Origem: Livro: Breves Meditações sobre os Salmos
Salmo 32
Este Salmo é de grande valor para a alma. Um pecador perdoado revisita sua experiência, e desta forma a verdade mais preciosa é transmitida. Pode ser chamado de expressão de um pecador em ressurreição espiritual presente, assim como a anterior tinha sido de Jesus em ressurreição. O pecador celebra a bem-aventurança de sua libertação das profundezas, da culpa do pecado e do poder de um coração não humilhado e enganoso. Até mesmo a tentação de ser enganoso se foi – o motivo do segredo foi removido. “Orgulho”, como disse alguém, “até então era o guardião dos segredos malignos da alma, é expulso de sua confiança e obrigado a deixar todas as coisas abertas ao escrutínio. O momento é de investigação e julgamento, e o resultado é aquela paz e confiança, aquela quietude do espírito, que nunca é desfrutada até que o coração do homem tenha tratado retamente consigo mesmo”. É isso que temos aqui – o fruto do espírito de confissão e a aplicação à consciência pela fé do valor e do sangue de Jesus. O gozo e a confiança de tal alma ressuscitada são estabelecidos. A voz do Senhor é então ouvida por um momento, interrompendo com uma rica promessa, e no final, este pecador ressuscitado dirige palavras de advertência aos outros, como no Salmo anterior, o Jesus ressuscitado termina fazendo o mesmo.
Esta é a experiência ou expressão adequada de toda alma perdoada, e foi, sem dúvida, eminentemente a de Davi. Grande valor é dado a ele em Romanos 4:7. Todo aquele que é “santo” (v. 6), cuja religião é segundo Deus, encontra sua confiança brotando da verdade ou doutrina transmitida por esta experiência de Davi.
E a “ausência de dolo” de Natanael foi a mesma deste Salmo, creio eu, e não de mera disposição natural (Jo 1:47). Ele esteve sob a figueira no espírito deste Salmo, como um convicto, derramando seu coração, e isso libertou seu espírito do dolo ou engano, pois aqui aprendemos que um espírito que confessa é um espírito sem dolo. O Senhor, ao vê-lo, o reconhece nesse caráter, e Natanael não recusa a saudação. Jesus esteve no segredo de sua alma enquanto estava debaixo da árvore (como Ele estava no segredo da alma de Zaqueu na figueira brava – ou sicômoro), e eles se encontram, como o Senhor e o suplicante se encontram neste Salmo muito abençoado.
Ele ainda será encontrado assim. Ele conhecia esse israelita sem dolo sem a apresentação de Filipe; e Jesus ainda, em espírito, conversa com a alma sobrecarregada que derramaria suas convicções no lugar solitário, ou sob a sombra distante (como da figueira) para a qual a consciência o afastou.
