Origem: Revista O Cristão – Deus é Amor
O Amor de Cristo
Muitos Cristãos passam grande parte de sua vida desejando o amor de Cristo, e ainda mais desejando amar a Cristo. “Leva-me Tu, correremos após Ti” (Cantares 1:4). Aqui há amor a Cristo, mas uma sensação de distância. “Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?” (Cantares 1:7). Expressões como estas em Cantares expressam o estado de muitas almas agora, assim como descrevem a condição do restante de Israel nos dias vindouros. Quantos de nós temos sentido que um verso bem conhecido de um hino se ajusta ao verdadeiro estado de nossa alma: “Oh, atrai-me, Salvador, após Ti” e podemos nos ter perguntado por que um querido servo do Senhor teria alterado esse verso para: “Senhor, Tu me tens atraído após Ti”. A diferença não é imensa?
A diferença não seria maior do que se você visse uma criança olhando ansiosamente pela vitrine de uma loja com vários tipos de frutas deliciosas. Sim, essa criança ama uvas, peras e ameixas e as deseja muito, mas de nenhuma delas ela desfruta; ela está do lado de fora e as frutas estão dentro. Uma mão amável abre a porta e uma voz amorosa diz: Entre, meu filho. De graça eu dou todas a você. Coma e desfrute o que for para o seu bem. Quão real é a diferença entre o desejo daquela criança e o desfrute do fruto! E Aquele com as mãos feridas não abriu a porta? “Levou-me à casa do banquete, e o Seu estandarte sobre mim era o amor” (Cantares 2:4).
Alguns cometem um erro muito comum, pensando que devemos amá-Lo mais e mais e mais, até que finalmente possamos esperar chegar a esse banquete de amor. Não é assim; não é um ato nosso. “Levou-me à casa do banquete”. Oh, com que ternura Ele me levou com aquelas mãos feridas ao banquete do amor! Mas não deve ser nosso amor a Ele que faz o banquete de amor? Não – “Seu estandarte sobre mim era amor”.
Permanecendo em Seu amor
É bem verdade, em outro sentido, que precisamos constantemente de Seu poder para nos manter e nos guiar por esse deserto. Mas “Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” (1 João 4:16). Sim, Ele não apenas nos trouxe ao banquete do amor e estendeu Seu estandarte sobre nós, mas esta é a nossa morada. O estandarte do amor sempre flutua sobre nós. O fruto é sempre doce; o descanso perfeito é sempre seguro. Ele nunca pode deixar de amar ou interceder por aqueles cujos pecados Ele levou.
Não há esforço para amar; tudo é profundo, perfeito e pleno gozo. “Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós; permanecei no Meu amor” (Jo 15:9). Certamente então Ele não poderia nos amar mais! Não temos que guardar Seus mandamentos para fazer com que Ele nos ame, mas para permanecer em Seu amor. “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor” (Jo 15:10). Ele não quer que fiquemos do lado de fora na contínua decepção do mero desejo, mas venha ao banquete de alegria plena na posse eterna de Seu amor, com a consciência purificada e em perfeito descanso, por meio de Seu precioso sangue. Seu amor por nós foi demonstrado ao máximo. Não podemos desejar que Deus nos amasse mais do que Ele ama, pois nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.
O desejo de amar
Mas podemos dizer: “Não devo desejar amar a Deus?” Quão clara é a resposta! Se conhecermos e crermos nesse maravilhoso amor de Deus para conosco, nós O amaremos, porque Ele nos amou primeiro. Como filhos de Deus, temos a natureza de nosso Pai, e Ele é amor. Não seria uma criança estranha aquela que desejasse amar seus pais? E o amor de Deus nos leva a ter prazer de guardar Seus mandamentos. É o próprio fluxo da nova natureza, pelo poder do Espírito de Deus que habita em nós. O verdadeiro amor nunca é ocupado com o “eu”; o desejo de amar é sempre assim. Se estamos buscando e desejando amar a Deus, não encontraremos nada além de ocupação com o próprio “eu”, do começo ao fim. Nosso pensamento será que, quanto mais amamos a Deus, mais Ele nos ama. Isso mostra triste ignorância do grande fato declarado aqui.
Mas se conhecemos e cremos no amor de Deus para nós ao enviar Seu Filho, então, todas as barreiras ao amor de Deus são removidas. Não temos que desejar, mas “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:5). Esse amor é revelado em Cristo, e podemos assentar-nos felizes sob Sua sombra em descanso eterno.
