Origem: Revista O Cristão – Esperança

O Deus da Esperança

O próprio título aqui ligado ao nome de Deus O proclama como a fonte de toda a esperança. A esperança é um dos principais sustentadores da vida, pelo menos para os filhos de Deus. Eles conhecem a Deus em Seu amor, desfrutam de Seu cuidado, de Sua paz, e no entanto não podem prescindir da esperança que lhe é dada. Quando levados para receber a salvação em e por Sua graça, começaram a ver este mundo sob uma nova luz. Eles percebem e experimentam que este mundo é uma massa de ruínas, fruto e resultado do pecado e da desobediência do homem. Eles não acusam Deus pela ruína. Como poderiam? Um Deus vivo e verdadeiro, perfeito e santo, não pode ser o Autor da miséria e do sofrimento com os quais estamos tão familiarizados. Somente a depravação da imaginação do homem pode conceber tal pensamento. Um crente reconhece que, como membro da raça humana, ele é, em sua parte, responsável por seu estado atual. Longe de reclamar dos caminhos de Deus, ele vê a intervenção misericordiosa de Deus na maravilhosa dádiva de Seu Filho, enviado para ser a propiciação pelos nossos pecados. “Nisto está o amor”, diz o apóstolo João, e quão correto é isso!

Mas por Sua propiciação à custa de Si mesmo, Sua vida e Seu sangue, o Filho não restaurou as coisas como estavam no curto dia da inocência do homem. Em vez disso, Ele salva o homem para o melhor paraíso do céu, o paraíso de Deus, onde nada pode ser estragado ou arruinado, enquanto Ele deixou a ruína e o sofrimento no mundo como ele é, lembrando o homem de sua queda sem esperança. Geração após geração foi levada a sentir isso e, pelo próprio sentimento disso, alguns foram levados a se voltar para o Salvador.

Divinamente garantido 

O crente sente em seu corpo, não menos que o incrédulo, os sofrimentos do tempo presente e muito mais em seu espírito. No entanto, ele se alegra e até exulta. Como pode ser isso? “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:1-5). A esperança Cristã recebeu do amor de Deus uma promessa que não pode falhar, nem mesmo o Espírito Santo, “E, se o Espírito d’Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita” (Rom. 8:11). Assim, a esperança Cristã é divinamente garantida.

Fé e amor 

Na Escritura, a esperança está ligada à fé e ao amor (1 Co 13:13), mostrando assim, na medida em que a fé precede a esperança, que não pode haver esperança sem fé – fé no evangelho como agora pregado na Terra. Se a Terra foi palco da queda do homem e testemunhou a entrada do pecado no mundo e a morte pelo pecado, a Terra também testemunhou aquela poderosa obra da cruz em virtude da qual Deus exaltou Seu Cristo como Príncipe e Salvador. E por essas duas coisas, das quais a Terra tem sido testemunha – pecado, por um lado, e redenção, por outro – todas as questões relativas à eternidade foram resolvidas na vida presente – resolvidas para bênção ou para maldição – para bênção daqueles que receberam o testemunho de Deus a respeito de Seu Filho; para maldição daqueles que a rejeitaram.

Uma boa esperança 

Por receber esse testemunho, um homem se torna Cristão e, sendo Cristão, tem direito a bênção nesta vida e na próxima. Entre suas bênçãos aqui embaixo está a esperança, “boa esperança”, porque é dada por Deus e concedida em conjunto com conforto eterno. É também uma “bem-aventurada esperança”, direcionando os olhos da fé para a aparição da glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Naquela aparição gloriosa, todo crente tem um interesse imediato. Estaremos com Ele então, Seus companheiros. Como essa perspectiva move nosso coração e influencia nossa vida e conversas diárias? “Com o Senhor” – não é glória e bem-aventurança se não for com Ele. Se fosse sem Ele, nunca nos satisfaria, nem satisfaria a Ele, que nos redimiu para Si mesmo à custa de Sua própria vida. Nada além de ver o fruto do trabalho de Sua alma poderia satisfazê-Lo, e Ele verá o trabalho de Sua alma quando Ele nos tiver com Ele em Sua glória. “E Eu dei-lhes a glória que a Mim Me deste” (Jo 17:22).

Uma viva esperança 

É uma “viva esperança”, como Pedro escreve, fundamentada na ressurreição de Jesus Cristo, e “uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar”. Foi concedido a Moisés ter uma visão completa de Canaã do alto de Pisga. Dali ele contemplou a boa terra, a terra que mana leite e mel. Deve ter sido para ele uma visão deleitosa, por causa do seu profundo amor pelo povo de Deus. Ele tinha certeza de que Deus a faria boa para Israel, e podia antecipar a alegria deles e compartilhar disso. No entanto, essa herança era corruptível e logo desapareceu. Temos uma visão melhor do que a de Moisés. A porta da nossa esperança se abre para o céu, assim como a janela da arca. A partir daí, podemos examinar nossa herança, “guardada no céu” para nós, e somos “guardados (por ela) no poder de Deus”. Nenhum fracasso pode entrar aqui, nenhum poder pode sequer comparar-se ao poder de Deus, que tem tanto a herança quanto a nós sob a Sua guarda.

Como Cristo 

Há ainda uma característica ligada à nossa esperança dada por Deus e, pode-se dizer, a mais brilhante. Será indescritivelmente bendito estar com Cristo, como Seus companheiros e Seus coerdeiros no dia de Seu poder, mas há algo que se compare a ser como Aquele que é o próprio resplendor da glória de Deus? No entanto, Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem de Seu Filho, e, certamente, Seu propósito permanece firme para sempre. A fé pode e conta com isso com toda a certeza. Como essa parte de nossa esperança será cumprida? Pela adoção, “a redenção do nosso corpo”, como lemos em Romanos 8. Já temos a adoção, a redenção de nossa alma; nós clamamos: “Abba, pai”. Agora somos filhos de Deus tanto quanto sempre seremos. Mas ainda existe em nós o que herdamos do primeiro Adão – um corpo mortal, um corpo de humilhação e de corrupção. E sabemos que carne e sangue, como nosso corpo é atualmente constituído, não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção. Como então seremos livrados deste corpo mortal e corruptível? Pelo ato de poder do Remidor de nossa alma. “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fp 3:20-21).

Vendo-O como Ele é 

Mas não é apenas pelo poder que devemos ser conformes a Cristo. O apóstolo João declara: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos” (1 Jo 3:2). Ser como Ele é consequência de vê-Lo como Ele é. Visão maravilhosa! Os discípulos O viram depois de Sua ressurreição, viram quando Ele subiu, mas não O viram glorificado no alto (exceto Paulo) e eles não eram como Ele. Eles e nós aguardamos a ressurreição daqueles que são de Cristo na Sua vinda. Então todos seremos como Ele, pois O veremos como Ele é. Visão arrebatadora! Agora, mesmo onde a fé está mais em atividade, vemos apenas “como por espelho em enigma”, mas então veremos face a face, “como Ele é”. A consequência será que refletiremos Sua beleza e Sua glória, de modo que Ele será glorificado nos Seus santos e maravilhado ou admirado em todos os que creram. Observe, é dito: “nos Seus santos”. Se fosse dito: “por Seus santos”, não implicaria necessariamente que eles fossem “como Ele”.

Que o conforto dessa esperança purificadora e santificadora encha a alma de todos aqueles que amam Sua aparição e desejam vê-Lo em seu esplendor! “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15:13).

The Bible Treasury (adaptado)

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