido é por conta do que sentimos pessoalmente ao passar esta cena, e também pelo que sentimos por compaixão, ao vermos outros sofrendo. Enquanto o Cristão geme, ele é visto neste capítulo como tendo a presente “adoção” de filiação (v. 15), e está aguardando uma futura “adoção” de seu corpo em um estado glorificado (v. 23).

Três Coisas que Sustentam o Crente Neste Momento Atual de Sofrimento 

Cap. 8:24-30 – Paulo, então, dá encorajamento em vista do sofrimento pelo qual estamos passando enquanto esperamos pela nossa libertação final. Nós “gememos” (suspiramos) sob essas circunstâncias presentes, o que é compreensível (2 Co 5:4), mas não devemos resmungar (reclamar) porque Deus fez provisão para que suportemos este tempo de sofrimento. Nesta próxima série de versículos, Paulo tocará em três coisas que Deus deu para nos sustentar no caminho.

1) NOSSA ESPERANÇA (vs. 24-25) 

A primeira coisa é a esperança de nossa futura redenção. Paulo diz: “em esperança somos salvos”. A versão King James diz que somos salvos “por” esperança, mas deve ser “em” esperança. “Salvo em esperança” significa que, quando cremos em Cristo como nosso Salvador, foi com vistas a termos esse aspecto final da redenção. Assim, quando fomos “salvos”, foi “em esperança” ou em vista de algo completo e final. Deus nunca pretendeu que a libertação da pena de nossos pecados fosse um fim em si mesmo – por mais maravilhoso que isso seja. Ele tinha diante d’Ele uma salvação completa para Seu povo redimido. Esta grande salvação inclui não somente do que fomos salvos, mas para que somos salvos – para sermos companhia eterna de Cristo. E, se vamos viver com Ele no céu, teremos de ser glorificados – daí a necessidade da redenção de nossos corpos. Temos este precioso conhecimento por causa de uma revelação que foi dada ao apóstolo Paulo, que por sua vez comunicou isso à Igreja (1 Co 15:51-56).

Como mencionado no capítulo 5:2, “esperança” na Bíblia não tem o mesmo significado que tem hoje. No uso moderno da palavra, uma pessoa falará de esperança como algo que gostaria de ver acontecer, mas não tem garantia de que isso acontecerá. Não é assim que as Escrituras usam a palavra. Esperança, nas Escrituras, é sempre uma coisa de certeza, mas é adiada. A coisa esperada definitivamente acontecerá; apenas não sabemos quando. Por isso, é uma certeza adiada.

Conhecer o glorioso futuro que temos pela frente nos sustenta no caminho, porque a coisa esperada é firme e segura. Na esperança, fomos salvos e, em seu poder, vivemos; e isso nos dá “paciência” para esperar por isso. Enquanto esperamos, andamos por fé e não por vista (2 Co 5:7). Paulo nos lembra disso: “Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos”. Foi dito que e esperança são bons companheiros de viagem para o Cristão em sua jornada pelo deserto, e isso é verdade. Mas na vinda do Senhor (o Arrebatamento), nos separaremos desses companheiros e entraremos no céu com o Senhor, onde o amor subsistirá sozinho. Lá não precisaremos de fé e esperança.

2) O RECURSO DA ORAÇÃO E A INTERCESSÃO DO ESPÍRITO (vs. 26-27) 

A segunda coisa que Deus deu para nos sustentar até a hora da nossa redenção final é o recurso da oração e a intercessão ajudadora do Espírito. Paulo diz: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”. À medida que vivemos e nos movemos nesta cena, onde a dor e o sofrimento são sentidos em vários níveis, devido aos efeitos da escravidão da corrupção, podemos nos empenhar na oração, que é uma expressão de que dependemos de Deus nessas provações. Este é o nosso refúgio. O Espírito toma nossa causa para nos “ajudar” em tempos de sofrimento, pois muitas vezes não sabemos pelo que devemos orar em certas situações, mas Ele é capaz de expressar perfeitamente a Deus o que sentimos, embora sejamos incapazes de proferir.

Muitas vezes, sem saber, temos motivos egoístas por trás de nossas orações e pedimos, sem inteligência, por coisas que não são a vontade de Deus. Talvez possamos ver alguém sofrendo, e nossa emoção e piedade humana se elevem em nós, e pedimos algo por eles que não seria o melhor. Mas o Espírito de Deus conhece a profundidade de nossas necessidades e as necessidades dos outros, e faz intercessão “segundo a vontade de Deus” (KJV). Quando Deus “examina” nossos corações, Ele encontra “a intenção do Espírito” formada ali pelo Espírito, embora não possamos expressá-la.

É verdadeiramente algo muito reconfortante saber que o Espírito intercede com “gemidos”. Isso mostra que Ele sente profundamente por nós pelo que estamos passando enquanto sofremos nesta criação gemendo.

Assim, temos três “gemidos” nesta passagem:

  • A criação geme sem entendimento (v. 22).
  • O Cristão geme com parcial medida de entendimento (v. 23).
  • O Espírito geme com completo entendimento, de acordo com a mente de Deus (vs. 26-27).

3) SABER QUE A PROVIDÊNCIA DE DEUS ESTÁ TRABALHANDO POR NÓS NOS BASTIDORES (v. 28) 

A terceira coisa que temos, e com que podemos contar para nos encorajar, é o conhecimento de que a providência de Deus está trabalhando por nós nos bastidores. Paulo diz: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto”. Embora às vezes não saibamos o que orar, ainda podemos ter confiança de que Deus está no controle da situação. Podemos não conseguir entender as coisas que nos acontecem na vida, mas sabemos que Deus sabe exatamente o que está fazendo. Nossas vidas, portanto, não são governadas pelo acaso, pela sorte ou pelo destino, mas são controladas por uma Pessoa que nos ama. Que pensamento maravilhoso é este! Se tivermos fé para acreditar neste grande fato, seremos consolados em tempos de sofrimento e tristeza.

[Nós] sabemos” é uma expressão técnica usada em muitos lugares nas epístolas de Paulo. Isso denota o entendimento Cristão normal da verdade, por conta das revelações que foram dadas à Igreja por meio dos apóstolos (1 Co 2:10-12). Usando essa expressão como Paulo faz aqui, o Cristão sabe que Deus está no controle de tudo o que está acontecendo em sua vida, e que Ele está usando “para o bem” (Lm 3:37). Note que ele não diz: “Todas as coisas são boas”. Ele diz: “todas as coisas contribuem juntamente para o bem”. Isso porque algumas coisas que acontecem conosco podem ser ruins, mas Deus usa até mesmo essas coisas para produzir algo bom que nós levaremos conosco para a eternidade. Assim, podemos não saber o que está acontecendo conosco, mas sabemos por que isso está acontecendo – Deus está trabalhando coisas em nossas vidas que são “para” nosso bem. Essas “coisas” podem parecer-nos um emaranhado com detalhes inexplicáveis, mas quando o Senhor vier, Ele irá desvendar tudo para nós, e explicar os porquês e os para quês, e tudo fará sentido então. O Senhor não promete, nem o apóstolo diz que isso será remediado aqui e agora. Mas, mesmo assim, a fé pode louvá-Lo por isso agora.

O Objetivo Final de Deus em Nossos Sofrimentos e Provações 

Cap. 8:29-30 – Isso leva Paulo a falar da intenção de Deus em permitir o sofrimento e as provações na vida do crente. Seu grande objetivo é que sejamos “conformes à imagem de Seu Filho”. Deus ama e Se deleita tanto em Seu Filho que Se propôs a encher o céu de pessoas redimidas que são exatamente como Seu Filho! No dia da nossa redenção final, seremos conformados à Sua imagem fisicamente, tendo corpos como o corpo de glória de Cristo (Fp 3:21). Mas, enquanto esperamos por aquele dia, Deus está trabalhando para nos conformar à imagem de Seu Filho moralmente, de modo que sejamos como Ele em nosso andar e nossas maneiras agora. Como “Primogênito entre muitos irmãos”, Cristo é a Cabeça de uma nova raça de homens que serão exatamente como Ele – moral e fisicamente; e eles reinarão com Ele em Seu reino milenar.

O versículo 29 afirma claramente que o propósito de Deus em relação a nossa vida está centrado em Seu Filho. Nos versículos 30-31, Paulo se refere a ele como uma cadeia de cinco elos, tendo seu início na eternidade passada e seu fim em glória futura. Ele mostra que nada pode impedir que Deus alcance Seu fim divino conosco, pois nenhum elo na cadeia pode ser quebrado! Somos conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados.

  • “Dantes conheceu” – Deus sabe tudo sobre nossas vidas muito antes do mundo ser feito.
  • “Predestinou” – Deus ordena o destino eterno daqueles a quem Ele escolhe em graça.
  • “Chamou” – Em determinado momento, Deus nos faz ouvir Sua voz pelo chamado do evangelho e nós respondemos crendo.
  • “Justificou” – Ao crermos, Deus nos livra de toda acusação contra nós, colocando-nos em uma nova posição diante d’Ele em Cristo com uma nova vida que não pecou, nem pode pecar.
  • “Glorificou” – o trabalho final de Deus conosco pelo qual nossos corpos são transformados à semelhança do corpo de glória de Cristo.

Observe o uso frequente do pronome “Ele” (JND) durante toda essa passagem. Refere-se ao próprio Deus, cujo coração de amor e graça é por nós, ordenando todas as coisas para nossa bênção! Assim, Seu coração de amor é a fonte de todas as nossas bênçãos. Essas coisas são mencionadas no tempo verbal passado – até o último elo, que tem a ver com sermos glorificados! Como ainda não estamos realmente glorificados, é claro que Paulo não está falando do que está sendo trabalhado atualmente, mas está vendo essas coisas como estando de acordo com o propósito eterno de Deus. Dessa perspectiva, nossa glorificação é vista como algo já completo.

Resumo das Diferentes Operações do Espírito em Romanos 8 

Neste capítulo, temos uma maravilhosa revelação da verdade sobre o Espírito de Deus e Suas muitas funções em um Cristão.

  • Ele dá poder para nosso andar (vs. 1-4). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito de Vida” porque Ele nos leva a viver uma vida de santidade.
  • Ele nos ocupa com os interesses de Cristo, que Paulo chama de “as coisas do Espírito” (vs. 5-8). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito”.
  • Ele forma Cristo em nós (vs. 9-10a). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito de Cristo”.
  • Ele nos leva a viver a vida ressurreta em comunhão com Deus (v. 10b). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito vida” (JND).
  • Ele vai vivificar nossos corpos mortais (v. 11). Nesta prerrogativa, Ele é chamado de “o Espírito daqu’Ele que ressuscitou a Jesus” (TB).
  • Ele nos capacita a mortificar as obras do corpo (v. 13). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito”.
  • Ele conduz os filhos de Deus (v. 14). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito de Deus”.
  • Ele nos faz conhecer nossa liberdade na presença de Deus, pelo que clamamos “Aba, Pai” (v. 15). Nesta prerrogativa, é chamado de “o Espírito de adoção”.
  • Ele testifica que somos filhos de Deus e, portanto, herdeiros de Deus (vs. 16-17). Nesta prerrogativa, Ele é chamado de “o próprio Espírito” (JND).
  • Ele é as Primícias dando garantia de que a nossa completa libertação está chegando (v. 23). Nesta prerrogativa, é chamado de “as Primícias do Espírito”.
  • Ele é o Ajudador das nossas fraquezas (v. 26a). Nesta prerrogativa, é chamado novamente “o próprio Espírito” (JND).
  • Ele é nosso Intercessor em conexão com todos os nossos cuidados (vs. 26b-27). Nesta prerrogativa, tendo o conhecimento da vontade de Deus, é “a mente do Espírito” (JND).

A SEGURANÇA DO CRENTE NO PODER E NO AMOR DE DEUS 

Sete Perguntas 

Cap. 8:31-39 – Como ápice de tudo o que foi exposto sobre a declaração da justiça de Deus no evangelho, Paulo mostra que, enquanto estamos a caminho de sermos glorificados, somos divinamente preservados e cuidados ao longo do caminho. Sete questões são levantadas quanto à nossa segurança, e do amor do Pai por trás de todas as Suas relações atuais conosco nas provações e tribulações pelas quais passamos. Já que nada O deteve para nos salvar – nem mesmo poupando o Seu próprio Filho – Ele vai assegurar que alcancemos tudo o que Ele propôs para nós.

A configuração do tribunal que Paulo usou nos capítulos 1 a 3 é vista aqui novamente. Só que agora uma mudança notável aconteceu. O acusado, que uma vez ficou no lugar de um pecador culpado, é visto agora justificado. Ele está em pé diante do banco de réu e uma chamada é feita para que qualquer acusador se apresente. Mas não há nenhum! Como poderia haver? Se Deus justificou o ímpio, nenhuma acusação justa pode ser trazida contra ele.

A primeira pergunta de Paulo é: “Que diremos pois a estas coisas?” Alguém pode encontrar erro neste grande plano de salvação? Deus mostrou-Se justo, correto e amoroso em todos os Seus movimentos para assegurar a salvação e a bênção para o homem.

A segunda pergunta é: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Note que Paulo não diz: “O que será contra nós?”, Mas “Quem será contra nós?”. Ele repete isso várias vezes ao longo destas questões, indicando que não é a criação gemendo que está em vista aqui, mas as forças do mal ordenadas pelo diabo. Há algum homem ou demônio que possa impedir que Deus realize o que Ele propôs para a bênção dos homens? A resposta é que se Deus (que é um trilhão de vezes maior do que qualquer criatura no universo) é “por nós”, então não há ninguém que possa impedir o Seu plano! (1 Jo 4:4) Jó disse: “Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos Teus pensamentos pode ser impedido” (Jó 42:2).

A terceira pergunta é: “Aqu’Ele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?” Se Deus foi tão longe para nos abençoar – até mesmo a ponto de não poupar o Seu próprio Filho – podemos ter certeza de que Ele virá com a nossa libertação final e nos dará “todas as coisas”, que será quando Cristo tomar a herança, em Sua Aparição (Ef 1:14).

A quarta pergunta é: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica”. Ninguém pode trazer uma acusação de pecado contra nós porque fomos justificados pelo Próprio Deus. Deus nos tirou do lugar de um pecador e nos colocou em uma nova posição em Cristo com uma nova vida que não pecou, nem pode pecar. Assim, nenhuma acusação justa pode ser feita contra nós!

A quinta questão é: “Quem os condenará? Pois é Cristo Quem morreu, ou antes Quem ressuscitou dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus?”. Esta questão é uma citação de Isaías 50:9, onde Cristo é visto como tendo completado a obra da expiação e Deus O tendo levantado à Sua destra. Cristo é visto desafiando Seus inimigos (particularmente o acusador dos irmãos, Satanás – Ap 12:10) a encontrarem qualquer coisa com a qual pudessem condená-Lo, visto que Deus O justificou em tudo o que Ele realizou ao fazer expiação. Paulo aplica isso a nós. Uma vez que estamos “em Cristo” – que é estar no lugar de Cristo diante de Deus – nenhuma condenação pode ser levantada contra nós! A condenação deve primeiro alcançar a Cristo antes que possa nos alcançar. Esta é uma graça maravilhosa, de fato!

O que, porém, o acusador ruge
De males que eu fiz!
Eu os conheço bem e milhares mais:
Jeová não encontra nenhum!

Hinário The Little. Flock. nº 12 Ap.

Paulo acrescenta: “e também intercede por nós”. Cristo está agora no alto intercedendo por nós, pois os ataques do inimigo de nossas almas inevitavelmente virão contra nós. Uma vez que os ataques contra nossa segurança em Cristo seriam em vão, Satanás mira seus ataques ao nosso estado de alma e nossa comunhão com Deus. Mas Paulo mostra que temos a Cristo como nosso Intercessor, que cuida em nos manter em comunhão com Deus, apesar desses ataques. Esta é uma referência ao trabalho atual de Cristo como nosso Sumo Sacerdote e nosso Advogado.

A sexta questão é: “Quem nos separará do amor de Cristo?” Paulo pergunta novamente se existe alguma força poderosa o suficiente para fazer com que o amor de Cristo se aparte de nós. Note que ele não diz: “Quem nos separará de gozar do amor de Cristo?” É triste dizer que há muito neste mundo que pode nos separar do gozo do amor de Cristo, e assim, há muitos Cristãos que não estão desfrutando de Seu amor. O amor de Cristo por nós é uma coisa e desfrutar desse amor é outra. Com a provisão que Deus fez para nós para o caminho de fé, não há razão para não estarmos vivendo no constante gozo de Seu amor (2 Pe 1:3).

Sete Formas Externas de Provações que Nada Podem Fazer para Perturbar Nossa Bênção em Cristo 

Cap. 8:35 –A sétima pergunta é: “A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” Estas são sete formas de provações que enfrentamos neste mundo.

  • “Tribulação” – as provações em geral.
  • “Angústia” – angústia mental, medos e fobias.
  • “Perseguição” – sofrimento pela causa de Cristo.
  • “Fome” – falta de comida.
  • “Nudez” – falta em relação às necessidades básicas da vida.
  • “Perigo” – perigos de qualquer tipo.
  • “Espada” – martírio.

Ele conclui que nenhuma dessas coisas pode nos separar do amor de Cristo. De fato, provações, se sofridas no espírito de submissão, na verdade nos aproximam de Cristo e O tornam mais precioso!

Paulo cita o Salmo 44:22 para mostrar que, enquanto a pressão e a provação estão por todos os nossos lados, e possa parecer que somos “reputados como ovelhas para o matadouro”, na verdade somos os que ganham das provações pelas quais passamos. Ele diz: “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aqu’Ele que nos amou” (v. 37). Um vencedor é aquele que fica firme e vence em situação adversa ou de provação. Ser “mais do que vencedores” é não apenas ficar firme nas provações, mas ter proveito das provas, O vencedor adquire muito despojo espiritual da situação, na forma de valiosas lições espirituais aprendidas. Assim, o Cristão que está em um estado correto se beneficia dessas circunstâncias adversas. Davi reconheceu isso e disse: “na angústia me deste largueza” (Sl 4:1). Há pelo menos dez coisas positivas que resultam das provações pelas quais o povo do Senhor passa, se forem tomadas corretamente:

  • São oportunidades para Deus mostrar Seu poder e graça, sustentando Seu povo em tempos difíceis, e assim manifestar Sua glória (Jó 37:7; Jo 9:3, 11:4).
  • Por meio delas somos levados a conhecer o amor de Deus de maneira mais profunda, e assim somos atraídos para mais perto do Senhor (Rm 5:3-5).
  • Por meio delas somos conformados moralmente à imagem de Cristo (Rm 8:28-29), e assim elas trabalham em direção à nossa perfeição moral (Tg 1:4).
  • Se estivermos andando em caminhos de injustiça, elas são usadas por Deus para corrigir nossos espíritos e nossos caminhos, produzindo assim em nós o fruto pacífico da justiça (Hb 12:5-11).
  • Por meio delas nossa fé é fortalecida (2 Ts 1:3-4).
  • Elas nos ensinam dependência (Sl 119:67-68, 71).
  • Elas nos afastam das coisas terrenas e, assim, nos fazem tornar ao céu; como resultado, a esperança celestial arde mais intensamente em nossos corações (Lc 12:22-40).
  • Elas tornam irmãos mais próximos um do outro (Jó 2:11, 6:14; 1 Cr 7:21-22).
  • As lições que aprendemos ao passar por provações nos permitem ter empatia com os outros de maneira mais eficaz (2 Co1:3-4).
  • Elas nos capacitam para o tema do louvor na glória vindoura (2 Co 4:15-17).

Dez Formas Invisíveis de Perigo que Nada Podem Fazer para Afetar Nossas Bênçãos em Cristo 

Cap. 8:38-39 – Paulo falou de perigos externos visíveis que encontramos no caminho de fé; agora passa a enumerar os perigos invisíveis que trabalham nos bastidores. Ele menciona dez coisas invisíveis que poderiam ser feitas contra nós, e mostra que nenhuma delas pode frustrar o propósito de Deus em completar a nossa salvação, e nos “separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

  • “Morte” – Se a morte nos levar, não perdemos nada. Os crentes que morrem antes da vinda do Senhor continuam sendo ditos “em Cristo” (1 Ts 4:16). Assim, nossa posição perante Deus e tudo o que temos em Cristo está intacto e seguro. De fato, só ganhamos se a morte ocorrer (Fp 1:21).
  • “Vida” – Todas as provações e tribulações que vêm com a vida neste mundo não podem tirar de nós o que temos em Cristo. Mesmo se falharmos na provação, nada é alterado.
  • “Anjos” (caídos) – Os poderes satânicos do mal e das trevas, trabalhando em lugares celestiais (o reino da atividade espiritual) para trazer acusações injuriosas contra nós, nada podem fazer para impedir nosso avanço.
  • “Principados” (satânicos) – Os poderes satânicos do mal trabalhando na Terra para nos separar de Cristo.
  • “Potestades” – Homens em posições de governo humano que usam sua autoridade para condenar o crente, nada podem fazer para mudar nossa salvação em Cristo.
  • “O presente” – Medos diários.
  • “O porvir” – Medos do que pode nos advir no futuro.
  • “Altura” – Coisas no céu.
  • “Profundidade” – Coisas sobre ou sob a Terra.
  • “Alguma outra criatura” – Nada que Deus tenha criado pode romper nosso vínculo com Cristo.

Assim, o capítulo começa com “nenhuma condenação” (v. 1) e termina com “nenhuma separação” (v. 39); e entre elas não temos oposição (v. 31), e nenhuma acusação creditadas à nossa conta (v. 33).

F. B. Hole resumiu os oito primeiros capítulos de Romanos desta maneira: “Podemos resumir essas coisas dizendo que o Cristão – de acordo com os pensamentos de Deus – não é apenas perdoado, justificado, reconciliado, com o Espírito derramando o amor de Deus em seu coração; mas também vê a condenação divina do pecado e da carne na cruz, e descobre que seus próprios laços vitais diante de Deus não são com o caído Adão, mas com Cristo ressuscitado. Consequentemente, ele está em Cristo Jesus, com o Espírito habitando nele, para que, o controlando e o enchendo de Cristo, como um Objeto brilhante e justo perante seus olhos, ele possa andar em feliz libertação do poder do pecado e estar alegremente cumprindo a vontade de Deus. Nada menos que isso é o que o evangelho propõe. O que pensamos disso? Proclamamos que isso é magnificente!” (Paul’s Epistles, vol. 1, p. 32)

Termos Técnicos Usados na Doutrina de Paulo em Relação ao Pecado 

  • “Pelo pecado a morte” (Rm 5:12) – Refere-se a como o pecado entrou na criação e arruinou tudo, e assim toda a criação tem a maldição da morte sobre ela.
  • “Mortos para o pecado” (Rm 6:2) – Estar separado (posicionalmente), pela morte de Cristo, de toda a ordem do pecado sob a cabeça de Adão (Rm 6:2, 7:6; Cl 2:20; 3:3).
  • “Justificados do pecado” (Rm 6:7) – Na morte de Cristo, tivemos um desligamento (judicial) honroso de nossas relações com o antigo senhor (pecado) e, portanto, não podemos ser acusados de pecados, de vontade própria, concupiscência, etc., porque tudo isso não pode ser cobrado de um homem morto.
  • “Morto o pecado” (Rm 7:8) – Uma pessoa que não tem consciência da presença e atividade da sua natureza pecaminosa porque está totalmente identificada com ela e, portanto, é levada inconscientemente por sua força.
  • “A lei do pecado” (Rm 8:2) – Um princípio universal que opera na natureza pecaminosa de todos os homens que faz com que ele se mova de acordo com seus apetites e desejos.
  • “Morto por causa do pecado” (Rm 8:10) – Os membros de nossos corpos são desprovidos de poder ao colocarmos em prática os princípios da libertação.
  • “Morto em pecados” (Ef 2:1) – Pecadores perdidos, sem a vida divina, vivendo suas vidas em busca de seus desejos e ambições pecaminosas, separados de Deus.

Resumo dos Pares Contrastantes 

  • Duas cabeças de raças – Adão e Cristo (cap. 5:12-21).
  • Dois senhores – pecado e justiça (cap. 6:1-23).
  • Dois maridos – a Lei e Cristo (cap. 7:1-6).
  • Dois princípios de vida (cap. 8:1-17).
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