Origem: Revista O Cristão – Luz e Trevas

Deus É Luz

O Apóstolo João tinha contemplado a Jesus e viu n’Ele a manifestação da “vida eterna, que estava com o Pai”, e o que ele tinha “visto e ouvido” ele declarou aos santos a quem escreveu, para que tivessem comunhão com ele – uma comunhão que era “com o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”.

Nada poderia ser mais abençoado do que essa maravilhosa associação e comunhão na qual os santos foram trazidos, e então o apóstolo escreveu estas coisas a eles para que seu “gozo seja completo” (TB). Tudo isto é a expressão da infinita graça de Deus demonstrada a pobres pecadores a quem Ele tinha Se deleitado em tirar das profundezas da ruína e libertar do poder do pecado e de Satanás, os dando vida divina e eterna, também os trazendo para Sua própria presença, e os estabelecendo ali em um conhecido e eterno relacionamento Consigo mesmo. Isto é pura graça, sem mistura; o fruto do infinito e eterno amor, e de fato isso é muito abençoado.

Luz e amor 

Porém o coração humano em sua miserável perversidade e impiedade está sempre pronto para abusar da graça; sim, até mesmo transformando a graça de Deus em lascívia, se assim fosse possível; e então encontramos a verdade de Deus guardada de todos os lados. Se Deus, em infinita graça, toma pecadores vis e os traz para Sua própria presença e para ter comunhão Consigo mesmo, isto é motivo de profundo gozo e gratidão e, ao fazer isso, Deus não deixa e jamais deixará Seu caráter de lado. Sua santidade imaculada, Sua pureza absoluta, deve brilhar em tudo o que Ele faz, assim como Seu amor e graça. Se “Deus é amor”, “Deus é luz” da mesma forma. “Luz” e “amor” são as essências do que Ele é em Sua natureza. E se fomos feitos participantes da natureza divina, beneficiários desta vida – desta vida eterna – a qual foi manifestada em Jesus, o Filho de Deus aqui na Terra, devemos nos lembrar de que é a natureza d’Aquele que é luz, a pureza absoluta, necessariamente detectando e excluindo todo o mal. Então o apóstolo diz: “esta é a mensagem que d’Ele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma”.

Sem mistura com as trevas 

Nenhuma linguagem poderia ser usada para descrever mais claramente a intrínseca e absoluta pureza de Deus. Tal pureza que não admite nenhum nível de maldade. Não é apenas Deus é “luz”, mas nenhuma “treva” pode ser misturada a esta luz. As trevas são imediatamente excluídas pelo que Ele é como luz. E se fomos trazidos a Deus, não estamos “em trevas”, mas “na luz”. Este é o lugar e a condição aos quais fomos trazidos. Fomos trevas, porém agora luz no Senhor (Ef 5:8).

Em nosso estado natural nós éramos trevas; agora, como redimidos e trazidos a Deus, e feitos participantes de Sua natureza divina, nós somos “luz no Senhor”. Que mudança, tanto de lugar e condição! Uma vez distantes, porém agora na presença de Deus em Cristo, trazidos para perto pelo Seu sangue! Outrora inimigos, agora, porém, reconciliados e em límpida luz, capazes de olhar para a face de Deus e dizer, “Abba, Pai”! Antes incapazes de termos pensamentos, sentimentos e desejos comuns aos de Deus, agora possuindo a Sua natureza Divina, e capazes de ter comunhão com Ele e com Seu Filho Jesus Cristo!

Poderíamos então dizer que fomos trazidos para Deus e temos comunhão com Ele e, enquanto proclamamos isto, continuarmos andando em trevas? Então “mentimos”, e “não praticamos a verdade”.

Na luz 

Como fomos trazidos a Deus, estamos na luz, porque Deus é luz, e fomos feitos participantes de Sua natureza divina. Deus tem sido revelado em Jesus, e por esta revelação fomos trazidos a Ele, recebendo a vida que foi manifestada em Jesus. E assim somos trazidos à comunhão com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. Somente possuindo esta vida que somos capazes de ter comunhão com Deus.

E se possuímos esta vida e estamos nesta comunhão, estamos necessariamente na luz. A luz é o que Deus é na pureza e santidade de Sua natureza; nós participamos desta natureza e assim estamos na luz. Mas se dissermos que participamos nesta natureza e com isso temos comunhão com Deus enquanto andamos nas trevas, conectamos trevas com Ele que é Luz. É o mesmo que dizer que as trevas pertencem àquela pura e santa natureza, aquela vida divina, que foi manifesta em Jesus. E isto é uma mentira, e não conhecemos a verdade. Estamos ainda em trevas morais em nossa natureza e não conhecemos Deus.

Aborrecimento do pecado 

“Deus é Luz, e não há n’Ele treva nenhuma”. Esta é uma afirmação solene que mostra a necessária exclusão do mal de Sua presença. A cruz é a medida disso. Lá podemos ver o Seu terrível aborrecimento do pecado quando Ele abandona Seu próprio Filho e traz a espada contra Ele como feito pecado por nós. Abandonado de Deus naquela cruz, a Vítima sofredora estava rodeada pelas trevas, em tristeza insondável, deixado lá para que bebesse o cálice da ira de Deus contra o pecado. Aquele amargo clamor, “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” mostra a absoluta impossibilidade das trevas se misturarem com a luz ou de o pecado ter lugar na presença de Deus.

O teste do nosso estado 

Tudo isto é de uma solenidade inimaginável se olharmos para a carne ou a velha natureza e o que flui delas, e ainda assim é de tamanha benção quando percebemos que estamos no Filho e que nossa vida está n’Ele. Fomos trazidos a Deus em Cristo. “Qual Ele é, somos nós também neste mundo” (1 Jo 4:17). Estamos na luz, mas como participantes da natureza divina, e assim, em nossa natureza, somos moralmente como o próprio Deus; isto é, de fato muito abençoado. Porém isto sonda nossos corações e testa nosso estado prático. Será que estamos andando no temor do Senhor e julgando nossa carne com suas concupiscências, de maneira a nada ser visto em nosso caminho ou maneiras além das coisas que se parecem com Cristo? Será que temos em nossa alma, diariamente e em cada momento, a percepção de que estamos andando na presença de Deus? E será que percebemos a maneira de vida que convém a esse lugar? Não estamos na presença do Senhor hoje e amanhã em outro lugar qualquer. Este é o local que estamos por sermos Cristãos. Que o poder desta verdade domine nossas almas, nos dando a santa seriedade de alma e aborrecimento do pecado que convém ao local em que estamos e à natureza e caráter que Deus nos tem dado como sendo Seus próprios filhos.

A. H. Rule

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