Origem: Revista O Cristão – Autoridade

O Senhorio de Cristo

O termo “Senhor” é um título especial de autoridade e é usado frequentemente na Palavra de Deus. Quando usado no Novo Testamento com referência aos crentes, o Senhorio é sempre aplicado ao indivíduo, pois o Senhor Jesus é Senhor para cada um de nós. Ele é a Cabeça da Igreja, mas Senhor sobre nós como indivíduos. O título direciona nossos pensamentos para Aquele a Quem devemos nossa lealdade e a Quem somos chamados a servir e obedecer. Ele também é o Senhor para aqueles que estão no mundo, embora muitos não reconheçam o Seu título. Sobre aqueles que não reconhecem isto agora, a autoridade do título será vindicada por Aquele que o possui pelo poder onipotente de Deus num dia vindouro. Contudo, Ele é especialmente apresentado agora como Senhor para aqueles que são Seus.

Autoridade irrestrita 

Se Jesus é Senhor para nós no tempo presente, Ele é o Senhor em toda a autoridade irrestrita que o título expressa. A reivindicação da autoridade é absoluta e deve ser satisfeita por sujeição absoluta e voluntária. Naturalmente, reconhecemos que o título de Senhor para os crentes é fundado na graça e na redenção, como aprendemos em Romanos 14 e em muitas outras Escrituras. No entanto, isso não muda o grau dessa autoridade, pois lemos: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:8). Nada pode ser mais absoluto do que esta linguagem, pois descreve uma autoridade que nos vincula em todos os momentos e em todos os lugares.

Enquanto esta autoridade é absoluta, é um deleite para o crente contemplá-la, se ele está andando com o Senhor. O crente é liberto de qualquer outro tipo de autoridade ou tirania, para estar sujeito a Ele apenas. Quando outras autoridades estão envolvidas, Sua autoridade suprema deve ser reconhecida, como, por exemplo, o relacionamento entre os pais e seus filhos: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais” (Ef 6:1). Este é um relacionamento que nunca será posto de lado. Em meio de “muitos deuses e muitos senhores” (1 Co 8:5) que procuram governar a mente dos homens neste mundo, é algo maravilhoso para nossa alma saber que “para nós há um só Deus, o Pai e um só Senhor, Jesus Cristo” (1 Co 8:6).

Ao pensar na infinitude da graça de Deus, que não esqueçamos do título de Cristo como Senhor. Um crente pode professar muitas verdades do mais alto caráter possível e, no entanto, sua alma pode estar em falta neste ponto mais essencial – o testemunho de uma boa confissão. É a Cristo Jesus meu Senhor, pessoalmente, rejeitado no mundo e voltando em glória, que devo mostrar minha lealdade aqui no mundo. É um princípio que me liga a Ele em todos os momentos e em todas as circunstâncias. Eu devo confessar Seu nome e reivindicações primordiais onde eles têm sido rejeitados, e Seu Senhorio é o vínculo da minha comunhão aqui neste mundo com aqueles que estão separados dele pela Cruz.

O lado prático 

O lado prático de tudo isso é o princípio da sujeição. É isso que dá estabilidade ao meu curso através dos elementos conflitantes deste mundo e que produzirá uma conformidade prática com Cristo. Ele não nos redimiu e nos libertou para seguir nossa própria vontade. Ele disse com infinita graça: “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor” (Jo 15:10). Nós somos “eleitos em santificação do Espírito, para a obediência” (1 Pe 1:2), e assim todo o meu curso por este mundo deve ser governado pela pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9:6). O amor é o princípio constrangedor de toda a verdadeira ação Cristã, mas a vontade do Senhor que nos amou é tão necessária para guiar as saídas dessa afeição.

O princípio da sujeição ao Senhor faz com que a porção celestial do Cristão se torne tão brilhante como nunca antes, mas fornece um freio que restringe a operação da vontade própria aqui. Mais do que isso, a sujeição é o princípio que regula o relacionamento Cristão.

Finalmente, que percebamos que o Senhor nos deixou um exemplo perfeito de tudo isso. Tudo o que era celestial n’Ele, tudo o que se referia a isso em Sua consciência, comunhão inseparável com o Pai, tudo é contido na Sua declaração “nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos” (Jo 3:11), à medida que isso é visto na Terra, era em humilde sujeição a vontade do Pai.

Adaptado de The Girdle of Truth, vol. 9

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