Origem: Revista O Cristão – Deus é Amor

A Maneira do Amor de Jesus

Ao longo dos anos do Velho Testamento, Deus estava demonstrando Sua rica misericórdia, mas tudo isso foi feito com certa distância e reserva, permanecendo Deus ainda em Seu próprio santuário, embora fosse tão gracioso. Ele atendeu à necessidade de um pecador, mas ainda estava no templo, no santo dos santos. Ele atendeu à necessidade de Seu povo no deserto, mas foi permanecendo ainda no céu. Ele atendeu a enfermidade de um pobre leproso, mas foi somente depois que esse leproso foi separado, fora do arraial. Em cada caso, havia um estilo na ação que falava em distância do objeto em relação ao Seu amor e bondade.

Deus perto de nós 

O Senhor Jesus, o Deus manifesto em carne, é visto fazendo as mesmas obras de amor e poder divinos, mas há outro estilo nessas mesmas ações; a reserva – a distância – se foi. Não vemos Deus Se retirando para dentro do santo dos santos, mas saindo para fora, neste mundo em ruínas. Ele perdoa, mas fica ao lado do pecador para fazê-lo. Ele alimenta, mas está Ele mesmo à mesa com aqueles que são alimentados. Ele cura, mas estende Suas mãos a tantos quantos estavam doentes. E há nisso uma “sobreexcelente glória”, de modo que as primeiras obras não têm glória em razão disso. Como devemos bendizê-Lo por essa demonstração de Si mesmo! É o mesmo Deus de amor e poder em ambos, mas Ele aumentou no resplendor de Suas manifestações.

Os líderes religiosos procuraram manter Deus e o povo separados, pois isso era para eles uma grande interferência; invadia os seus lugares. “Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?” – e para eles, Deus estava no céu. O Filho do Homem perdoando pecados na Terra era uma perturbação lamentável daquilo que lhes garantia crédito e fartura no mundo. Mas, quer eles recebessem isso ou não, esse era o caminho do Filho na Terra. Ele encorajava a aproximação feliz e confiante de todos os necessitados a Ele. Ele levava a bênção até a porta de todo homem.

Fé que entendia 

Ele veio ao mundo para ser usado por pecadores doentes e necessitados, e a fé que O entendia e assim O usava era a resposta apropriada. Vemos isso na ação daqueles que, descobrindo o telhado, baixaram a cama em que o paralítico estava “até ao meio, diante de Jesus”. Não havia cerimônias nisso – nada da antiga reserva do templo. Era uma forte expressão de fé e de acordo com a mente de Jesus, de modo que, ao ver a fé deles, sem mais o que fazer, Seu coração se expressou em uma expressão plena e forte: “Filho, perdoados estão os teus pecados”.

Bem-aventurada fé que pode, assim, derrubar paredes de separação! Na impressão viva e feliz dessa verdade por meio do Espírito, a alma experimenta algo do céu. Que bem-aventurança saber que esse é o caminho de Deus, nosso Salvador! Somente o amor divino pode explicar isso. Mas os principais não gostaram disso. Seu interesse e seu crédito no mundo desejavam manter o perdão dos pecados ainda na mão d’Aquele que estava no céu.

Mas mesmo em nossos dias, muitas ocasiões têm sido dadas para que esse princípio viva e atue com igual vigor. Pode ter havido a afirmação da graça e a apresentação da maravilhosa graça condescendente da dispensação, mas aqueles que a afirmaram não se comportaram em relação a ela e na presença dela, com aquela reverência, com aquela santidade da confiança, a única que lhes convinha. E isso deu oportunidade de reviver a religiosidade do homem.

A velha religião 

Muitos estão fazendo o que podem para afastar o Senhor para aquele lugar que Ele abandonou para sempre. Eles estão fazendo com que Ele pareça estar construindo novamente as coisas que Ele havia destruído. Enquanto eles estariam protegendo a santidade de Cristo, obscurecem Sua graça. Eles estão procurando fazer um serviço para Ele que O entristece mais profundamente. Eles estão ensinando ao homem que Ele é um Mestre austero; eles O retiram para o lugar onde se sente ser uma coisa assustadora pôr ali o pé.

Mas a religiosidade não é nem fé nem justiça. Com os fariseus, ela foi adotada como um alívio para uma má consciência ou uma cobertura para o mal; neles ela era, portanto, contrária à fé. Durante o Seu ministério terrenal, o Senhor procurou conduzir o homem para longe de seus próprios raciocínios e cálculos, em direção a Si mesmo e Suas obras. Quão simples! Quão precioso! E nisto está a grande distinção entre fé e religiosidade. A religião do homem dá à alma muitos pensamentos sérios sobre si mesma e muitos pensamentos devotos sobre Deus. Mas a religião de Deus dá à alma Jesus e as obras e palavras de Jesus.

J. G. Bellett (adaptado)

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